Uma em cada 10 mulheres no Brasil tem endometriose; saiba quais exames fazer | Especial Publicitário – Clínica Radiológica de Santos

Cólica intensa, sangramentos na urina e fezes durante o período menstrual, dificuldade para engravidar e dores na relação sexual. Se você se identificou com esses sintomas, é melhor procurar auxílio médico, pois pode ser um caso de endometriose. A doença afeta uma a cada dez mulheres no Brasil, segundo estimativa do Ministério da Saúde. Ainda de acordo com o órgão, em 2021, mais de 26,4 mil atendimentos foram feitos no Sistema Único de Saúde (SUS) e oito mil internações registradas na rede pública.

Conforme explica o médico do corpo clínico da Clínica Radiológica de Santos – CRS, Cezar Santinho, a endometriose é uma doença inflamatória, desencadeada quando células do endométrio (um tecido que reveste o útero), em vez de serem expelidas durante a menstruação, caem na cavidade abdominal. Lá, elas se multiplicam novamente, provocando sangramentos. Ela pode ser dividida em três tipos: superficial, ovariana e profunda – além de uma outra situação, que é a adenomiose.

“Considera-se a endometriose superficial quando esses focos de tecido do endométrio ficam restritos à membrana superficial dos órgãos pélvicos e não penetram mais que 5mm nesta membrana. Geralmente, o diagnóstico deste tipo é realizado por laparoscopia com câmeras de alta resolução”, comenta o especialista.

Considera-se endometriose ovariana quando os ovários são comprometidos, e neles se formam cistos chamados endometriomas. A endometriose profunda, segundo explica Cezar Santinho, é aquela que acomete desde a membrana dos órgãos até a parede e o interior do órgão. “Ela infiltra a parede pélvica, a parede do intestino, as estruturas que dão suporte aos órgãos pélvicos conhecidos por ligamentos e cria uma reação de cicatrização ou fibrose, provocando aderências entre os órgãos”, salienta.

Já a adenomiose é a infiltração na parede do útero, provocando aumento de seu volume e sangramentos excessivos no período menstrual com cólicas intensas.

Da investigação ao diagnóstico

Segundo o médico da CRS, a suspeita deve ser levantada quando houver uma dor pélvica recorrente ou crônica. “Muitas vezes, pode ser desconfiado em achados de exames de rotina, como os endometriomas, ou em um exame de ultrassonografia pélvica transvaginal. Os profissionais que atendem os pacientes devem estar preparados para pensar no diagnóstico”, ressalta Cezar.

No atendimento é realizada a anamnese, um questionário dirigido pelo médico para levantar o histórico da paciente. “Nesta investigação, o profissional deve perguntar sobre o período menstrual, dores fora deste período, sobre o funcionamento do intestino no período menstrual e dor no ato sexual, quando for o caso. A abordagem deve ser direcionada às queixas de cada paciente”, explica.

Existem ainda sintomas incomuns, mas que também precisam ser levados em consideração no momento do diagnóstico da endometriose, como:

– Infecção do Trato Urinário ou necessidade de ir ao banheiro com mais frequência durante a menstruação pode indicar aderência da endometriose à bexiga;

– Inchaço abdominal e problemas gastrointestinais como diarreia, prisão de ventre e náuseas são características de uma endometriose presa ao intestino;

– Dor nas costas que irradia para uma ou ambas as pernas. Às vezes a dor é diagnosticada erroneamente como inflamação do nervo ciático;

– Devido à endometriose no diafragma, algumas mulheres podem sentir dor no peito e nos ombros. Em alguns casos, se a endometriose no diafragma for especialmente severa, as pacientes podem até ter dificuldades respiratórias;

– A endometriose pode causar também um forte desequilíbrio de hormônios que, por sua vez, desencadeiam diferentes tipos de problemas.

Importância dos exames de imagem

Além de fornecer o diagnóstico, os exames de imagem são fundamentais para ajudar no planejamento do tratamento.

A abordagem por exames deve começar com a ultrassonografia transvaginal. É ela que vai caracterizar se houve aumento no volume do útero, dificuldade de deslizamento dos órgãos pélvicos e presença de cistos nos ovários.

O próximo é a ressonância magnética. É um método de diagnóstico seguro que oferece informações precisas quanto aos órgãos atingidos.

“Tanto a ultrassonografia quanto a ressonância magnética têm cobertura pelos convênios e seguradoras. Elas também estão disponíveis na rede pública, então são de fácil acesso para toda a população”, lembra o médico da Clínica Radiológica de Santos.

Outro método é a ultrassonografia com preparo intestinal. “No entanto”, explica, “este exame não tem cobertura por convênios e é limitado na rede pública. Sua indicação é para avaliar pequenos focos de endometriose na parte mais profunda da cavidade pélvica e principalmente do comprometimento intestinal”.

“A ordem ideal de realização dos exames seria, primeiramente, uma ultrassonografia transvaginal. Caso ela mostre qualquer alteração, deve ser seguida por uma ressonância magnética, que é o método de escolha para o diagnóstico inicial da doença. Por fim, já na fase de planejamento terapêutico, a ultrassonografia com preparo intestinal”, enumera.

Dependendo do tratamento, os exames podem ser refeitos. Caso seja clínico (sem necessidade de cirurgia), eles serão realizados para avaliar se houve regressão ou progressão da doença. Se for cirúrgico, o exame só será refeito em caso de persistência dos sintomas.

Aos primeiros sinais de que há algo errado com a menstruação, é preciso procurar um médico para um diagnóstico, pois quanto mais cedo feito, menores os riscos.

De acordo com Cezar Santinho, a endometriose é uma doença que vem com os ciclos menstruais, então pode se manifestar desde as primeiras menstruações. No entanto, costuma afetar mulheres na vida adulta.

“Algumas situações também podem ocorrer com a reposição hormonal no período do climatério (período que precede a menopausa, marcado por variações hormonais), mas é uma situação menos comum. Por ser uma doença que provoca reação de fibrose entre os órgãos, quanto mais tardio o diagnóstico, mais comprometimento desses pode ocorrer. O risco de uma obstrução intestinal existe, assim como o risco de infertilidade”, explica.

O principal a ser analisado, conforme aponta o médico da CRS, é o comprometimento da qualidade de vida da paciente que sofre com dores crônicas, limitando seu cotidiano, relacionamentos e trabalho.

Existe cura para a endometriose? Segundo o especialista, a questão não é a cura, mas tudo o que se pode fazer para ter uma boa qualidade de vida mesmo com o problema.

“Inicialmente pensava-se que a gravidez resolveria a endometriose. Ao engravidar não se tem menstruação, não estimula a doença e resolveria o problema, mas não é bem assim. Em vez de falarmos de cura, temos que pensar em alimentação saudável, exercícios físicos e fisioterapia para a pelve. O tratamento com remédios também ajuda em muitas situações. Outras vezes, o tratamento cirúrgico é necessário. A vigilância aos sintomas deve ser sempre ativa”, finaliza.

Doutor Caetano Sorrentino Netto | CRM-SP 8.704


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