Trocas por produtos, serviços e alimentos: escambo ganha força em grupo no litoral de SP | Santos e Região

A troca de objetos entre pessoas, também conhecida como escambo, era prática comum antes do surgimento da moeda. Porém, essa ação pré-histórica, que remonta o período Neolítico [10 mil a 4 mil anos antes de Cristo], tem ganhado força na Baixada Santista devido ao cenário econômico conturbado, de inflação em alta. No Facebook, a página Escambo Baixada Santista incentiva a permuta de objetos ou prestação de serviços.

A autônoma Isabel Cristina Paiva, moradora de São Paulo, recorreu à troca de objetos para ajudar a filha de 28 anos, que se mudou para Praia Grande, no litoral de São Paulo. Ela já trocou14 DVDs lacrados de música por mantimentos, produtos de higiene e de limpeza.

Trocas por produtos, serviços e alimentos: escambo ganha força em grupo no litoral de São Paulo — Foto: Reprodução

“Os DVDs estão em Praia Grande com minha filha. Como é algo, a meu ver, sem valor para uma troca maior, achei legal [trocar] por alimentos mesmo. É algo extremamente necessário para uma mulher sozinha, que vive com seis pets. Está muito difícil. Ela tem que escolher entre comer ou alimentar os bichos”, contou Isabel.

Casos como o da filha de Isabel têm virado rotina na plataforma. Um de seus administradores, o artista de rua Sidney Herzog, notou um crescimento desse tipo de escambo. “Tem até quem ofereça uma hora de faxina por arroz, feijão e frango. A fome está perto de nós”.

Para ajudar a filha, mãe oferece 14 DVDs lacrados de música em troca de mantimentos — Foto: Reprodução

Segundo ele, os tempos difíceis, de busca por auxílio emergencial do Governo e também de cestas básicas motivou o escambo.

“O que era uma troca apenas de produtos no começo, logo incorporou alimentos. Começou com as pessoas que tinham bazares e brechós beneficentes, com seus produtos, para trocar por cestas básicas e distribuir. Logo, vieram as pessoas pedindo trocas para pegar alimentos”, observou.

Mas as trocas entre pessoas interessadas em produtos seguem dando o tom entre os cerca de 6 mil inscritos no grupo. Existem algumas regras, como: nada de troca por armas ou facas, ou precificar produtos, numa espécie de venda disfarçada.

Além disso, quando tiver medicamentos envolvidos, é preciso que o interessado apresente uma receita médica. No mais, vale o bom senso e a civilidade entre os participantes.

“O grupo tem um núcleo muito ativo, de cerca de 50 pessoas, embora tenha 6 mil inscritos. São elas que fazem a maioria das trocas. E a comunicação salva a gente, pois existe um feedback sobre essas trocas”, contou Herzog.

Entres as ofertas mais presentes nas trocas, estão eletrodomésticos, materiais de construção, brinquedos, além de produtos para pets (brinquedos e casinhas). Mas a venda ilegal de animais, uma saída encontrada por contrabandistas, tem sido combatida pelo grupo.

“Teve trocas que que a gente teve que denunciar para a Polícia. Eram animais silvestres, como porcos-espinhos. Esse tipo de gente busca fazer vendas disfarçada, e foge totalmente dos princípios do grupo. A gente aconselha as negociações a serem feitas no privado. Mas os membros que notam isso printam as conversas e mandam para a gente que, imediatamente, toma as devidas providências”, finalizou o administrador do grupo.

VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos


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