Tarcísio diz que Rota não deve ter câmera, irá rever contrato com ViaMobilidade e que Hospital SP tem ‘série de problemas’ | Eleições 2022 em São Paulo

O candidato ao governo de São Paulo pelo Republicanos, Tarcísio de Freitas, foi o primeiro a ser entrevistado na série do g1, que teve início nesta segunda-feira (22). Ao apresentador do SP1, Alan Severiano, afirmou que policiais da Rota não devem usar câmera em uniformes e que pode romper o contrato com a concessionária ViaMobilidade, que opera as Linhas 8 e 9 de trens. Sobre o Hospital São Paulo, que recebe recursos do governo federal, admitiu que a unidade “tem uma série de problemas”.

Nesta terça (23), o entrevistado será o candidato do PT, Fernando Haddad, e, na quarta (24), o do PSDB, Rodrigo Garcia. Os três tiveram 6% ou mais na pesquisa Ipec de 15 de agosto e, por isso, serão entrevistados ao vivo por Alan Severiano, apresentador do SP1, direto do estúdio do g1, em São Paulo.

Carol Vigliar (UP), Gabriel Colombo (PCB), Altino Júnior (PSTU), Antonio Jorge (DC), Vinicius Poit (Novo), Elvis Cezar (PDT) e Edson Dorta (PCO), demais postulantes ao Palácio dos Bandeirantes, participarão de entrevistas gravadas com o repórter Walace Lara, que serão exibidas de 29/8 a 6/9.

Câmeras em uniformes de policiais

Tarcísio de Freitas (Republicanos) fala sobre uso de câmeras em uniformes de policiais

Tarcísio de Freitas (Republicanos) fala sobre uso de câmeras em uniformes de policiais

Apesar de indicadores mostrarem uma redução de 46% na letalidade policial após a adoção de câmeras em uniformes de policiais, o candidato, que é contrário à medida, disse: “Me preocupa, por exemplo, a questão de uma tropa especial estar usando uma câmera. Será que cabe a câmera pra tropa especial? A Rota, a tropa de choque”.

“Na minha opinião não [deve usar câmera], na minha opinião é incompatível com o tipo de atuação, com a natureza de atuação que ela tem. E quem disse que ela não vai seguir a lei não estando com a câmera. Por que você não acredita que ela não vai seguir a lei não estando com a câmera?”

Segundo os dados mais recentes da Ouvidoria da Polícia de São Paulo, a Rota foi o batalhão que mais matou suspeitos de crimes em 2019 no estado. Em julho, três policiais da Rota foram presos após a morte de um suspeito de sequestro em Osasco, na Grande São Paulo. Eles taparam as câmeras dos uniformes durante a ação, segundo investigação da Justiça Militar. Pouco depois, a Justiça concedeu habeas corpus e revogou a prisão preventiva dos três agentes.

“Engraçado, o pessoal se preocupa muito com a letalidade policial, eu vejo muito pouca gente preocupada com a percepção de segurança da sociedade”, afirmou.

O uso de câmeras em policiais também é aprovado pela população: pesquisa do instituto Datafolha divulgada em julho revelou que a aprovação é superior a 90% no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais. Sobre seu posicionamento destoar da maioria do eleitorado, Tarcísio afirmou: “Eu sou candidato para colocar o meu ponto de vista”.

Tarcísio de Freitas, candidato ao governo de SP pelo Republicanos, é entrevistado por Alan Severiano em série do g1 — Foto: Celso Tavares/g1

Segundo o candidato, “o fato de não ter a câmera não significa que o policial não vá seguir a lei”. “Toda política pública pode e deve ser revista, revisitada, pontos bons podem ser aproveitados e pontos ruins têm que ser afastados”, afirmou.

Tarcísio de Freitas (Republicanos) responde a pergunta sobre saúde pública

Tarcísio de Freitas (Republicanos) responde a pergunta sobre saúde pública

A respeito da gestão do Hospital São Paulo, que enfrenta uma crise financeira, Tarcísio afirmou que a unidade, que é gerida pelo governo federal, “recebeu suporte” da União, mas “tem ainda uma série de problemas, está com quantidade de leitos fechados, quase 400 leitos fechados e entendo que precisamos de um compromisso. Ao longo da pandemia, o governo passou repasses”.

“Na verdade, você tem vários [hospitais] estaduais que estão parecendo. Um hospital de Itapetininga que cuida de 13 municípios. Essa logística administrativa virou política. Muitas vezes, uma sede arca com todo o ônus daquele equipamento.”

Concessão da ViaMobilidade

Tarcísio de Freitas (Republicanos) responde a pergunta sobre transporte público

Tarcísio de Freitas (Republicanos) responde a pergunta sobre transporte público

Sobre os problemas crônicos enfrentados pelos passageiros de trens das Linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, que são administradas pela concessionária ViaMobilidade, o candidato afirmou que terá de revisitar o contrato, se necessário.

“Temos a linha 8 e 9 que passaram por processo de concessão e estão apresentando muitos problemas, aí temos que revisitar esse contrato, fazer com que ele seja cumprindo que aqueles indicadores de performance seja cumpridos para que possamos melhorar a prestação de serviço.”

Tarcísio diz que isso pode ser feito “aplicando os instrumentos contratuais, aplicação de multa. Para isso temos o instrumento da encampação, caducidade, acho que tem que mostrar a mão pesada do Estado e precisa mostrar que tem um poder concedente que vai atuar dentro do contrato”.

Balanço feito pela TV Globo no início de agosto revela que foram registrados 153 problemas nas linhas da CPTM e da ViaMobilidade. No topo da lista, estão as duas linhas geridas pela ViaMobilidade: a Linha 9-Esmeralda, com 63 problemas, sendo que 62 ocorreram sob administração da concessionária. Em seguida vem Linha 8-Diamante, com 39 problemas, sendo 36 sob administração da ViaMobilidade.

A concessionária assumiu a concessão da linha no fim de janeiro, depois de seis meses de transição da operação e de treinamentos junto com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

A Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo (STM) já multou em ao menos duas oportunidades a ViaMobilidade, que também é responsável pela operação e manutenção da Linha 8-Diamante, num total de R$ 7,9 milhões, em razão de descumprimentos de procedimentos operacionais e da interrupção da prestação do serviço.


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