Sobrevivente de queda de paraglider rasgado por pipa revela 'terror' e 'desespero' de instrutor morto, diz tio



Lorrana Fernanda Rodrigues, de 23 anos, fraturou a coluna e teve uma lesão no calcanhar. Instrutor de voo José Hélio da Rocha, que a acompanhava, morreu na queda em Bertioga (SP). Menina que sofreu queda de paraglider teve fratura na coluna e no calcanhar em Bertioga
Arquivo pessoal
A jovem que caiu de uma altura de 15 metros após o paraglider em que voava ter se rasgado por conta de uma linha de pipa que utilizava cerol em Bertioga, no litoral de São Paulo, revelou à família detalhes sobre os momentos de terror antes da queda. Ao g1, neste domingo (1), o tio de Lorrana Fernanda Rodrigues, Matheus Azanha explicou que a sobrinha lembra de ter escutado o desespero na voz do instrutor e o termo “mayday”, uma palavra-código para sinalizar uma emergência.
O caso aconteceu na Praia do Indaiá. Na ocasião, o professor de educação física José Hélio da Rocha, de 61 anos, que também atuava como instrutor de voo, morreu após a queda. Por sua vez, Lorrana, de 23 anos, que o acompanhava no voo, fraturou a coluna e teve uma lesão no calcanhar. A jovem está hospitalizada no Irmã Dulce, em Praia Grande, também no litoral paulista.
“A Lorrana contou que se lembra de que o instrutor dizia ‘mayday, mayday’, e começou a gritar por causa da queda. Na sequência, ela apagou”, contou Matheus Azanha, tio da vítima, a partir de relato à família.
Instrutor de voo em paraglider e jovem despencaram de uma altura de 15 metros
Divulgação/Polícia Civil
Ainda de acordo com o tio de Lorrana, a jovem revelou ter percebido o momento em que a linha da pipa com cerol causou o estrago ao equipamento. “Eles estavam dando a volta para pousar, quando ela viu uma ‘linha azul’ próxima ao paraglider. Em seguida, o aparelho começou a ficar sem estabilidade”.
Lorrana e a família moram em Americana, no interior de São Paulo. Segundo o tio da vítima, trata-se da segunda vez em que os parentes decidiram passar as férias e as festas de fim de ano em Bertioga (SP). Matheus Azanha acrescentou que os parentes nunca tinham feito o passeio aéreo, e tomaram a decisão após ver o instrutor José Hélio fazer outros voos no local.
“Falamos com ele [José Hélio] e, como quatro pessoas queriam voar, ele fez um desconto. Um tio [outro], a tia, ela [Lorrana] e a irmã dela queriam [fazer o passeio], e foi um valor abaixo da tabela. O primeiro foi o tio, e deu tudo certo. Na sequência, foi a Lorrana, e aconteceu o acidente”, finalizou Matheus Azanha.
O caso
José Rocha e a jovem, identificada como Lorrana Fernanda Rodrigues, de 23 anos, foram encaminhados ao Hospital Municipal de Bertioga. O instrutor sofreu uma hemorragia severa e, por isso, foi transferido ao Hospital Santo Amaro, em Guarujá, mas acabou morrendo.
Piloto morre após sofrer acidente em Bertioga, no litoral de São Paulo
Reprodução
Segundo informações da Polícia Militar, os banhistas que estavam na praia de Indaiá informaram a corporação que um paraglider havia caído na faixa de areia. Testemunhas informaram aos policiais, também, que o aparelho estava em procedimento de pouso quando foi atingido.
Por conta disso, viaturas do Corpo de Bombeiros foram chamados no local e constataram que havia duas vítimas feridas. O homem e a mulher foram levados para atendimento médico na unidade de saúde da cidade.
Associação dos Voos
Segundo o presidente da Associação Aerodesportiva Bertioga, José Maria Souza, voar próximo a faixa de areia é proibido na cidade. “O ideal é 50 metros mar adentro, nunca sobre pessoas, para não colocar ninguém em risco. Já notificamos inclusive instrutores que desrespeitaram as regras. Isso pode ocasionar acidente, como esse que foi fatal”, disse ele.
Ainda de acordo com o presidente, o professor de educação física tinha sido expulso da associação por não cumprir as regras do órgão. “O Rocha, em outras ocasiões, já tinha voado desrespeitando a segurança e o regulamento. Pela associação ele não era mais instrutor por causa disso”, disse Souza.
José Maria finaliza dizendo que “quem faz voo tem que tomar cuidado e ter a responsabilidade próximo de pessoas e locais habitáveis. É triste, mas cada um sabe dos riscos que corre quando desrespeita regras seja no ar ou na terra”, finaliza José.
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