Separadora de materiais relata preconceito, desafios e chances do trabalho com a reciclagem: ‘nosso ganha pão’ | Santos e Região

O Dia Nacional da Reciclagem é celebrado neste domingo (5) e reafirma a importância dessa prática que, além de ajudar o meio ambiente, também pode mudar a vida de diversas pessoas. Uma funcionária de uma cooperadora de reciclagem de Guarujá, no litoral de São Paulo, há cerca de 20 anos contou ao g1 os desafios que enfrentou e as oportunidades que teve através da reciclagem.

A cooperada Miriam Madalena da Silva, de 56 anos, explica que chegou à Cooperativa Mundo Novo em um momento difícil da vida dela. “Todas as portas estavam fechadas para mim. Eu precisava sustentar o meu filho e tinha minhas contas para pagar”, desabafa.

Na época, Miriam procurava emprego como técnica de enfermagem, área em que é formada. Porém, desesperada por um emprego para sustentar o filho, que criou sozinha, ela encontrou uma oportunidade no ramo da reciclagem.

“Minha situação era muito difícil há 20 anos e ainda continua assim, mas tento a cada dia melhorar. Não é fácil ser mãe solteira e conseguir criar seu filho completamente sozinha, educar ele e viver só com um salário mínimo”.

Moradora do Pae Cará, no distrito de Vicente de Carvalho, Miriam chega à cooperativa, localizada no Jardim Progresso, às 7h30 e já começa a separar os materiais, desde garrafas pets, jornais, papelão, entre outros, que chegam diariamente no local.

“Gosto muito do que eu faço na reciclagem. No começo foi bastante difícil, mas quando a gente tem força de vontade e fé, tudo fica bem. Esse trabalho é bastante cansativo, mas eu sempre digo que é como se fosse uma terapia”.

De acordo com a Prefeitura de Guarujá, a cooperativa ajuda um total de 40 famílias a se sustentarem com o trabalho de reciclagem. “É de lá que ganhamos o nosso ‘ganha pão’. Ali ninguém é melhor que ninguém. Chegam famílias, às vezes muito necessitadas e sem nada, mas um sempre tenta ajudar o outro”, afirma.

De acordo com a Prefeitura de Guarujá, a cooperativa ajuda um total de 40 famílias. — Foto: Divulgação/ Hygor Abreu/ Prefeitura de Guarujá

“Enfrentamos preconceitos diários. As pessoas olham torto para a gente e sempre acham que, porque trabalhamos na reciclagem, não temos estudo”, disse.

Ela ainda conta que, em determinado momento, foi pagar algumas contas na lotérica com a roupa suja do trabalho e que os olhares de julgamento a acompanhavam. “As pessoas sempre falam, ‘nossa que horror’, mas eu não acho isso, na verdade é muito gratificante”.

A cooperadora conta que, toda vez que encontra materiais que poderiam ser utilizados na reciclagem jogados em qualquer lugar sente uma “dor no coração”, por conta do desperdício. Sempre que pode, ela recolhe e os leva até a cooperativa. “As pessoas não se importam, preferem jogar diretamente no lixo”.

“As pessoas não se importam, preferem jogar diretamente no lixo”, disse Miriam. — Foto: Divulgação/ Hygor Abreu/ Prefeitura de Guarujá

Miriam ainda afirma que, com a conscientização ambiental que adquiriu ao longo dos anos, o trabalho se tornou gratificante, já que pode ajudar a criar um futuro melhor. “Poder fazer alguma coisa pela natureza e pelo planeta é muito bom. Devemos cuidar dos rios, dos manguezais, de toda a natureza. Tenho ensinado isso ao meu filho e ao meu sobrinho”.

A Prefeitura de Guarujá conta com uma cartilha de boas práticas na coleta seletiva, tabelas de recomendações de descarte de resíduos, mapa das estações de coleta, formulário de cadastramento de condomínios para participar da coleta seletiva e informações sobre a coleta de óleo.

Prédios públicos, condomínios residenciais incluídos em roteiros preestabelecidos e Pontos de Entrega Voluntários (PEVs) instalados nas chamadas “Estações de Sustentabilidade” são atendidos pela coleta seletiva.

A Cooperativa Mundo Novo realiza um conjunto de procedimentos até promover a destinação final ambientalmente adequada dos resíduos coletados. São ações diretas que incluem coleta, transporte, triagem e processamento.

A Cooperativa Mundo Novo realiza um conjunto de procedimentos até promover a destinação final ambientalmente adequada dos resíduos coletados. — Foto: Divulgação/ Hygor Abreu/ Prefeitura de Guarujá

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