Sem luz na sala de aula, estudante com deficiência visual leva abajur à escola em SP: ‘constrangedor’ | Educação

Uma estudante, de 9 anos, com deficiência visual, levou um abajur à sala de aula porque a escola em que estuda, no bairro Casqueiro, em Cubatão (SP), está há mais de 15 dias com as lâmpadas queimadas. Ao g1, a mãe e dona de casa Krislaine Gonçalves de Lima Toledo disse que mandou o equipamento para ajudar a filha, que nasceu com síndrome de Peters.

Krislaine afirma que foi surpreendida pela filha dizendo que a sala de aula estava muito escura e que, por isso, não estava conseguindo enxergar. “Fui na escola perguntar e a professora me levou na sala para mostrar o que estava acontecendo. Nove lâmpadas estavam queimadas”.

“Ela tem deficiência visual, nasceu com a síndrome de Peters. Acabou fazendo transplante de córnea nos dois olhos, tem glaucoma congênito e desenvolveu baixa visão. Resolvi levar um abajur para que pudesse ajudar”, conta a mãe.

A mãe diz que a menina não gostou muito da ideia de levar o abajur para a escola. “No começo ela não quis. Creio que achou constrangedor pela deficiência. Falei que ela não tem que pensar assim, que ela precisa e que isso iria ajudar”.

Ainda segundo a mulher, funcionários da escola municipal Antônio Ortega Domingues disseram que o problema não é apenas na sala da filha dela. Os profissionais explicaram que já fizeram várias solicitações à prefeitura, que diz não ter lâmpada para reposição. “Liguei na ouvidoria e me deram um prazo de 21 dias para que a situação fosse resolvida”.

Tiraram da biblioteca e secretarias

De acordo com Krislaine, a solução encontrada pela escola foi tirar lâmpadas da biblioteca e secretárias para trocar as que estão queimadas na sala de aula. “Um absurdo isso tudo. Vão tirar duas da biblioteca e oito lâmpadas da sala das secretárias para repor na da minha filha”.

Caso ocorreu na escola municipal Antônio Ortega Domingues, no bairro Casqueiro, em Cubatão — Foto: Arquivo Pessoal

Oftalmologista alerta sobre problemas

Ao g1, o oftalmologista Osvaldo Vieira Junior afirma que a luz para os olhos é uma coisa importantíssima. “O olho do ser humano é adaptado à condição de luz, a gente precisa de luz para enxergar bem”.

Segundo o oftalmologista, a baixa iluminação pode prejudicar a visão. “Faz mal. Os olhos ficam mais exigidos, a pupila fica mais dilatada quando você está em um ambiente de baixa iluminação. E, aquelas crianças que estão ali, entre 9 e 10 anos, que tiverem algum vício de refração, miopia, hipermetropia, astigmatismo, todas elas ficarão ainda mais prejudicadas do que as crianças que têm visão normal, ou seja, que não possuem vício de refração”.

De acordo com o médico, a baixa iluminação na sala de aula durante os estudos pode causar sintomas variados nas crianças. “Depende muito do vício de refração. Uma criança, por exemplo, que não tenha vício de refração, ela pode simplesmente perceber que tem menos iluminação, ter alguma dificuldade normal e não ter nenhum sintoma. Já quem tem vício de refração, uma miopia ou astigmatismo, vai ter lacrimejamento, pode ter dor de cabeça, sonolência e até déficit de atenção”.

Em nota, a Prefeitura de Cubatão informa que a iluminação na sala da aluna já foi restabelecida sendo, portanto, o “contratempo pontual” já solucionado. A Secretaria Municipal de Manutenção Urbana e Serviços Públicos (Sesep) afirma que o problema na escola será resolvido nos próximos dias e que as lâmpadas estão sendo adquiridas por meio da ata de materiais elétricos já homologada.

Ainda de acordo com a nota, a UME Ortega é uma das prioridades da Sesep neste trabalho. O Executivo disse também que estão previstas trocas de lâmpadas em outras unidades escolares.

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