Segurança acusado de matar jovem por R$ 15 em balada no litoral de SP sofre ‘morte súbita’ | Santos e Região

Foragido há mais de 3 anos, o chefe de segurança acusado pelo homicídio do estudante espancado em uma balada em Santos, no litoral de São Paulo, morreu na cidade de Itapetininga, no interior do estado. Conforme apurado pelo g1, a certidão de óbito de Anderson Luiz Pereira Brito, de 50 anos, foi juntada ao processo no último dia 29 de outubro.

O homem respondia pelo homicídio de Lucas Martins de Paula, de 21 anos, junto a outros três réus: Vitor Alves Karam, dono do Baccará Backstage, estabelecimento onde o rapaz foi espancado; o principal agressor, Thiago Ozarias; e um outro segurança, Sammy Barreto Callender, todos previamente presos.

O pai do jovem, Isaías de Paula, contou que amigos que estavam com Lucas relataram que o filho foi ao caixa para pagar a conta, quando notou a cobrança de uma bebida a mais, no valor de R$ 15, na comanda, e resolveu reclamar.

Os seguranças foram chamados e a confusão teve início. Os amigos alegaram em depoimento à polícia que também apanharam. O jovem ficou internado, em coma induzido, mas no dia 29 de julho de 2018, após 22 dias de internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), não resistiu ao quadro grave e faleceu. Após as investigações, os quatro foram indiciados pela morte do estudante.

Lucas Martins de Paula, de 21 anos, foi espancado e internado por 22 anos — Foto: Arquivo Pessoal

No processo de Júri Popular, que tramita pelo Fórum de Santos, a defesa de Anderson apresentou a certidão de óbito que confirma a morte dele em 11 de outubro deste ano, às 10h50, na casa onde ele morava, na Estrada Municipal Pescaria, em Itapetininga. O documento foi juntado no último dia 29. O homem era considerado foragido da Justiça desde que o crime ocorreu.

O g1 teve acesso ao documento, que aponta a causa da morte como indeterminada. “Ele teve uma morte súbita”, informou o advogado do homem, Eduardo Dias Durante. O homem estava morando e trabalhando na cidade em que morreu desde o crime. O sepultamento ocorreu no Cemitério São João Batista, na mesma cidade.

Além de comunicar a morte do homem, com a juntada do documento, a defesa pediu para que seja proferida sentença extinguindo a punição de Anderson pela morte de Lucas. “Ele não participou de nenhum ato que causasse a morte do rapaz. Ele sempre teve a sua convincência de que seria feita a justiça e que seria absolvido nesse processo”. afirmou Eduardo.

“Quando esse processo for pautado pelo juiz, nós vamos trabalhar na assistência de acusação e vamos lutar pela condenação dos três que estão presos. Vamos lutar até o fim, junto com o Ministério Público para conseguir a condenação deles com a pena máxima”, afirmou o advogado da família de Lucas, Armando de Mattos.

Anderson Luiz Pereira Brito, chefe dos seguranças da casa noturna, estava foragido desde o crime — Foto: Reprodução

Durante a investigação do caso, a polícia identificou, por meio das imagens das câmeras de monitoramento, três seguranças envolvidos diretamente nas agressões do jovem, além do dono do estabelecimento, Vitor, que observou os crimes. Os quatro foram indiciados pela Polícia Civil.

O principal agressor, Thiago, e um outro segurança, Sammy, foram presos na época do crime. Já Vitor ficou foragido por um ano. A polícia chegou até o empresário após uma denúncia anônima, em julho de 2019. O comerciante estava em um apartamento na Zona Oeste de São Paulo. Depois de capturado, ele foi encaminhado para uma Cadeia Pública.

Conforme consta no processo, o segurança Sammy Barreto Callender, relatou ter presenciado Thiago desferindo joelhadas em Lucas, que se mantinha com a cabeça abaixada. Ele também disse que o colega de trabalho golpeava o jovem com ganchos. Sammy chegou a comparar a cena das agressões por Thiago contra Lucas a um monólogo.

Já Thiago disse no interrogatório que era segurança no Baccará há um mês. Ele relatou ministrar aulas de jiu jitsu e que no dia do crime precisou intervir porque o cliente havia agredido um dos garçons. Disse que Lucas o agrediu e o provocou, momento em que “enfurecido” foi atrás do jovem e lhe deu um soco e uma joelhada. Ele relatou que Lucas partiu para cima de Sammy de “guarda armada” e por isso o colega também agrediu o jovem, dizendo logo após a agressão “É assim que se bate”.

O proprietário, Vitor, teria alegado que mentiu sobre não ter comparecido a área externa no dia das agressões, por orientação de seu advogado, que também o teria aconselhado a fugir após o pedido de prisão. De acordo com ele, foi o padrasto quem ofereceu o imóvel onde estava escondido.

Segundo registrado no documento, ele afirmou que fugiu por temer sua própria integridade física, já que estava sendo ameaçado após o ocorrido. Também relatou que não saía do apartamento em que estava em São Paulo, e que passava o tempo todo jogando videogame ou assistindo televisão.

Vitor ainda alegou que fez o que estava ao seu alcance, ou seja, tocar o braço de Anderson, para que acabasse com as agressões. Ele afirma não se arrepender pois acredita não ter feito nada de errado.

Já Anderson, que segue foragido após o decreto da prisão preventiva, foi ouvido apenas no início das investigações. Na época, conforme registrado na sentença, relatou ser o responsável pelos seguranças e que Sammy apenas reagiu em legítima defesa, quando agrediu Lucas.

Fiscais da prefeitura intimaram os proprietários do bar e casa noturna Baccará a encerrar as atividades, quatro dias depois das agressões. “O estabelecimento teve o alvará de funcionamento negado, em virtude de suas instalações descumprirem a legislação municipal”, informou a municipalidade, em nota.

Porta do Baccará Backstage amanhece pichada após morte de Lucas. — Foto: G1 Santos

VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos


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