Resíduos do Porto de Santos passam a ser utilizados para produzir Ecoálcool | Santos e Região

Uma empresa da área de gestão ambiental encontrou um caminho diferente para reaproveitar os resíduos provenientes de grãos, que oferecem riscos de contaminação no Porto de Santos, no litoral paulista, o maior complexo portuário do Brasil. Rejeitos de açúcar, soja, milho, trigo e arroz, agora, dão origem ao ecoálcool. O produto atende à alta demanda durante a pandemia do coronavírus e, além disso, traz benefícios às empresas nos aspectos ambiental e econômico.

O cais santista é o principal porto brasileiro em valores de cargas movimentadas. Em 2020, foi responsável por operar 146,6 milhões de toneladas de diversos tipos de mercadorias, principalmente grãos e itens a granel. O Porto de Santos é o principal exportador de açúcar, soja e milho do país, e o segundo maior porto importador de trigo no Brasil.

Com tamanha movimentação, toneladas de resíduos caem nos locais de transporte e armazenamento. As sobras dos grãos podem levar sujeira para a área urbana, mau cheiro, e atraem insetos causadores de doenças, entre outros problemas. Por isso, empresas são contratadas pelos terminais para a limpeza destes locais. Os resíduos, geralmente, são destinados a um aterro sanitário.

Embarque de grãos no Porto de Santos, SP — Foto: José Claudio Pimentel/G1

Porém, a Ambipar, que realiza a limpeza e a manutenção de armazéns da Copersucar no Porto de Santos, encontrou uma solução inovadora para esses resíduos. Após um ano de pesquisas, cientistas e técnicos do Departamento de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) desenvolveram o ecoálcool, a partir de rejeitos de açúcar, soja, milho, trigo e arroz.

“Fazemos a varrição desses resíduos com equipamentos de sucção e pessoas. Despejamos em caçambas que, posteriormente, são levadas semanalmente para uma usina no interior de São Paulo, que faz uma fermentação com esses resíduos”, explica Gabriel Estevam Domingos, diretor de PD&I da Ambipar.

Segundo ele, o processo é baseado na degradação de moléculas de açúcar (glicose ou frutose), no interior das células de microrganismos (leveduras ou bactérias), até a formação de etanol, por meio do controle de tempo de fermentação, temperatura, pH, odor, agitação e umidade.

Ecoálcool é produzido com resíduos da indústria e de grãos do Porto de Santos — Foto: Divulgação

Após esse processo, é obtido o álcool 46% ou 70%. Ele é envasado para a comercialização, seguindo diretrizes do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O produto também está sendo apresentado e distribuído para as empresas parceiras utilizarem nos processos de limpeza e higiene. Com cerca de 1 tonelada de varrição, é possível produzir cerca de 300 litros de álcool 46%.

“Ele faz tudo que o álcool convencional faz. Possuímos todos os laudos e licenças que os órgãos de controle e fiscalização exigem. Envasamos com a nossa marca. A embalagem também é ecológica [plástico reciclado]. Nossa produção hoje, com base nessa demanda, é de cerca de 60 mil litros [mensais], que pode ser aumentada”, explica Gabriel Domingos.

Roberto dos Anjos, analista de Gestão e Meio Ambiente da Copersucar, explica que os resíduos de varrição, anteriormente, eram encaminhados para a compostagem. A quantidade varia conforme o volume de perdas no descarregamento do produto dentro do terminal, mas gira em torno 30 toneladas por mês.

Mesmo com o método de descarte correto, a empresa buscou melhorias que agregassem benefícios aos processos, à segurança e ao meio ambiente. “Essa oportunidade de inovação com a Ambipar, além de promover um ganho ambiental maior na destinação dada a esses resíduos, ainda permite transformar o material em novos produtos, e reduzir custos da operação em até um terço”.

Ecoálcool é produzido com resíduos da indústria e de grãos do Porto de Santos — Foto: Divulgação

A princípio, o ecoálcool surgiu para resolver a questão dos resíduos de grãos na região portuária santista, mas o projeto já está se expandindo para as indústrias de alimentos e bebidas.

Hoje, a empresa também trabalha com o processamento de sobras de sucos naturais de uma das maiores indústrias do segmento, e sobras de balas de fábricas de alimentos. O processo é o mesmo: o resíduo rico em açúcar, que não pode ser reprocessado para produção de alimentos, sofre uma fermentação e, assim, se obtém o ecoálcool.

A tecnologia para se obter o produto é considerada simples. Os resíduos que eram descartados, agora, são reintroduzidos no mercado, promovendo a sustentabilidade e fazendo a economia circular, fomentando o desenvolvimento do pequeno e médio produtor rural.

Além disso, o ecoálcool diminui a necessidade de matérias primas virgens, como a cana de açúcar, para a produção do produto por parte da indústria. “O resíduo que antes tinha elevados custos de destinação com transporte e processos de tratamento, agora, pode se transformar em receita, colocando o conceito de economia circular em prática”, diz Gabriel Domingos.

Em tempos de pandemia, em que as pessoas intensificaram a utilização do produto no dia a dia, a demanda é alta. Assim, consumidor, empresário e o meio ambiente agradecem ao novo conceito de se produzir álcool. “O resíduo possui um destino muito mais nobre e inovador”, conclui Domingos.

Gabriel Estevam Domingos, diretor de PD&I da Ambipar — Foto: Divulgação

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