Quem é Gabriela Samadello, procuradora-geral espancada durante expediente em prefeitura | Santos e Região

A procuradora Gabriela Samadello Monteiro de Barros, de 39 anos, foi espancada por um colega durante expediente de trabalho na Prefeitura de Registro, no interior de São Paulo. O g1 conversou com ela e foi buscar informações para entender quem é a servidora agredida.

Gabriela nasceu em Piraju, também no interior paulista. Atualmente, exerce a função de procuradora-geral em Registro. Ela é casada com Fernando Stangarlin Fernandes Ferreira, de 31 anos, que também é procurador no município e não tem filhos. Os pais dela são aposentados.

Ela contou que sempre sonhou em seguir carreira na área. A trajetória começou em 2000, quando ingressou no curso de Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

A advogada também cursou especializações em Direito Público pela Escola Paulista de Direito (EPD); em Direito Penal pela São Francisco e em Direito Civil na parte de Contratos pela Universidade Salesiano (Unisal).

“Me formei em 2005. Depois, fui escrevente do Tribunal de Justiça (TJ-SP) e advogada da Sabesp”, contou. A oportunidade na Prefeitura de Registro chegou em 2011, por meio de um concurso público. “Estou desde 2013 aqui como procuradora, mas me tornei procuradora-geral em dezembro do ano passado”.

Gabriela explica, ainda, que a cada dois anos é promovida a troca no cargo de procurador-geral.

A procuradora-geral contou tratar todos os funcionários com muito carinho e respeito. Diz se dedicar às relações com os demais funcionários.

É uma relação muito amistosa, que transcende a relação aqui, de coleguismo e trabalho. É uma relação de amizade. A gente realmente se gosta

— Gabriela Samadello, procuradora-geral de Registro (SP), sobre o ambiente de trabalho

Segundo ela, atualmente a Procuradoria Geral de Registro (SP) tem sete servidores, três procuradores (já contando o afastamento do agressor) e três estagiários.

Gabriela ressalta que a relação com o também procurador Demétrius Oliveira de Macedo, de 34 anos, que a agrediu na última semana, começou bem, mas se tornou complicada ao longo dos anos. Ambos foram admitidos na prefeitura em 2011.

A vítima conta que tudo mudou em 2019, quando a procuradoria foi criada na administração municipal. “Antes era uma secretaria. Ele mudou [de comportamento] quando a Kátia [colega] foi nomeada procuradora-geral. Foi assim que começou o desgaste”.

A atual procuradora-geral do município alega que nunca passou por situação parecida em sua carreira. Gabriela conta um episódio em que uma munícipe entrou na repartição pública e, alterada, fez uma série de reclamações, mas nada perto do ocorrido com Demétrius (veja o vídeo abaixo).

“Nunca fui desrespeitada dentro da profissão. Uma vez, uma munícipe veio aqui completamente descontrolada. Mas não [passei por isso] com colegas de trabalho. A gente lida aqui com a execução fiscal todo dia, bloqueia bens, penhora ao contribuinte, então alguns ‘vêm fervendo’, chegam bravos”, comenta.

Vídeo flagra procuradora sendo brutalmente agredida em prefeitura em São Paulo

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Polícia prende procurador que agrediu chefe dele em Registro, no Vale do Ribeira

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‘Me sinto mais segura agora’, diz procuradora, após prisão de agressor

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A mulher agredida é Gabriela Samadello Monteiro de Barros, de 39 anos. Ela é procuradora-geral de Registro, no interior de São Paulo, e a procuradora chefe do agressor. Gabriela estava no local de trabalho quando sofreu a agressão.

Demétrius Oliveira Macedo, de 34 anos, também é procurador de Registro. O autor das agressões já havia apresentado comportamento suspeito e sido grosseiro com outra funcionária do setor, conforme relatado por Gabriela à polícia civil.

Quem é Demétrius Macedo, o advogado que espancou procuradora

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3.O que motivou a agressão?

A procuradora havia cobrado providências sobre o episódio de grosseria contra uma funcionária, pois ela estava com medo de trabalhar no mesmo ambiente que Macedo e enviou um memorando à Secretaria Administrativa com uma proposta de procedimento administrativo.

Na segunda-feira (20), foi publicada no Diário Oficial do município a criação de uma comissão para apurar os fatos. Provavelmente, segundo Gabriela, foi isso que desencadeou as agressões.

4.Quais os detalhes da agressão?

O caso aconteceu na tarde de segunda-feira (20), por volta das 16h50, na sala da procuradoria geral do município, dentro da prefeitura. A ação filmada por outra funcionária mostra que Macedo desferiu socos e chutou a colega, que estava trabalhando quando foi surpreendida pelo ataque.

Segundo consta no Boletim de Ocorrência (BO), ele a agrediu primeiro com uma cotovelada na cabeça e continuou com socos no rosto. A procuradora informou ter tentado se defender e, inclusive, recebeu ajuda de uma funcionária, que foi empurrada contra a porta e bateu as costas na maçaneta.

Livre para continuar as agressões, Macedo continuou dando socos e chutes, mesmo com outras duas funcionárias tentando contê-lo. Em determinado momento, Gabriela conseguiu ser retirada da frente do agressor.

Também é possível ouvir no vídeo que ele ofende a procuradora várias vezes. Assim que ouviram os gritos, dois funcionários do setor jurídico foram até o local e conseguiram controlar o procurador.

5.Quais as declarações da vítima?

Gabriela afirmou que temia uma revolta de Macedo contra ela. “Eu tinha medo, sim. Tinha medo de que fosse acontecer isso, mas não imaginava que fosse ser uma violência física, achava que fosse um ‘bate boca’, uma discussão”.

A procuradora também afirmou que se sentiu desrespeitada diante das agressões. “Foi exposta a minha dignidade. Como mulher, fui desrespeitada, assim como servidora pública. Enfim, foi um desrespeito global da minha personalidade como mulher”, desabafou.

Agora, Gabriela quer que Macedo seja processado em decorrência das agressões e ofensas contra ela.

6.O que o agressor disse à polícia?

Demétrius Oliveira Macedo disse à polícia civil que sofria assédio moral no local de trabalho. “Ele admitiu que agrediu a vítima e alegou que assim o fez por sofrer assédio moral”, afirmou Fernando Carvalho Gregório, delegado do 1º Distrito Policial do município, em entrevista à TV Tribuna, afiliada à Rede Globo.

7.O agressor será exonerado?

Como medida imediata para punir a agressão, a prefeitura de Registro publicou no Diário Oficial Nº 1076, a portaria Nº 525/2022, determinando a suspensão preventiva de Macedo.

Conforme descrito nos atos oficiais, o procurador ficará suspenso por 30 dias, sem receber salário, a contar desde o dia 21 de junho, data da agressão.

De acordo com a explicação da prefeitura, essa medida faz parte do processo administrativo que deve cominar na exoneração de Macedo. “É necessário seguir essa etapa e os tramites legais para que a decisão seja tomada de maneira consistente”, esclareceu.

8.O que diz a prefeitura?

A administração municipal, por meio de nota, manifestou “mais absoluto e profundo repúdio aos brutais atos de violência”.

“Reafirmamos nosso compromisso com a prevenção e enfrentamento a todas as formas de violência, principalmente aquelas que vitimizam mulheres. Os servidores da Procuradoria Geral Municipal e da Secretaria de Negócios Jurídicos receberão todo apoio necessário, inclusive acompanhamento psicológico”, escreveu.

A administração municipal disse ainda aos demais servidores: “recebam nosso amparo e saibam que a prática de violência é veementemente repudiada e será severamente punida”.

9.O que diz a Associação Nacional dos Procuradores Municipais?

A Associação Nacional dos Procuradores Municipais (ANPM) afirmou em nota que se solidariza com a Procuradora Municipal e repudia a conduta violenta de Macedo.

“A vítima foi agredida por razões ligadas ao exercício do cargo enquanto o agressor, ao que tudo indica, agiu motivado por um intuito criminoso. A ANPM reafirma seu compromisso de conscientização, prevenção e enfrentamento ao assédio no âmbito da advocacia e a todas as formas de violência praticadas contra a mulher”.

VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos


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