Professor da periferia é escolhido diretor nacional da maior marca de hip hop do mundo | Santos e Região

A história dele poderia ter sido diferente, não fosse a dança de rua. Graças à dedicação a ela, aos 42 anos, o professor Alessandro Cardoso se tornou diretor nacional da maior marca de hip hop do mundo. Morador de São Vicente, no litoral de São Paulo, ele relata que vem de uma zona periférica, e que tem experiência na área desde os anos 1990. O hip hop mudou a vida dele, e permitiu que mudasse a de muitas outras pessoas. Agora, ele realiza um grande sonho.

“Me sinto muito honrado e feliz por ter chegado nesse patamar. Ainda quando menino da periferia de São Vicente, iniciei na dança, aos 12 anos, e passei a transformar vidas. E hoje, alcançar o cargo de diretor da maior marca do mundo é motivo de muito orgulho”, destaca.

Alessandro começou a dançar com 12 anos, e conheceu a dança de rua em 1991, ao ver na TV um grupo de dança de rua de Santos, se apaixonando pelo hip hop. Ele, que nasceu no bairro Quarentenário, relata que, quando pequeno, morava em um barraco, não tinha luz, água e saneamento básico.

Alessandro é diretor nacional no Brasil da Hip Hop International — Foto: Arquivo Pessoal

“Eu era uma criança que passava por vários problemas sociais, familiares, e a dança foi um resgate social na minha vida. Eu já morei na rua, já passei fome, já sofri muito com meu padrasto, que batia na minha mãe. A dança entrou na minha vida e me resgatou, me deu uma força, um rumo, um objetivo e filosofia de vida”, afirma.

Ao ver que a dança transformou sua vida, ele resolveu que queria, também, transformar a vida de outras pessoas. Assim, há 24 anos, Alessandro iniciou um projeto de dança na Área Continental de São Vicente, chamado ‘Grupo Atmosfera’. O objetivo era ensinar a dança, como objeto de inclusão social. Desde então, os alunos do projeto representaram a Baixada Santista em competições nos EUA, México, Argentina, Paraguai e por todo o país.

De acordo com Alessandro, mesmo com as conquistas, o mais importante sempre foi transformar a vida de crianças e jovens por meio da arte, ensinando valores e disciplina, e “vendo essas pessoas conseguindo trilhar um novo caminho”.

Professor de dança já conseguiu transformar a vida de muitos jovens, e se tornou referência no hip hop — Foto: Arquivo Pessoal

Hoje, sua escola se tornou um centro de referência em dança de rua em São Vicente. “Eu resgato muitas pessoas carentes por meio da dança. Muitos deles saíram do crime e são grandes profissionais, e isso me dá uma alegria que dinheiro nenhum paga. O hip hop me mudou, me qualificou e me trouxe oportunidades. Me levou para longe, outros países, e me transformou no homem, cidadão e pai que sou hoje. É meu legado”, conta.

Com o trabalho sendo reconhecido e expandido, recentemente, ele foi nomeado diretor da Hip Hop International Brazil, e agora é o responsável pela seleção brasileira de hip hop, que irá representar o país no campeonato mundial em Phoenix, no Arizona, que acontece nos dias 26 e 27 de março deste ano.

“Isso me deixou muito feliz, é como uma recompensa por todo o meu trabalho. Hoje, quando as pessoas acessam o site da Hip Hop International, que tem todos os seus países e diretores, está lá minha foto e meu nome. Aquele menino que morou na rua, perdeu a visão de um dos olhos, que passou fome, que teve dificuldades e tudo para desistir e seguir o caminho errado, hoje representa a maior marca de hip hop do mundo no Brasil”, destaca.

Conforme o professor explica, é feita uma seleção nacional para escolher quais grupos irão fazer parte da seleção brasileira final. Essa etapa aconteceu em anos anteriores em Porto Alegre, mas agora que se tornou diretor, está trazendo para Santos. “Esse evento trará uma grande visibilidade, pois estamos falando do maior evento de hip hop do mundo inteiro”, explica.

Alessandro destaca a importância da dança como objeto de transformação social dentro das comunidades — Foto: Arquivo Pessoal

Em 2021, a equipe de street dance ‘Strikers Crew’, formada no Estúdio de Dança Alessandro Cardoso – uma das maiores referências em dança de rua de São Vicente -, levou o nome da cidade para fora do país. O trio, que estreou no Campeonato Mundial de Dança de Hip Hop (World Hip Hop Dance Championship), encerrou a participação como o segundo melhor grupo brasileiro na competição.

Apesar da eliminação, a Strikers Crew conquistou a 19ª posição na categoria Mini Crew, que teve participação de 34 equipes do mundo todo.

Imagem mostra Alessandro dançando em 1998 — Foto: Arquivo Pessoal

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