Prefeito que perdeu pai e irmão para a Covid celebra marca de 2 meses sem mortes pela doença em Mongaguá | Santos e Região

A cidade de Mongaguá, no litoral de São Paulo, ultrapassou a marca de dois meses sem mortes por Covid-19. O prefeito do município, Márcio Melo Gomes (Republicanos), que perdeu o pai e o irmão para a doença na mesma semana em março deste ano, relatou a mistura de sentimentos entre o feito da cidade e suas perdas familiares. Em entrevista ao g1, nesta quinta-feira (11), ele lamentou que o imunizante não tenha chegado a tempo de salvar o pai e o irmão.

O pai do prefeito, Givaldo Alves Gomes, de 64 anos, morreu por complicações da doença no dia 22 de março. Givaldo Melo Gomes Junior, de 33 anos e irmão do prefeito, morreu seis dias depois. Os dois ainda não estavam imunizados contra o coronavírus, tendo em vista que o calendário de imunização ainda não tinha chegado na idade dos dois na época.

Dois dias após a morte do irmão, o prefeito se emocionou em uma transmissão ao vivo nas redes sociais ao falar da perda dos familiares na mesma semana. A família atuava na área do comércio no município e Márcio Cabeça, como é conhecido, chegou a dizer que preferia que eles tivessem falido por seguir as medidas de restrições do que perdido a vida para a doença.

Pai e irmão do prefeito Márcio Cabeça, de Mongaguá, SP, faleceram na mesma semana, em março, por complicações da Covid-19. — Foto: Arquivo Pessoal

Nesta quinta-feira, o gestor da cidade de Mongaguá relatou a dificuldade de seguir trabalhando após o ocorrido. Mesmo com o sofrimento, após as perdas, ele seguiu trabalhando a fim de evitar que outras famílias passassem pelo que ele e os familiares passaram.

“É um sentimento total de destruição, todo dia é uma luta. Eu fico feliz com essa marca [2 meses sem mortes por Covid-19] por ver que famílias não passaram pelo o que a minha família passamos. Então, é um sentimento de dever cumprido também”, conta.

O prefeito diz que não conseguiu viver o luto, pelo fato de não parar de trabalhar e por ter que prestar apoio a mãe, que perdeu um filho, as irmãs, sobrinhas e a cunhada. “É uma mistura de sentimentos. Acho que tenho buscado em Deus toda essa força. O luto você tem que viver ele. Eu ainda não tive isso. É dia após dia tentando superar, acho que o tempo só piora”.

Marcio afirmou que sente um pouco de revolta por questões alheias à saúde terem atrasado a chegada vacina aos municípios. O imunizante, segundo ele, talvez pudesse ter evitado a morte de seus familiares. “Faltava um planejamento para que as coisas, talvez, pudessem ser diferentes. Mas a gente tem que continuar defendendo a questão da vacina”, desabafa.

Pai e irmão de prefeito de Mongaguá, SP, morrem em decorrência da Covid-19 com seis dias de diferença — Foto: Reprodução/Facebook

O prefeito celebra o fato da cidade estar há mais de 60 dias sem registrar mortes pela doença, que levou embora duas de suas pessoas mais próximas. “É um sentimento de muita felicidade para a minha administração atingir essa marca”, relata.

Para que essa marca não seja quebrada, ele segue incentivando os moradores a se vacinarem. “Agradeço a equipe de saúde e cada pessoa que fez sua parte. A gente tomou todas as medidas possíveis. [Tomar a vacina] é um respeito ao próximo, amor à família, é conscientização. Precisamos entender que a vacina realmente é o caminho”, conclui.

Mongaguá, SP, chegou a 66 dias sem registrar mortes por Covid-19 — Foto: Divulgação/Prefeitura de Mongaguá

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