Prefeito de Guarujá é afastado do cargo após ser alvo de operação da PF | Santos e Região

O prefeito de Guarujá, no litoral de São Paulo, Válter Suman (PSDB), foi afastado do cargo após ser alvo da 2ª fase da Operação Nácar, realizada pela Polícia Federal, em ação integrada com a Controladoria-Geral da União (CGU) e com o Tribunal de Contas da União (TCU). A informação foi confirmada pelo vereador Raphael Vitiello (PSD), durante sessão realizada na Câmara Municipal nesta terça-feira (29).

A 2ª fase da Operação Nácar tem como objetivo aprofundar as investigações que apuram possíveis fraudes em contratações nas áreas da Saúde e da Educação, realizadas pela Prefeitura de Guarujá. Ao todo, 55 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Suman é um dos alvos da ação.

“O investigado Válter Suman fica suspenso do exercício do cargo de prefeito do município de Guarujá, até ulterior deliberação”, leu o vereador Raphael Vitiello durante a sessão da Câmara realizada na tarde desta terça. De acordo com o político, essa informação foi destacada em um comunicado enviado ao Legislativo pelo desembargador Nino Toldo, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3).

Polícia Federal deflagra segunda etapa da 'Operação Nácar' em Guarujá

Polícia Federal deflagra segunda etapa da ‘Operação Nácar’ em Guarujá

De acordo com o apurado pelo g1, foram alvos da operação endereços residenciais do prefeito, além dos Paços Raphael Vitelo e Moacir Santos Filho e da Câmara Municipal de Guarujá. Segundo a Polícia Federal, a investigação tem como objetivo o combate a possíveis crimes de corrupção, desvios de recursos públicos e outros crimes correlatos envolvendo verbas federais.

Um dos endereços do prefeito Válter Suman fica em um condomínio localizado na Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, próximo à Praia de Pitangueiras, em Guarujá.

Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do prefeito de Guarujá, Válter Suman — Foto: Nina Barbosa/g1

Os 55 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Guarujá, Santos, São Vicente, São Bernardo do Campo (SP), Carapicuíba (SP), São Paulo (SP), Campos do Jordão (SP) e Brazópolis (MG), com a participação de 225 policiais federais e três auditores da CGU. Do total de mandados, 33 foram cumpridos em Guarujá.

Ainda de acordo com a PF, dentre as medidas determinadas pela Justiça Federal, estão o bloqueio de mais de R$ 110 milhões de bens e valores de envolvidos, além do afastamento de ocupantes de cargos comissionados e eletivos de suas funções, sendo que os mesmos podem responder pelos crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, fraude em licitação, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As penas, se somadas, podem variar de 12 a 46 anos de prisão.

Em entrevista coletiva, os delegados da Polícia Federal à frente da ação não divulgaram os nomes dos alvos da operação. Foram feitos, pelo menos, seis pedidos de afastamento. “Foram apreendidos dinheiro em espécie, veículos de luxo e documentação que será analisada no proceder da investigação”, disse o delegado da PF Rafael Astini.

Segundo Marcio Xavier, delegado da Polícia Federal da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, a primeira fase da operação resultou na apreensão de cerca de R$ 2 milhões, e o valor desta segunda fase ainda está sendo contabilizado. Ainda de acordo com o delegado, prisões e novas buscas são descartadas nas próximas semanas.

A Prefeitura de Guarujá não se pronunciou sobre o afastamento do prefeito até a última atualização desta reportagem.

Polícia Federal cumpriu mandado na Câmara Municipal de Guarujá na manhã desta terça-feira (29) — Foto: g1 Santos

O prefeito de Guarujá, Válter Suman, e o secretário de Educação, Marcelo Nicolau, foram presos pela Polícia Federal em 15 de setembro de 2021. A residência de Suman foi alvo de um dos mandados de busca e apreensão da ‘Operação Nácar’, que apura um esquema de desvio de dinheiro na rede pública de Saúde. Após depoimento na Delegacia da Polícia Federal em Santos, ambos foram levados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Vicente.

Em 16 de setembro, os políticos passaram por audiência de custódia e permaneceram presos. No dia seguinte à prisão, a vice-prefeita da cidade, Adriana Machado (PSD), assumiu o cargo à frente da administração municipal.

Na noite de 17 de setembro, a Justiça Federal concedeu a liberdade provisória a Válter Suman e Marcelo Nicolau. A decisão afirmou que a privação de liberdade é excessiva, e que ambos foram soltos por não apresentarem risco de fuga. No dia seguinte, eles saíram do presídio.

Prefeito de Guarujá, Válter Suman, foi solto após a Justiça Federal conceder liberdade provisória — Foto: Alexsander Ferraz/Jornal A Tribuna

Uma Comissão Processante foi criada para analisar o processo de impeachment do prefeito Válter Suman. Em 3 de dezembro, Suman protocolou sua defesa na Câmara Municipal. Ele foi apontado como suposto líder de uma organização criminosa que desviou verba pública da Saúde, segundo investigação da Polícia Federal.

A Comissão Processante foi instaurada após uma denúncia formulada pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), por intermédio do presidente, José Manoel Ferreira Gonçalves, que pedia pela apuração de eventuais irregularidades relacionadas a contratos firmados entre empresas privadas e a prefeitura na área da Saúde.

A comissão foi formada pelos vereadores Fernando Martins dos Santos (MDB), Juninho Eroso (PP) e Sirana Bosonkian (PTB).

Câmara de Guarujá durante sessão de julgamento do pedido de impeachment do prefeito Válter Suman — Foto: Luciana Moledas/g1

Em 11 de novembro, Suman explicou a origem de bens e dinheiro em depoimento à Comissão Processante. O prefeito respondeu a questões elaboradas pelos vereadores, e o depoimento dele durou cerca de uma hora.

Antes disso, foram ouvidos três depoentes. José Manoel Ferreira Gonçalves, presidente do diretório municipal do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e autor da denúncia, compareceu à comissão no dia 3 de novembro.

Em 8 de novembro, dois ex-secretários prestaram esclarecimentos aos vereadores. Marcelo Feliciano Nicolau, ex-secretário de Educação, foi apontado como beneficiário de vantagens indevidas e chegou a ser preso pela PF junto com o prefeito.

Em seguida, Rogério Rudge depôs. Ele é ex-secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Portuário e foi apontado como operador financeiro do prefeito Válter Suman. Ele teria ajudado o prefeito a ocultar o patrimônio ilícito.

Em 16 de dezembro, o prefeito Válter Suman foi absolvido no processo de impeachment que enfrentava. A sessão de julgamento durou cerca de 20 horas no Plenário da Câmara Municipal de Guarujá. Ao todo, 11 vereadores votaram contra e cinco a favor do afastamento.

Em nota, Suman agradeceu aos advogados e enfatizou que não tem nenhuma condenação por ato ilícito que justifique seu afastamento da vida pública. Ainda de acordo com o prefeito, ele agiu com transparência ao fazer a intervenção no contrato da Organização Social Pró Vida, que hoje é objeto de ação civil pública ajuizada pelo município, que pede, entre outras coisas, o ressarcimento de valores aos cofres públicos municipais.

Válter Suman (PSDB) chegando para depor à Comissão Processante — Foto: Nina Barbosa/g1

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