Pandemia obriga casal de motoristas de transporte escolar a buscar novos meios de renda no litoral de SP | Santos e Região

Com a pandemia, diversos setores da sociedade foram afetados e paralisaram suas funções. As escolas ficaram entre as primeiras a suspenderem as atividades, atingindo em cheio os motoristas de transporte escolar. Anselmo Morelli, de 60 anos, e Georgia Machado Morelli, de 49, de Santos, no litoral paulista, viram de uma hora para outra sua renda diminuir, e decidiram fazer tortas doces e salgadas, além de outros trabalhos alternativos, para conseguir sobreviver.

Anselmo conta que ele e a esposa trabalham há 28 anos com transporte escolar, e nunca ficaram tanto tempo sem poder exercer a atividade. “Nós nunca paramos a nossa atividade desde quando iniciamos a carreira, em 1993. Sabíamos que a pandemia iria afetar nosso trabalho, ficamos muito preocupados”, disse, em entrevista ao g1.

Com a esperança de que a pandemia seria controlada logo, e que a vida voltaria ao normal, o casal decidiu oferecer descontos aos clientes, achando que as aulas voltariam ainda em 2020. “Nós decidimos dar desconto de 30% até julho, pois achávamos que as aulas voltariam depois das férias. Mas, em agosto, os cancelamentos começaram de forma crescente. Só os clientes que não tiveram a renda afetada continuaram nos pagando, mas demos um desconto de 70%”, afirma.

Sem poder trabalhar e sem dinheiro em caixa para emergências, o casal viu as dívidas crescerem, como o financiamento da van escolar e as contas básicas, e decidiu que não dava para ficar de braços cruzados. “Muitos amigos e familiares nos ajudaram durante esse período, mas a ficha caiu quando anunciaram que as aulas não voltariam mais. Partimos para o ‘plano B’, a Georgia começou a fazer tortas salgadas e doces, bolos para vender, e eu comecei a exercer atividades de ajudante de marceneiro, pintura e manutenção em geral”, conta.

Produzir tortas caseiras foi uma forma que o casal encontrou para ter renda durante a pandemia — Foto: Divulgação/Sweet By Georgia

No entanto, mesmo com as novas fontes de renda, os hábitos do casal tiveram que mudar. Gastos que antes eram considerados essenciais, como plano de saúde, tiveram que ser revistos.

O casal criou uma página nas redes sociais para divulgar a produção das tortas, bolos e doces. “Assim que começamos a divulgar, familiares, amigos e clientes começaram a comprar, com o intuito de nos ajudar. Vendemos tortas de frango, palmito, tortas doces e bolos, tudo feito de forma caseira. Os preços variam de acordo com o tamanho desejado”, explica.

Os trabalhadores de transporte escolar não receberam o auxílio emergencial ofertado pelo Governo Federal à população que teve a renda prejudicada em razão da Covid-19, pois não declararam Imposto de Renda abaixo do estipulado pelo governo.

“Nós montamos uma comissão com todas as pessoas que exercem a profissão na cidade, para pedir ajuda aos governantes. Tanto a Prefeitura de Santos como a Câmara nos receberam e ouviram nossa demanda, e nos concederam um auxílio emergencial por dois meses, além de três meses de cestas básicas”, conta.

Com o retorno parcial das aulas presenciais, no início de 2021, Morelli voltou a trabalhar, respeitando os protocolos sanitários. Mesmo assim, está longe de ele ter o número de clientes de antes da pandemia, e o casal mantém a produção dos alimentos em paralelo.

“Tínhamos, em média, 30 alunos que faziam o transporte escolar conosco, de manhã e à tarde. Com a volta às aulas, por enquanto, o número é menor. Mas, tenho fé de que as coisas vão voltar ao normal, com a prevenção e a vacina”, afirma.

Além de tortas salgadas e doces, casal também faz bolos — Foto: Divulgação/Sweet By Geórgia

VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos


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