Pai implora por vaga em UTI para bebê e, mesmo com aval da Saúde, leito é negado em hospital no litoral de SP; vídeo | Mais Saúde

Um pai tenta desesperadamente uma vaga em uma UTI neonatal para seu filho recém-nascido. Na última quarta-feira (6), a Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (CROSS) liberou uma vaga no Hospital Santo Amaro (HSA), em Guarujá, no litoral de São Paulo, porém o atendimento à criança foi negado pela administração do local.

Um vídeo registrou a confusão que ocorreu na porta do hospital de Guarujá no momento em que pai e filho chegam de ambulância ao HSA e tem a entrada negada. Ao g1, o pai do bebê, Diego Henrique Ishi Moni, de 38 anos, contou que seu filho Lorenzo nasceu nesta segunda-feira (6) no Hospital de Bertioga, no litoral de São Paulo, com 28 semanas e 1,98 kg. O parto prematuro ocorreu devido ao descolamento da placenta da mãe da criança e sangramentos.

Pai tenta vaga em UTI para filho recém-nascido e mesmo com determinação da Saúde, leito é negado em hospital de Guarujá — Foto: Arquivo Pessoal

Segundo o pai, a criança precisa ser transferida para uma UTI Neonatal, então a equipe do Hospital de Bertioga, que não possui estas instalações específicas, solicitou ao CROSS uma vaga para o bebê. “Meu filho nasceu prematuro, respirando e chorando. Ele foi incubado e passou a respirar por uma bombinha, mas ele precisa de uma UTI neonatal”.

“Nos informaram que foi liberado um leito no hospital Santo Amaro por meio da vaga zero, tenho até o nome do médico responsável pela liberação”, afirma Moni. Segundo o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP), a Vaga Zero, introduzido pela Portaria 2.048, institui que os serviços têm de receber pacientes, mesmo sem condições para tal, porque não há outra porta disponível para o encaminhamento.

Então Diego, o bebê e uma equipe médica seguiram até o hospital de Guarujá de ambulância. A criança utilizava a incubadora e o aparelho respiratório do serviço móvel. Ao chegarem no HSA, o grupo foi informado de que não poderiam entrar já que a UTI Neonatal do hospital se encontrava cheia e que deveriam retornar ao hospital de origem. “A médica se negou a receber o meu bebê mesmo com a lei da vaga zero. Foi humilhante e desumano, eu não sei como uma médica tem a capacidade de ver isso e não fazer nada”.

A Polícia Militar foi acionada e tentaram conversar com a equipe do Hospital, assim como a Secretaria de Saúde de Guarujá, porém sem sucesso. Conforme conta Diego, eles deram assistência à família e um Boletim de Ocorrência foi registrado na Delegacia da cidade.

Pai tenta vaga em UTI para filho recém-nascido e mesmo com determinação da Saúde, leito é negado em hospital de Guarujá — Foto: Reprodução

Durante a discussão, um vídeo foi gravado por Diego, onde ele relata a “omissão de socorro” que ocorreu. Conforme o boletim policial, as médicas reguladoras do município alegaram que faltava respirador e berço aquecido para a criança, além do leito.

Eram quase 0h e ainda continuavam negando o atendimento. “A equipe da ambulância do hospital de Bertioga chegou a falar que cederiam os aparelhos que estavam na ambulância e, mesmo assim, o hospital não deixou”.

Por volta de 1h, o bebê começou a soltar uma secreção pela boca e a respirar com maior dificuldade. “O médico da ambulância ficou desesperado também, então decidimos que era melhor levar o meu filho novamente ao hospital de Bertioga. Quando chegamos lá conseguiram aspirar a secreção da boca do dele”, conta.

Diego afirma que após a retirada da secreção, seu filho se encontra estável, porém ainda no aguardo de uma vaga em UTI Neonatal, mesmo com a liberação do CROSS. Conforme os documentos da liberação da regulação, a vaga foi liberada na data de quarta-feira (6), às 18h36.

“Meu filho pode morrer a qualquer hora no hospital sem o atendimento de uma UTI. Em nenhum momento nos ajudaram, enquanto isso o meu filho está lutando pra sobreviver”, conta Diego.

O HSA informou que não houve omissão de socorro ao recém nascido em questão. Ele conta que imediatamente após a unidade hospitalar tomar conhecimento da transferência do paciente, acionou a regulação municipal , bem como notificou a unidade hospitalar de origem do paciente, em Bertioga, informando da incapacidade tecnológica e da falta de estrutura física, naquele momento, para acolher o paciente.

O HSA informou que possui seis leitos de UTI Neonatal e que estão ocupados, bem como uma unidade de cuidados intermediários (UCI) totalmente ocupada, sem condições de admitir qualquer outro paciente neonatal no momento em que ocorreu o caso. Segundo os profissionais presentes ao plantão a transferência foi efetuada sem observância e que naquele momento não tinha a mínima condição de receber qualquer paciente neonatal.

O HSA salientou que a regulação de vagas é atribuição do município e que apesar da vaga ter sido liberada via sistema, o CROSS deveria ter comunicado o regulador médico do Guarujá.

A Central de Regulação e Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) informou que o paciente foi encaminhado como “vaga zero” ao Hospital Santo Amaro, referência no atendimento de UTI neonatal da região. Justamente por isso, casos com estes perfis podem ser regulados para esta unidade, com o apoio da Cross, para que o paciente receba assistência compatível com sua necessidade e quadro clínico. Segundo a Secretaria de Saúde, a “vaga zero” é prevista em resolução do Conselho Federal de Medicina como uma medida para agilizar o atendimento de urgência e emergência.

A Cross possui um sistema online que funciona 24 horas por dia e busca vaga disponível em serviços do SUS na região de origem do paciente com disponibilidade e capacidade para atender cada caso, priorizando os mais graves e urgentes.

O pedido da vaga foi encerrado, mas, na madrugada desta quinta-feira (7), a ficha foi reaberta e a Cross segue buscando auxiliar no caso nas referências da região.

Em nota, a Prefeitura de Guarujá informa que a Regulação Municipal de leitos hospitalares que atua junto ao Hospital Santo Amaro foi acionada pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), do Governo Estadual, que tem a atribuição de fazer a regulação de vagas de leitos regionais na Baixada Santista.

Entretanto, conforme informado pelo Hospital Santo Amaro, que presta atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na assistência hospitalar para o município de Guarujá, mas que possui gestão independente do poder público e é administrado pela Sociedade Santamarense de Beneficência de Guarujá, há incapacidade tecnológica da unidade hospitalar de atender o caso, por superlotação.

O município afirma que contra notificou a Divisão Regional de Saúde (DRS) do Estado esclarecendo que o Hospital Santo Amaro estava em superlotação, com incapacidade tecnológica, sem estrutura física.

E, além da superlotação em que se encontrava o Hospital Santo Amaro quanto à retaguarda materno-infantil, foi reiterado que a referência regional para o atendimento na Rede Cegonha de assistência as pacientes gestantes, puérperas e recém-nascidos, para o município de Bertioga é o Hospital Estadual Guilherme Álvaro. O equipamento é responsável pela retaguarda aos casos graves de Bertioga no tocante ao binômio mãe/bebe.

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