Padeiro perde olho após acidente com gás de cozinha e amigos se mobilizam para ajudá-lo no litoral de SP | Santos e Região

O padeiro Laércio Odair dos Santos Ferreira, de 44 anos, perdeu o globo ocular direito após sofrer um acidente enquanto trocava o gás de um dos fornos que utiliza para trabalhar, em Mongaguá, no litoral de São Paulo. Desde então, ele luta para se recuperar e se manter financeiramente. Amigos se mobilizaram para ajudá-lo em campanhas nas redes sociais.

A esposa do padeiro, a autônoma Marta Sabino da Silva Santos, de 37 anos, relata que vivenciou momentos de desespero no dia do acidente. Em entrevista ao g1, ela contou que o caso ocorreu no fim de agosto, pela manhã. Os dois trabalham juntos, produzindo e vendendo pães. Na data, por volta das 7h, ele foi trocar o gás de um dos fornos, e a mangueira escapou.

“Nessa troca de gás, a mangueira soltou do registro, acertou o rosto dele, acabou cortando a parte de baixo do olho, e o gás acabou entrando”, descreve Marta. Ela conta que, por ser muito cedo, havia poucas pessoas na rua, mas ela saiu correndo em busca de ajuda, e conseguiu que vizinhos a auxiliassem.

“Na hora que aconteceu, ouvi um barulhão do gás, ele já gritou, e quando olhei para trás, já tinha muito sangue, uma cena desesperadora”, relembra a esposa.

Marta conta que os dois foram para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade, onde Laércio foi incluído na Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) para uma vaga de urgência. A transferência foi realizada para o Hospital São Paulo, na Capital. Entretanto, em Mongaguá, os médicos já sabiam que a situação era grave.

Padeiro é conhecido na cidade também por atuar como professor de artes marciais — Foto: Arquivo Pessoal

Marta lembra que a equipe médica informou que tentaria uma reconstrução do globo ocular, para tentar salvar o órgão. Entretanto, Laércio já havia perdido a visão. “Foi muito desesperador ficar em um lugar que não conhece, esperando uma notícia que nunca vem. Ainda temos quatro filhos, foi muito difícil”. Ela reitera que a ajuda da família e de amigos foi essencial nesse período.

“Ficamos lá de quinta até sábado, o dia em que ele operou. Foi bem sofrido. A vista ele já tinha perdido, não tinha mais o que ser feito, mas no sábado foi quando o médico falou que faria uma enucleação [retirada do órgão]”, conta. A cirurgia foi feita no fim de agosto, entretanto, ele ainda lida com algumas complicações. Isso porque a recuperação é demorada.

Para Laércio poder utilizar uma prótese de vidro, é necessário esperar seis meses. “A recuperação a gente achou que seria mais rápida, mas, infelizmente, não é. Acabou infeccionando, tem que fazer repouso, e caso não melhore, tem que voltar ao hospital para avaliarem o que vai ser feito”, explica Marta.

A autônoma diz que, devido a essa situação, eles ficaram um tempo sem conseguir fabricar os pães e sair nas ruas para vender, o que faziam antes do acidente. Com a dificuldade, amigos decidiram ajudá-los. Como o padeiro é conhecido na cidade também por atuar como professor de artes marciais, um grupo decidiu rifar um quimono. Eles conseguiram mais de 300 apoiadores, e a vencedora devolveu a peça para que eles pudessem fazer uma nova rifa e conseguir ainda mais apoio financeiro para o momento.

“De repente, veio essa tempestade enorme. Amigos fizeram a rifa, e nos sentimos muito acolhidos. É muito difícil tudo isso, agora, é um dia de cada vez”, descreve Marta. A campanha ‘Sensei Laercio – Força Guerreiro’ acontece em um site que faz rifas, e as contribuições financeiras são repassadas à família.

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