No Dia do Empreendedorismo Feminino, mulheres falam sobre os sonhos e dificuldades da independência profissional | Santos e Região

Nesta sexta-feira (19), é comemorado o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino. A data foi lançada em 2014 pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de aumentar a visibilidade das mulheres no cenário empreendedor. O g1 conversou com empreendedoras e microempreendedoras (MEIs) da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, sobre os desafios, dificuldades, sonhos e impactos causados pela pandemia na vida delas.

Com o objetivo de conquistar a independência profissional, a assessora de eventos Nina Patrone, de 30 anos, juntou o amor pelo mundo dos casamentos e criou a própria empresa, junto com a amiga de infância Carol Santos, de 31. “Estudamos muito, sonhamos juntas, e fizemos nascer a empresa”.

Nina explica que, no início, elas sentiram muita dificuldade para colocar o nome da empresa e mantê-lo estável diante das condições da pandemia. “Você precisa estar disposta a abrir mão de muita coisa da sua vida pessoal para investir na profissional, isso, sem dúvida, é um grande desafio”.

Para ela, a pandemia mudou a vida de muitas pessoas no setor em que elas empreendem, uma vez que o ramo de eventos foi diretamente atingido. “Como nós abrimos a empresa no meio da pandemia, não sofremos com as remarcações de eventos, mas acompanhamos de perto o seguimento se reinventando para recuperar o prejuízo”.

Segundo Nina, desde o início, as metas dela e da sócia estão sendo superadas, e as coisas estão fluindo melhor que as expectativas. “Sem dúvida, nosso sonho é consolidar a empresa no mercado. Sabemos que empreender é buscar sempre inovações e excelência dentro do seu segmento. E nossa meta é continuar crescendo pessoalmente e profissionalmente”.

Sócias Carol e Nina sonham em consolidar a empresa no mercado de eventos — Foto: Arquivo Pessoal

A esteticista Kátia Regina Silva, de 53 anos, relatou ao g1 que a motivação para empreender foi gostar muito do que faz, e querer evoluir na profissão. “Iniciei na área da beleza fazendo depilação, e em poucos anos surgiu a necessidade de ter outros colaboradores. Com a chegada deles, pude me dedicar à profissão de esteticista, e anos depois, pude me dedicar à abertura da clínica, um espaço próprio, onde comecei a exercer a função de gestora e vivo os maiores desafios”.

De acordo com Kátia, o primeiro desafio que ela enfrentou foi a falta de capacitação em gestão, área em que ela tem procurado se aperfeiçoar. “Outra dificuldade é que é um setor que sempre trabalhou de forma independente, sem respaldo oficial na parte trabalhista, e nos últimos anos, com a legalização da lei do salão-parceiro, estamos vivendo uma transição que traz mais segurança para o empreendedor”.

Trabalhando na área há 24 anos, Kátia montou o próprio estabelecimento há 16. “Algumas vezes, [pensei em desistir]. Houve momentos de crise, mas sempre me apoiei no fato de ter muitos colaboradores comigo. Por enquanto, não pretendo parar, vou continuar me aprimorando na área de gestão, onde tenho muito a aprender, é um campo experimental muito rico”.

Kátia acredita que a pandemia afetou a todos, mas que também foi uma forma de adaptação, e ver outros caminhos que, até então, estavam encobertos. “Ainda vivemos o impacto de muitas pessoas terem perdido seus empregos, mas principalmente do aumento de preços, que está galopante. Aparece aí uma incompatibilidade. De um lado, os insumos sobem, por outro, não é possível repassar. Para driblar isso, o jeito é procurar diminuir custos e fazer boas compras”.

Gisele deixou a carreira de farmacêutica para viver do empreendedorismo — Foto: Arquivo Pessoal

A farmacêutica Gisele Sanches, de 32 anos, conta que sempre teve vontade de ser empreendedora. “Minha primeira lembrança nesse meio foi vendendo acessórios feitos com miçanga para os colegas de classe, mas sempre vi mais como hobby do que algo que seguiria para a vida. Em 2018, eu fazia uma pós-graduação e precisava de uma renda extra, então, surgiu a ideia de oferecer pães de mel que minha mãe fazia para os amigos e colegas próximos. Desde então, eu tento conciliar as duas coisas: a Gisele farmacêutica e a Gisele doceira”.

Segundo ela, o emprego como farmacêutica não estava mais agradando. “A remuneração era boa, mas eu achava que o estresse e a vida perdida não estavam valendo a pena. Durante o último ano, pensei demais em como seria se eu conseguisse tocar a empresa de doces com o cuidado e atenção que ela merecia. Surgiu uma oportunidade de demissão, e eu encarei como o universo me empurrado para os meus doces”, lembra.

A maior dificuldade em relação ao empreendedorismo é a organização do tempo. Gisele explica que precisa se dividir em três: produção, venda e administrativo. “Mas, além dessas três funções, eu também divulgo, lido com o pós-venda, penso no que vou postar e apareço nas redes sociais, faço compra e até algumas entregas”.

Gisele afirma que a área da doceria é feminina, então, diretamente não enfrentou preconceito, mas indiretamente sim, pois algumas pessoas não levam o empreendedorismo a sério. “Às vezes, sinto que alguns parentes e amigos veem como um passatempo, enquanto eu vejo e trato como algo que quero para a vida. No geral, os homens são mais respeitados”.

Empreendedora explica que negócio nasceu praticamente na pandemia — Foto: Arquivo Pessoal

O negócio de Aline Pereira Inácio dos Santos, de 25 anos, nasceu praticamente com a pandemia. “Acredito que essa situação que estamos passando abriu portas para muitas pessoas, inclusive para quem buscou alternativas após perder emprego. Porém, a instabilidade econômica atual pode ser um verdadeiro desafio, é preciso inovar sempre e perseverar”.

Trabalhando desde 2019 com encomendas e vendendo poucas quantidades, Aline resolveu, em 2020, abrir o delivery. “A princípio, a maior motivação foi a falta de oportunidades de trabalho dentro da minha área de formação [Direito]. Estava desempregada e precisando criar uma fonte de renda, então, surgiu a ideia de vender cookies”.

Segundo ela, a maior dificuldade do empreendedorismo é a falta de previsibilidade do retorno financeiro. “Cada mês é um mês, e sempre atrair clientes novos, para que as vendas não caiam, é um verdadeiro desafio. Os insumos para a produção de cookies têm sofrido aumentos recorrentes, e se repassarmos para os clientes, perdemos vendas”.

Para Aline, a maior dificuldade é a falta de previsibilidade do retorno financeiro — Foto: Arquivo Pessoal

Das nove cidades da Baixada Santista, Cubatão, Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente possuem mais MEIs mulheres do que homens, segundo o Portal do Empreendedor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Por sua vez, Bertioga, Itanhaém, Mongaguá e Peruíbe possuem mais registros de homens.

Ao todo, a região soma 142.502 microempreendedores. Destes, 71.364 são mulheres e 71.138 são homens. Veja os dados por município abaixo.

Quantidade de MEIs na região

Cidades Homens Mulheres Total
Bertioga 2947 2344 5291
Cubatão 2871 3353 6224
Guarujá 13126 13253 26379
Itanhaém 4400 3964 8364
Mongaguá 2217 2152 4369
Peruíbe 3387 2913 6300
Praia Grande 14474 14528 29002
Santos 15834 16945 32779
São Vicente 11882 11912 23794

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