Mulher que morreu esmagada por micro-ônibus em rodovia de SP conseguiu salvar filho de 2 anos | Santos e Região

A mulher de 36 anos que morreu no acidente envolvendo um micro-ônibus que atuava de maneira irregular na Rodovia Mogi-Bertioga, no litoral de São Paulo, conseguiu salvar o filho de 2 anos de ser esmagado pelo veículo, segundos antes de ser atingida, neste domingo (7). No total, 34 pessoas ficaram feridas e três pessoas permanecem internadas, incluindo o bebê.

Ao g1, o estudante Evandro Mesquita, de 22 anos, disse que a irmã, Angélica Mesquita de Freitas, estava viajando com a mãe e os seis filhos, para passar o dia em uma praia de Bertioga. A família mora em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Evandro não estava no ônibus, mas conta que conversou com os familiares e outros passageiros após o acidente, para descobrir o que tinha acontecido. Segundo os relatos, Angélica estava sentada com seu filho pequeno em um dos últimos bancos, na traseira do veículo, ao lado de uma janela que já apresentava uma pequena rachadura.

Acidente aconteceu na Mogi-Bertioga na manhã deste domingo (7) — Foto: Divulgação/Polícia Militar Rodoviária

O acidente ocorreu por volta das 5h15, na altura do Km 86. Os passageiros relatam que, minutos antes, perceberam o perigo das curvas da rodovia. “Minha irmã mandou todo mundo jogar as crianças no chão e colocar o corpo em cima”, conta Evandro.

Mesmo assim, quando o freio do micro-ônibus falhou e o veículo capotou, Angélica e o pequeno Nycollas, de 2 anos, foram arremessados pela janela, que teve o vidro destruído com o impacto. “Eles atravessaram o ônibus pela janela e caíram no asfalto”, disse Evandro.

Ao serem arremessados durante o capotamento, mãe e filho caíram onde, nos instantes seguintes, o micro-ônibus tombaria pela última vez. Os passageiros relatam que Angélica jogou o filho para longe, salvando-o de ser esmagado pelo veículo, mas não teve tempo de sair do local.

“Ela jogou o filho dela para o lado, e o ônibus caiu em cima dela. Não consigo sentir o luto neste momento, só bate o sentimento de agradecimento por ela ter salvado meu sobrinho”, diz o irmão, emocionado.

Angélica Mesquita, de 36 anos, morreu esmagada por micro-ônibus que capotou em rodovia de SP — Foto: Reprodução/Facebook

Apesar de ter sido salvo do maior impacto, o pequeno sofreu ferimentos graves, como fratura nos pés e escalpelamento em parte da cabeça. Ele foi levado ao Hospital de Bertioga com outras 33 vítimas, mas precisou ser transferido para o Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, onde permanece internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“As crianças saíram no ônibus e deram de cara com o corpo dela”, conta Evandro. Os outros cinco filhos dela já receberam alta do hospital, assim como a avó deles. “Os danos psicológicos são grandes. Agora, só peço orações pelo meu sobrinho”.

Os familiares de Angélica estão realizando, também, uma campanha de arrecadação para custear o translado do corpo dela para Guarulhos, onde a família reside, para que seja velado e sepultado. Além disso, a quantia arrecadada ajudará no tratamento do menino que está internado.

O irmão também publicou um relato em homenagem a ela em sua rede social. No texto, ele conta que Angélica sempre disse que “entraria na frente de uma bala pelos seus filhos, irmãos e pais”. Ele também pede para que as pessoas amem e demonstrem carinho por outras diariamente.

“Parem com esse papo de que a vida é um sopro, tá errado, a morte é um sopro, vem rápido e sem avisar, agora a vida é todo dia, todo dia é dia de viver e demonstrar”, finaliza na publicação.

Irmão fez desabafo nas redes sociais após morte de mulher em acidente na Rodovia Mogi-Bertioga — Foto: Reprodução/Facebook

O acidente aconteceu no domingo, por volta das 5h16, na altura do Km 86, na pista sentido Bertioga da Rodovia Mogi-Bertioga. O motorista disse aos policiais rodoviários que tentou reduzir as marchas durante as curvas, porém, não conseguiu, e o veículo bateu contra a guia, invadindo a pista sentido Mogi das Cruzes. Em seguida, o micro-ônibus tombou na faixa da direita da rodovia.

Angélica Mesquita morreu no local. Os demais passageiros foram levados para unidades de saúde da região. Segundo a Prefeitura de Bertioga, 34 pessoas deram entrada no Hospital Municipal. A Diretoria de Saúde do Hospital de Bertioga informou que duas vítimas ainda passam por atendimento, todas estáveis. Um caso mais grave, o filho de Angélica, de 2 anos, foi transferido para o Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande.

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Em nota, a Polícia Civil informou que foi solicitada perícia para o local, e que o caso foi registrado como homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor pela Delegacia Sede de Bertioga, que apura os fatos.

Segundo informado pela Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), o veículo da empresa Juli Wil Locadora Transporte e Turismo Ltda não possui registro junto à agência e estaria, portanto, operando de forma clandestina.

Além disso, a Secretaria de Turismo de Bertioga informou que, em consulta aos pedidos de autorização de entrada de veículos de turismo na cidade, a placa do automóvel não consta na relação emitida até 5 de novembro. Portanto, o veículo não tinha autorização para prestar serviços de turismo no município.

Acidente aconteceu na Mogi-Bertioga, na manhã deste domingo (7) — Foto: Luciana Moledas/g1

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