Mulher leva produto de ‘mesa da honestidade’ para alimentar a família, deixa contato e promete pagar: ‘Não sou ladra’ | Santos e Região

“Não sou ladra, peguei o laço para vender na vizinha e poder comprar comida [para] a minha família. Vou te pagar”, diz o bilhete deixado na mesa.

Aline Ketline Mendes, em entrevista ao g1, disse que o caso ocorreu nesta semana, na mesa localizada no bairro Boqueirão. Ela conta que, sempre no fim da tarde, por volta das 18h, recolhe a mesa e leva tudo para casa, onde faz a contabilidade do que vendeu e quanto lucrou. Quando chegou e viu a carta, achou que era de alguém elogiando a iniciativa, algo comum, entretanto, encontrou o relato da mulher.

‘Mesa da honestidade’ montada por artesã confia no cliente para fazer compra sozinho em bairros de Santos, SP — Foto: Arquivo Pessoal

“Quando li a carta, foi uma mistura de tristeza muito grande, de ver de perto que a situação das pessoas está difícil, e ao mesmo tempo uma esperança, pois a pessoa poderia levar os laços embora e não se identificar”, comenta Aline. Ela explica que se sensibilizou com o caso, e acredita que a moradora entrará em contato com ela quando tiver condições de pagar.

Por enquanto, ela vai aguardar o retorno da mulher. Caso a moradora entre em contato, Aline pensa em formas de dar oportunidades, porque sente que é importante dar chance a pessoas que estão em situação de dificuldade financeira.

“Tenho certeza que ela vai entrar em contato comigo, e eu vou propor para ela revender os laços de uma maneira mais correta. Estaria oferecendo apenas uma oportunidade. [A carta] me deixou triste, porque mostra que a situação do país não é boa. As pessoas são honestas, mas estão enfrentando dificuldades”, lamenta.

O g1 não localizou a mulher que levou os objetos porque o contato não foi divulgado pela artesã, que prefere não expor a moradora. Entretanto, Aline reitera que vai procurar ajudá-la. “Se a situação do país continuar assim, com os preços nas alturas, essas cartas se tornarão cada dia mais comuns”, finaliza.

Bilhete foi deixado em ‘mesa da honestidade’ em Santos, SP, com contato da moradora — Foto: Arquivo Pessoal/Aline Ketline Mendes

Aline viu seu lucro triplicar com a iniciativa da ‘mesa da honestidade’. Três vezes por semana, ela deixa os laços infantis que produz à venda em uma mesinha em bairros movimentados de Santos, junto com a caixinha para o cliente colocar o dinheiro da compra, e pegar o troco, caso precise.

Ela relata que a produção dos laços começou há três anos, quando descobriu que estava grávida de uma menina e resolveu pesquisar sobre o produto. Desde então, passou a vender os laços, colocando o nome do negócio de ‘Laços da Camilly’, em homenagem à filha. Com a pandemia, entretanto, as vendas nas ruas diminuíram.

Encomendas da Aline cresceram muito após ‘mesa da honestidade’ ser montada em Santos, SP — Foto: Arquivo Pessoal

“Eu tinha visto uma reportagem de que isso [mesa de honestidade] é normal na Europa. E, como na pandemia as vendas na rua ficaram proibidas, resolvi acreditar na honestidade das pessoas e testei uma vez. Quando cheguei à noite no local, achando que não teria nem laços e nem dinheiro na mesa, me surpreendi com a caixinha cheia de dinheiro e com todos os laços vendidos”, contou ao g1 em agosto.

O resultado foi positivo e incentivou que ela continuasse com a ação, montado a mesa três vezes por semana na frente de parques, padarias e restaurantes. A iniciativa triplicou o faturamento das vendas dos laços feitos pela artesã, também pelo sucesso nas redes sociais, fazendo com que, atualmente, com a ajuda do marido, 100% da renda da família venha dos laços.

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