Motorista investe seus únicos R$ 25 após carro quebrar e muda de vida ao comprar latas de leite condensado | Santos e Região

Um ex-motorista de aplicativo de 31 anos se viu desesperado em Guarujá, no litoral de São Paulo, ao ter o carro quebrado, e o conserto avaliado em R$ 1,5 mil. Com apenas R$ 25 no bolso, ele teve a ideia de produzir e vender alguns brigadeiros, investiu R$ 16,50 em duas latas de leite condensado, saiu vendendo na praia e conseguiu R$ 72.

Ao g1, Marlon Vinícius disse que a situação foi um “start” para que ele passasse a vender diariamente os doces na praia. “No dia em que meu carro quebrou, estava chovendo, e eu tinha só R$ 25 no meu bolso. Ainda tinha que comprar um jantar, então, imagina só. Estava com o carro quebrado, não tinha nenhuma perspectiva de arrumar emprego ou fazer qualquer coisa, estava na cidade há 20 dias”, lembra.

“Gastei R$ 16,50 com duas latinhas de leite condensado. Forminha, granulado e algumas coisas eu já tinha em casa, tipo achocolatado, margarina. Então, o investimento foi de R$ 16,50, e eu fiz R$ 72. Tudo começou dessa forma. Aí, neste ano, decidi fazer um novo projeto, de visitar outras cidades. De 2019 para cá, tudo aconteceu em Guarujá, Santos e Bertioga, que, eventualmente, eu ia de ônibus”, explica.

Segundo Marlon, quando o veículo quebrou, ele não tinha cartão de crédito ou outra forma de arrumar dinheiro para pagar o conserto. “Pagava aluguel, e meu filho tinha 1 ano de idade. Então, com aquele pouco dinheiro, eu tinha que arrumar um emprego, e arrumar uma coisa para comer. Decidi fazer o brigadeiro porque o custo era baixo, e foi o investimento que tinha disponível na hora”.

Marlon não parou mais de vender brigadeiros após perceber que faturamento seria maior do que em emprego fixo — Foto: Arquivo Pessoal

Ele afirma que só conseguiu consertar o veículo três meses depois, graças ao dinheiro das vendas dos brigadeiros. “Desde o dia em que o carro quebrou, nunca mais fiz nenhuma corrida como motorista de aplicativo”.

Marlon lembra que, no primeiro dia que saiu para vender brigadeiros, estava garoando, e era um dia frio. “Eu não tinha mais nada além daqueles brigadeiros. Se eu não vendesse, não tinha mais dinheiro, mas vendi em 1h30. Era um dia que não tinha ninguém na praia, então pensei que, se vendi 72 brigadeiros em 1h30, em um dia que não tem ninguém, então, quando tiver mais gente, vou vender mais”.

Além dos doces, Marlon investiu em uma apresentação diferenciada para realizar as vendas e despertar a atenção dos clientes. Segundo ele, a ideia de usar gravata, chapéu e camisa social para vender os doces na praia foi uma forma de causar boa impressão nas pessoas. “Eu tinha que causar impacto, e fui percebendo que, conforme mais arrumado eu estava, mais bem apresentado eu chegava para mostrar meu produto, vendia com mais facilidade”, conta.

“Percebi que a estética era o que falava mais alto, causava uma confusão na pessoa ver alguém de gravata e camisa social na praia, e isso aí me ajudou bastante”, lembra.

Em dias de semana, Marlon ganha uma média de R$ 250 e produz cerca de 300 doces. Aos fins de semana, chega a fazer aproximadamente R$ 1 mil, mas isso varia muito. “Depende do clima, de um monte de coisas. No carnaval, fiz R$ 2 mil em três dias, então, é um valor bem bacana, e uma coisa bem simples”, analisa.

“Quero mostrar às pessoas que dá para você vender, independentemente do lugar em que você está. Se estou em Guarujá, eu vendo, estou em São Paulo, eu vendo, estou em Campinas, eu vendo, estou em Belo Horizonte, eu vendo. A intenção é essa, mostrar que é possível vender em diversos lugares”, explica.

Com quase 12 mil seguidores nas redes sociais, o ‘Sr. Brigadeiro’ quer incentivar as pessoas a transformarem problemas em soluções. “Não tenho receio de chegar em um lugar novo, porque a forma de venda é justamente ser bem-vindo em vários lugares. Se a pessoa está com problema, ao mesmo tempo, ela pode ter a solução”.

Com chuva ou sol, Marlon passou a vender brigadeiros nas praias de Guarujá após carro quebrar — Foto: Arquivo Pessoal

Marlon explica que a ideia de vender brigadeiros, inicialmente, era algo temporário, até que ele conseguisse arrumar um emprego fixo. “Pensei em fazer isso até arrumar um emprego, mas com o passar do tempo, percebi que iria ganhar menos do que vendendo doces”.

Por isso, Marlon investiu na personalização, com caixas, bicicleta, roupa personalizada e até adesivo de identificação. “Todo esse adereço é para criar uma marca, uma presença, um marketing, para que as pessoas que vão à praia comprem o brigadeiro do ‘Sr. Brigadeiro’, o cara de chapéu, o cara de gravata”, diz.

“Naquele momento de desespero, em que meu carro estava quebrado, encontrei a solução vendendo brigadeiro, porque tratei a venda não como um negócio informal, como um pobre coitado que estava ali tentando ganhar um trocado para comprar uma lata de leite para o filho. Você pode fazer dinheiro com o que você tem no armário. Levanta a cabeça, vai para cima, busca soluções, que é só assim que a gente vai ter o resultado”, finaliza.

Ex-motorista de aplicativo quer incentivar as pessoas a transformarem problemas em soluções — Foto: Arquivo Pessoal

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