Moradores são ameaçados por se aproximarem de linha férrea em SP: ‘estão dando tiro para o alto’ | Santos e Região

Ameaças, transtornos para a locomoção e infestação de bichos são problemas com os quais os moradores do Sítio Acaraú, em São Vicente, no litoral de São Paulo, enfrentam há uma semana, desde o derramamento de soja na linha férrea que corta aquela região na Área Continental da cidade, na última terça-feira (19).

Ao g1, a comunidade criticou a opressão dos seguranças contratados pela Rumo Logística, concessionária que administra a linha ferroviária. A empresa, por sua vez, afirma já ter realizado a limpeza nos trilhos e que está investigando as acusações de violência e ameaça.

Apesar de a empresa ter afirmado que já limpou a área, os moradores negam. Para piorar a situação, contam que, além da soja, uma carga de açúcar caiu sobre o mesmo trecho na madrugada da última segunda-feira (25).

Vizinhos da linha férrea em São Vicente reclamam de sujeira nos trilhos e de opressão dos seguranças: ‘morador apanhando na cara’ — Foto: Divulgação

“Caiu açúcar em cima da soja e, mais para frente, caiu soja novamente. O açúcar não foi retirado da via, só foi espalhado com um trator”, afirmou uma moradora, que não quis se identificar.

Em nota, a Rumo informou que a limpeza da via estava em fase final quando ocorreu o derramamento de açúcar. “Equipes da empresa já estão no local removendo a carga e os trabalhos devem ser concluídos até o final da semana”, afirmou.

Os moradores continuam reclamando do comportamento dos funcionários que trabalham na segurança da via. Eles relatam medo e citam um episódio de violência contra um jovem.

“Morador apanhando na cara porque pegou um saco de soja para levar para os bichinhos. O saco estava no carro da vítima. Ele [o jovem] pegou a soja inchada no chão para os porcos e [os seguranças] não gostaram. Os caras estavam em um carro normal, mas disseram que eram policiais sem farda. Estavam molhando a soja, para os moradores que têm bichos não pegarem”, explicou outro morador.

Morador mostra foto com lesões de uma suposta agressão — Foto: Divulgação

Após a agressão, os moradores afirmam que sentem ainda mais medo. Segundo eles, as ameaças são constantes. Eles contam quem apresentaram denúncia formal à concessionária, mas que não tiveram retorno.

“O descaso com os moradores está demais”, disse um homem que reside naquela área. Ainda segundo ele, após a violência, a comunidade realizou um protesto perto da Cachoeira 2. “Ainda falaram que se denunciarmos, vão matar. Já fizemos a denúncia no site da empresa e até agora nada. Fico com medo, porque tenho dois idosos que dependem de mim”, contou.

Os moradores relataram ao g1 que as ameaças e agressões acontecem à noite. De acordo com ele, os funcionários de segurança inclusive teriam furado pneus de um automóvel.

Vizinhos da linha férrea em São Vicente reclamam de sujeira e de opressão

Vizinhos da linha férrea em São Vicente reclamam de sujeira e de opressão

Com outro morador, os seguranças teriam levado a habilitação, três celulares e ainda “abriram o capô do carro e jogaram farelo no motor”, conta um residente do Sítio Acaraú.

A maioria das ameaças, segundo a comunidade, acontece porque a população quer pegar a carga caída para alimentar os animais ou para limpar a área e liberar o acesso.

“Eles [os seguranças] falam que não ligam para a sujeira. E que a Rumo não é informada de tudo que eles fazem, debochando dos moradores. Também falaram que se virem alguém pegando soja à noite, a ordem é para atirar e matar. Se for pela manhã é para levar preso, não vão atirar de dia porque tem testemunha e está claro”.

“À noite estão jogando lanterna no rosto dos moradores como se nós fossemos criminosos. Eles estão nos intimidando e dando tiro para o alto, andando com armas na mão como se fossemos bandidos. Estamos com medo desses caras”, afirmou.

Em nota, a Rumo informou que continua investigando as acusações e que os moradores podem denunciar os casos de forma anônima. “Sobre os fatos citados pela comunidade de São Vicente, a empresa reforça que está apurando internamente e que suas equipes de segurança são treinadas e orientadas para que não haja esse tipo de conduta”.

A empresa acrescenta, ainda, que tem um canal aberto para que a comunidade possa auxiliar e denunciar qualquer situação por meio do telefone 0800-701-2255”.

VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos


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