Menino relata ‘muito sangue’ e desespero após ser ferido por tubarão em praia de SP | Santos e Região

O incidente ocorreu por volta das 12h desta segunda-feira (15), na Praia do Boqueirão. Segundo a prefeitura, o animal tratava-se de um cação. A criança estava no mar, brincando com um primo e o irmão mais velho, quando viu o tubarão na direção de sua perna.

“Estava eu, meu irmão e meu primo. A gente estava lá nadando, até que, do lado, ouvimos uns homens gritando ‘tubarão, tubarão’. A gente ficou desesperado e tentamos sair. Meu primo saiu também, e eu não conseguia correr direito, meu irmão ficou me esperando. Daí, eu comecei a sentir uma dorzinha na minha perna, olhei e vi que tinha uma barbatana, que era um animal meio azul, tipo tubarão. Eu fiquei balançando a perna, aí caiu, e corri rápido para sair”, relembra.

Menino foi ferido por tubarão em Ilha Comprida, SP — Foto: Reprodução/Redes Sociais e Página Rócio Um Bom Lugar Iguape

Segundo o menino, em seguida, um homem pegou em sua mão e perguntou se ele estava bem. “Eu disse que não, que minha perna estava doendo, e ele me carregou até o salva-vidas”, diz. Depois, chamaram uma ambulância e ele foi conduzido à UPA.

Ainda de acordo com o menino, tudo aconteceu muito rápido. “Quando a gente viu, já estava muito perto de nós. Até que foi pequeno o corte, mas quando olhei, estava saindo muito sangue, então fiquei desesperado, achando que coisa pior tinha acontecido. Só que depois que os médicos limparam minha perna, vi que não precisava ficar preocupado”, relata.

O contato com o o animal chegou a rasgar um pedaço da bermuda do menino. Agora, Carlos afirma que evitará sempre passar da altura do joelho quando estiver no mar. “Quando eu entrar no mar, não vou sair do joelho para baixo, se passar do joelho, eu volto. Pensar que, do nada, um tubarão ali do meu lado, foi um susto grande”.

Bermuda da criança chegou a rasgar durante incidente envolvendo tubarão em Ilha Comprida, SP — Foto: Arquivo Pessoal

A criança mora no interior de São Paulo, e estava na cidade à passeio, visitando o pai, que mora em Ilha Comprida. Em entrevista ao g1, o comerciante Celso Marques relatou que o ocorrido foi um grande susto.

“Eu tirei o dia para curtir com eles [filhos], porque depois do almoço eles iriam embora. Estávamos indo para a praia, e como não deu para levar todas as coisas, retornei para a minha casa para pegar o restante. Quando estava voltando, meu filho mais velho veio correndo e falou ‘pai, pai, o Carlinhos foi atacado por um tubarão’. Fui ao encontro dele, e quando cheguei lá, o salva-vidas já estava fazendo o resgate dele e levando para o PS”, conta o pai.

Celso diz que só viu o filho, já medicado, na UPA. “Aí que eu vi a coxa dele, levando pontos. Ele também tomou um soro na veia, por conta da dor. A gente que mora aqui na Ilha não é acostumado a ter esses acidentes diariamente, com tubarão, então, eu fiquei muito assustado”.

Pai e filho após incidente; ambos relataram que foi um alívio ferimento ter sido leve — Foto: Arquivo Pessoal

Segundo o comerciante, normalmente ele recomenda aos filhos para tomarem muito cuidado para não se afogarem, mas nunca imaginou que poderia ocorrer um incidente envolvendo um tubarão com um dos meninos. Nas redes sociais, o pai até fez uma postagem de agradecimento pela vida do filho após o ocorrido, afirmando que o menino ter tido apenas um ferimento leve foi um “livramento”.

Criança esbarrou em cardume

Em nota, a prefeitura afirmou que um cardume de cações, em deslocamento do Sul para o Leste do país, esbarrou na criança e a feriu, causando uma lesão sem gravidade na perna esquerda, segundo informações do sargento Nunes, do Corpo de Bombeiros, que acompanhou a ocorrência.

Incidente com criança e tubarão ocorreu em Ilha Comprida, SP — Foto: Reprodução/Rócio Um Bom Lugar Iguape

De acordo com a administração, a criança foi atendida na Unidade de Pronto Atendimento e levou pontos na coxa esquerda. Para o sargento, o cardume estava em deslocamento na zona de arrebentação de ondas – o que não é normal -, pode ter se assustado com o movimento de banhistas e esbarrado na criança, causando o ferimento. Geralmente, segundo o bombeiro, os cardumes se deslocam em áreas mais profundas. Pelo deslocamento ter sido rápido, não houve interdição ou ação preventiva nas praias.

Ao g1, o biólogo marinho Eric Comin explicou que, observando as imagens, identificou tratar-se realmente de pequenos cações, que são tubarões. “Não existem acidentes com tubarões, digamos que possam ocorrer incidentes, porque nós, seres humanos, não fazemos parte da cadeia alimentar. Os animais estão ali no ambiente natural deles, o que pode acontecer é que algum animal deu à luz, porque ali é um grande berçário de espécies marinhas”, diz.

De acordo com o especialista, o esbarrão de um tubarão pode causar um ferimento. “Os tubarões possuem dentículos derme-epidérmicos, que são como se fossem uma lixa, então, quando passam, podem raspar. Eles [tubarões] têm medo, e quando entramos na água, normalmente costumam correr”, relata.

Segundo Comin, o animal é chamado de cação porque é vendido por pescadores. “Mas, é uma carne que precisa ser abolida da refeição das pessoas, porque, além de ser uma espécie ameaçada de extinção, eles são topo de cadeia, então, têm função importantíssima no ambiente em que vivem, e acumulam metais pesados, como mercúrio e chumbo, substâncias que, quando acumuladas no organismo do ser humano, podem levar as pessoas a terem demência”, diz.

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