Menino de 12 anos morre de meningite após 4 dias de sintomas; família acusa hospital do litoral de SP de ‘negligência médica’ | Santos e Região

A família de um menino de 12 anos que morreu vítima de meningite acusa o Hospital Municipal de São Vicente, no litoral de São Paulo, de negligência médica. A morte de Harley do Rosário Vasconcelos foi constatada na segunda-feira (25), às 17h55, no mesmo local. Os familiares apontam que os médicos que o atenderam no último fim de semana sequer consideraram a doença, que só foi descoberta após autópsia do corpo no Instituto Médico Legal (IML). A prefeitura alega que todos os cuidados foram realizados durante o tratamento.

Ao g1, os parentes contaram que, desde a última sexta-feira (22), o adolescente apresentou fortes dores na cabeça, febre alta e vômitos – os detalhes teriam sido relatados nas consultas de sábado (23) e domingo (24). No dia da morte, Harley se sentiu ainda pior, mas decidiu tirar um cochilo antes de voltar ao hospital. Ele nunca mais acordou.

A avó do menino, que tinha a guarda da criança, identificou que havia algo errado com o neto, que não respondia mais. Segundo familiares, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi prontamente acionado. Os profissionais realizaram os primeiros procedimentos, como tentar uma reanimação, e o conduziram ao Hospital Municipal, onde foi declarado morto.

“Em momento algum apontaram a possibilidade de meningite”, afirma uma pessoa da família, que também vivia com o menino. Uma outra parente, que preferiu não se identificar, também negou que os médicos tenham realizado os testes de rigidez da nuca. O procedimento, segundo médico ouvido pelo g1, é comum para diagnosticar a doença.

Como tratamento, ainda de acordo com a família, foram indicados apenas medicamentos intravenosos [na veia], aplicados no primeiro dia, e de uso oral, prescritos no segundo.

Os parentes acrescentaram que o único exame feito no final de semana foi o de raios x na região da face. Nos dois dias, os profissionais teriam citado as possibilidades de inflamação nos olhos e na garganta.

Família do menino alega que os médicos do hospital sequer citaram a possibilidade de meningite — Foto: Arquivo pessoal

Diagnóstico e procedimento

À reportagem, o médico infectologista Marcos Caseiro analisa os sintomas relatados pela família e destaca a necessidade de investigação da doença. “A meningite é um quadro agudo, caso não seja considerada, pode levar o paciente a óbito”.

O profissional também ressalta a importância dos citados testes de rigidez da nuca, além dos exames de tomografia e líquor – que identifica a inflamação e pode detectar o agente causador da infecção [bactérias, vírus, parasitas ou fungos].

Em nota, a prefeitura, por meio da Secretaria da Saúde (Sesau), informa que “todos os cuidados e protocolos foram realizados no tratamento do paciente, e que as medidas cabíveis referentes à morte do adolescente estão sendo tomadas”.

A administração municipal acrescenta que foram acionadas as comissões de Ética Médica e de Óbito para que sejam esclarecidas as dúvidas sobre o caso. A Sesau aguarda o envio de relatório das comissões.

“Importante ressaltar que esse caso específico [do menino] não se enquadra no tipo de meningite causada pelo meningococo, que requer alguns cuidados como a quimioprofilaxia. O tipo de bactéria que afetou o adolescente não tem indicação para esse tratamento”, complementa o município.

A Sesau esclarece, ainda, que a equipe da Vigilância Epidemiológica esteve na casa do rapaz na quarta-feira (27) e formalizou todas as ações protocolares com os familiares para este tipo de caso.

VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos


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