Maquiadora descobre tumor raro e relata busca por cirurgia nas redes sociais: ‘Dor insuportável’ | Mais Saúde

A maquiadora Evelyn Ribeiro da Costa, de 26 anos, descobriu um tumor raro após meses com fortes dores de cabeça, pressão alta e diversos tratamentos que não funcionavam. A jovem moradora de Cajati, no interior de São Paulo, relatou nas redes sociais o processo até ter o diagnóstico, e busca apoio para conseguir fazer uma cirurgia de retirada do tumor o mais rápido possível.

“A dor é insuportável, preciso realmente de algo muito rápido para resolver”, descreveu a jovem em entrevista ao g1 nesta segunda-feira (1º). Evelyn descobriu que tem um feocromocitoma, tumor raro que causa o aumento de adrenalina no corpo (leia mais abaixo).

Evelyn relata que, neste ano, passou por vários episódios de dor de cabeça intensa e picos de pressão muito alta. “O tempo foi encurtando entre as dores, e foi ficando cada vez mais forte. Eu ainda conseguia ficar em casa, tive crises de vômito, mas eu achava que era estresse, que ia passar”, relembra. Apesar de acreditar nisso, ela chegou a um hospital com a pressão muito alta, e precisou ficar internada para tratamento.

A jovem passou cerca de 15 dias fazendo um tratamento para dor de cabeça, tomou diversos remédios para pressão e até antidepressivo no período. Ela conta que já estava cansada da grande quantidade de remédios sem resultado, e passava cada vez mais mal, até que um médico percebeu que poderia se tratar do feocromocitoma. O tumor raro causa hipertensão, sudorese, taquicardia e cefaleia – todos sintomas sentidos por Evelyn.

A jovem precisava fazer um ultrassom, e devido à demora do sistema público de saúde, decidiu procurar de forma particular. Foi quando descobriu que o tumor tinha cerca de 4 centímetros. Apesar de aliviada por ter, finalmente, um diagnóstico, depois de um período sem informações, ela se preocupou ainda mais ao descobrir que era um caso raro. “Estou tentando manter a calma, mas não é fácil”, desabafa.

Moradora de Cajati, SP, Evelyn Ribeiro da Costa descobriu tumor raro em outubro — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Evelyn mora em Cajati, mas, por conta do tratamento, tem feito viagens até Curitiba, no Paraná, onde a mãe reside. Agora com a medicação certa, a jovem não precisa ficar internada, e as crises ficaram um pouco mais controladas. Entretanto, o objetivo principal é conseguir a cirurgia. Ela explica que uma das maiores dificuldades é ficar longe do filho durante o período em que está em outro estado.

A maquiadora, que usava as redes sociais somente como forma de divulgar o trabalho, passou a pedir ajuda para conseguir o valor da cirurgia e agilizar o processo. Ela tem mobilizado moradores e amigos. “É uma cirurgia de alto risco, porque a pressão arterial oscila muito, precisa manter, para a cirurgia ser feita. É difícil, mas acredito que vou encontrar profissionais que consigam me deixar mais tranquila”, comenta.

Todo o processo pelo qual ela vem passando é retratado pela profissional nas redes sociais, desde outubro, mês em que descobriu o tumor. Por meio da web, ela compartilha informações e recebe mensagens de carinho de pessoas que a seguem. Os valores que são depositados e as rifas que amigos têm feito já auxiliam, conforme Evelyn, para cobrir as consultas e despesas do tratamento.

O g1 conversou com o endocrinologista e professor do curso de Medicina da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Paulo Maccagnan, que explicou que o feocromocitoma é um tumor raro. “É em torno de um caso para cada 1 milhão de pessoas por ano [no Brasil]”.

O médico esclarece que o tumor secretor de hormônio causa sintomas semelhantes aos do estresse. “Quando se tem um tumor desse, você produz muita adrenalina, sem ter nenhum estímulo de estresse. Dá sintomas como se tivesse com estresse, aumenta a frequência cardíaca, aumenta a pressão arterial, dá tremor, sudorese intensa, cefaleia, tudo isso junto”, explica.

Maccagnan reitera que a demora para conseguir um diagnóstico se dá justamente porque os sintomas parecem de estresse. Porém, com a persistência das dores, o profissional pode relacionar à doença. Além disso, ultrassons costumam ajudar no diagnóstico. Apesar dos sintomas, o tumor geralmente é benigno e tem cura, como explica o médico. “Ele é curável, porque se você tira o tumor, acaba tudo isso”, explica.

O risco, conta, se dá por causa da frequência cardíaca e da hipertensão – que podem resultar em um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Apesar disso, se o paciente já está medicado, os sintomas são amenizados. O médico salienta que a cirurgia requer um tratamento prévio, com a medicação necessária, como forma de preparação.

Moradora de Cajati, SP, Evelyn Ribeiro da Costa descobriu tumor raro em outubro — Foto: Reprodução/Redes Sociais

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