‘Maníaco da Peruca’ é condenado a 60 anos de prisão em regime fechado por assassinatos em série no litoral de SP | Santos e Região

O dentista Flávio Nascimento Graça, de 39 anos, foi condenado a 60 anos de prisão em regime inicial fechado, sem possibilidade de apelação, por três homicídios consumados e duas tentativas. A decisão do júri popular foi anunciada por volta das 22h desta quinta-feira (12), após três dias de julgamento no Fórum de Santos, no litoral de São Paulo.

O ‘Maníaco da Peruca’ – como Flávio ficou conhecido por atacar as vítimas com o adereço para disfarce – foi considerado imputável pelo júri. Isso significa que o conselho julgador entendeu diante das apresentações que o autor dos crimes sabia o que estava fazendo quando matou as vítimas, e é capaz de responder criminalmente pelos atos.

O advogado de defesa de Flávio, Eugênio Malavasi, apresentou dois laudos sobre a sanidade mental do acusado feitos por peritos do Fórum. Segundo ele, os documentos atestaram que o réu é inimputável, ou seja, teria doença mental, o que compromete a sanidade ao cometer os crimes. Ele também reivindicou acesso a tratamento após a aplicação da pena “por que ele (Flávio) tem problema”.

O advogado de acusação, Augusto Miglioli, por sua vez, sustentou que Flávio tinha plena consciência, capacidade e entendimento em relação aos crimes. Assim como a defesa do réu, a acusação também apresentou um laudo sobre a sanidade do ‘Maníaco da Peruca’.

As divergências reveladas nos laudos motivou a Justiça a determinar que o caso fosse decidido por júri popular.

O réu está preso há cerca de três anos, na Penitenciária José A. C. Salgado, a P-II de Tremembé, no Vale do Paraíba. Ele chegou à Baixada Santista na manhã de terça-feira (10), e passou a noite na Penitenciária Dr. Geraldo de Andrade Vieira, conhecida como Penitenciária 1 de São Vicente.

Antes de ser preso preventivamente, em 2018, Flávio permaneceu mais de três anos foragido.

O julgamento com júri popular do dentista Flávio do Nascimento Graça, de 39 anos, acusado de matar três pessoas ligadas a uma clínica dentária de Santos, no litoral de São Paulo, começou na manhã de terça-feira (10) no Fórum de Santos e só terminou às 22h desta quinta-feira (12).

O júri havia sido marcado para acontecer no último mês de abril, mas foi adiado devido a um perito estadual não ter sido encontrado pela Justiça .

O réu ficou conhecido como ‘Maníaco da Peruca’ após cometer uma série de crimes entre 2014 e 2015 utilizando o adereço para disfarce. (leia mais abaixo)

Familiares das vítimas e do réu em frente ao Fórum — Foto: Matheus Tagé/g1 Santos

Flávio é apontado como autor de três homicídios dolosos (com intenção de matar) e duas tentativas de homicídio contra os donos e uma ex-funcionária da Clínica Americana, rede de clínicas dentárias que possuía unidades na Baixada Santista. A rede seria concorrente ao consultório do ‘Maníaco da Peruca’.

Depois de analisar imagens de monitoramento, a polícia descobriu que Flávio monitorava os passos das vítimas e, de acordo com a investigação, cometeu os crimes por vingança. O dentista havia declarado falência e atribuía isso à concorrência. O réu foi preso quatro anos após o primeiro crime.

Decisão pelo júri popular

O pedido para que Flávio vá a júri popular foi analisado e deferido pelo juiz titular da Vara do Júri e Execuções do Foro de Santos, Alexandre Betini, após dois laudos de sanidade mental do réu apresentarem resultados diferentes. Os exames foram pedidos o autor dos crimes alegar, em depoimento à Justiça, que não lembrava do que tinha acontecido.

Diante disso, a defesa do réu pediu exame de sanidade mental por acreditar que ele tinha problemas psiquiátricos. O laudo solicitado foi assinado por dois médicos psiquiatras e peritos da Justiça, e atestou que Flávio tem esquizofrenia (transtorno psiquiátrico).

No entanto, durante os exames, um perito do Centro de Apoio Operacional à Execução acompanhou o acusado e, com isso, emitiu um novo laudo.

O documento do perito do Ministério Público concluiu que o réu é inteiramente capaz de entender o que fez e afirma que ele não preenche os critérios para o diagnóstico de nenhum transtorno mental, inclusive esquizofrenia.

A divergência dos resultados apresentados nos laudos motivou o juiz a determinar que Flávio vá a júri popular. A decisão foi publicada no Diário de Justiça Eletrônico no dia 22 de junho de 2020.

Vítima foi baleada em prédio no bairro do Gonzaga, em Santos — Foto: Adriana Cutino/G1

Em 23 de dezembro de 2014, o empresário Agilson Corrêa de Carvalho, de 54 anos, foi morto com um tiro na cabeça quando saía da clínica dentária em que trabalhava. De acordo com testemunhas, o criminoso agiu sozinho e a rua onde ocorreram os disparos estava movimentada.

No dia 15 de julho de 2015, Aldacy Correa de Carvalho, de 56 anos, também foi assassinada ao sair de uma das unidades da clínica, no Centro de Santos. Ela estava acompanhada por outras duas pessoas que também foram alvos. Uma delas, Arnaldo Correa de Carvalho, de 54 anos, morreu após passar quatro meses internado.

Outro alvo do ‘Maníaco da Peruca’ foi um sobrinho de Agilson, um jovem de 21 anos, que foi atingido pelos disparos, mas sobreviveu. Os tiros acertaram de raspão o nariz e a nuca da vítima, que também precisou ser hospitalizada. A segunda sobrevivente foi uma mulher, de 40, baleada em 23 de setembro de 2015, no bairro do Gonzaga.

Flávio foi preso em novembro de 2018, quatro anos após o primeiro crime. Na época, o juiz alegou que o homem oferecia risco à sociedade e, por isso, determinou sua detenção preventiva até o julgamento.

Policia divulgou novas imagens de crime em Santos — Foto: Reprodução/TV Tribuna

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