Mãe usa redes sociais para mostrar rotina de filho com síndrome de Down e romper preconceitos | Santos e Região

Para romper preconceitos e falar sobre inclusão social, a assessora pedagógica Vivian Martinez, de 36 anos, decidiu utilizar as redes sociais para compartilhar a rotina do filho, que tem síndrome de Down. Moradora de Peruíbe, no litoral de São Paulo, ela formou uma rede de apoio ao se conectar com outras mães que têm filhos com as mesmas condições genéticas. De acordo com Vivian, o perfil tem como objetivo mostrar o quão normal é ter uma criança com a síndrome.

Em entrevista ao G1, Vivian contou que, desde o nascimento do pequeno Nicolas Martinez Umezu, hoje com 3 anos, ela passou a pesquisar mais sobre educação especial. “Eu procurei me municiar de informações sobre vários tipos de deficiência. Acho que a gente tem o papel de entender, para ser mais inclusivo. Me abri para conhecer mais sobre a capacidade das pessoas, mesmo que elas tenham alguma limitação, não olhar só para as dificuldades, mas para as potencialidades”, explica.

A ideia de criar um perfil nas redes sociais veio logo após a assessora perceber que muitas mães desconheciam informações básicas sobre a síndrome de Down. A princípio, o intuito de Vivian era ajudar outras famílias, mas, ao perceber que as pessoas ao seu redor tinham uma mentalidade diferente sobre pessoas com deficiência, decidiu expandir sua rede para produzir conteúdo sobre inclusão social.

“Quando eu comecei a falar sobre a síndrome de Down, tinha coisas que muitas pessoas não sabiam, porque muitos acreditam que as pessoas com deficiência são coitadinhas, que vão ser eternas crianças, que não vão se desenvolver direito e vão morrer cedo”, comenta Vivian.

Segundo ela, muitos preconceitos sobre pessoas com deficiência estão enraizados na sociedade, e a internet tem sido a melhor forma de reverter essa situação. “Antigamente, a gente não acreditava no potencial das pessoas com deficiência. Hoje, o que mais me motiva é ver adultos com síndrome de Down trabalhando, namorando, casando e tendo uma vida autônoma. São coisas que antes eu não buscava, mas um mundo novo se abriu para mim. Acho que é isso que a informação traz para todos, poder ver o quanto é normal ser diferente”, argumenta.

Vivian utiliza a internet para romper preconceitos e falar sobre educação especial — Foto: Arquivo Pessoal/Vivian Martinez

Assim que começou a produzir conteúdo, outras mães se aproximaram, e Vivian passou a acolhê-las. Segundo a assessora, essa é uma de suas maiores realizações. “Nesse sentido, é muito gratificante poder receber essas mães e mostrar o quanto elas vão ser felizes com seus filhos, e como as crianças vão ter capacidade de se desenvolver”, comenta.

Com as redes sociais, Vivian conta que conheceu mulheres de diversas localidades. “Eu conheci muitas mães que moram em lugares isolados, que não têm acesso à informação, a profissionais, e o Instagram virou uma grande rede de apoio. Quem tem mais informação ajuda quem tem menos. Me sinto muito feliz podendo contribuir na vida dessas famílias”, comemora.

De acordo com Vivian, transformar as redes sociais em uma ferramenta de informação e acolhimento é uma das formas de amparar mulheres que vivem uma maternidade diferente. “Trocar informações, contar experiências, sejam elas boas ou ruins, faz com que essas mães se sintam parte de um mundo, pois a realidade é que as mães atípicas são muito solitárias. Poucas pessoas falam sobre os desafios do dia a dia, pois só quem vive a rotina de uma maternidade atípica é capaz de compreender o que sentimos”.

A descoberta da síndrome de Down veio logo após o nascimento de Nicolas. Neste período, Vivian ficou muito preocupada em relação às conquistas do filho. “Quando a gente recebe a notícia, junto com ela, vem as dificuldades. Até começar a se apropriar e conhecer a síndrome, é muito difícil, porque a gente fica com medo de os nossos filhos não conseguirem fazer determinadas coisas. Quando eles começam a ter essas conquistas, é como se fossem pequenos milagres acontecendo”, relata.

No convívio social, a assessora diz que nunca passou por situação de constrangimento ou desrespeito. Contudo, costuma receber alguns elogios capacitistas, que é quando alguém é preconceituoso, discrimina ou subestima pessoas com deficiência pela sua aparência ou condição.

“Algumas pessoas dizem ‘nossa, ele é tão lindo, nem parece que tem síndrome de Down’, como se uma pessoa com Down fosse feia. Ou ‘nossa, você é uma guerreira, ele veio para a mãe certa, se fosse comigo, eu não daria conta’. São situações em que é legal a gente estar sempre passando informações”, finaliza Vivian.

Vivian mora com a família em Peruíbe, no litoral de São Paulo — Foto: Arquivo Pessoal/Vivian Martinez

VÍDEOS: As notícias mais vistas do G1


Fonte Original

Compartilhar
Mostrar mais
Botão Voltar ao topo
EnglishPortugueseSpanish
Fechar
Fechar