Mãe de criança com má-formação espera há 3 meses doação de cadeira de rodas em Bertioga: ‘Me sinto enganada’ | Mais Saúde

A dona de casa Sandra Ribeiro dos Santos, de 34 anos, está há mais de três meses esperando um retorno da Prefeitura de Bertioga, no litoral de São Paulo, em relação ao pedido que protocolou para conseguir uma cadeira de rodas postural para o filho, Daniel Ribeiro Dias, de 2 anos, que nasceu com agnesia do corpo caloso e adquiriu hidrocefalia não derivada. Ao g1, ela explicou que o equipamento adaptado foi uma prescrição da fisioterapeuta. A prefeitura informou que a entrega do equipamento ocorrerá após a conclusão do processo de aquisição.

No laudo médico, consta que, a partir do exame clínico da criança, observa-se a diminuição da mobilidade de tronco, fraqueza da musculatura abdominal, grau de força diminuído em membros superiores e inferiores. “Necessita de carrinho terapêutico adaptado para realizar as atividades de vida diárias, para locomoção, para manutenção da postura assentada de forma correta, evitar deformidades estruturadas, prover qualidade de vida, inserção social e treino das habilidades em processos terapêuticos. Indico o modelo Kimba Neo 2, com apoio de tronco, cinto pontas, apoio cervical, abdutor, cunha de assento, almofada de assento e encosto, capota, mesa de atividades e suporte de dieta”, diz o documento.

Sandra estava fazendo campanhas e pedindo ajuda nas redes sociais para tentar comprar a cadeira de rodas postural, que custa aproximadamente R$ 18 mil, mas recebeu a orientação de que poderia conseguir o item com a administração municipal.

A dona de casa, então, entrou em contato com a diretora de Saúde de Bertioga, que pediu para ela levar até a prefeitura todos os documentos e o relatório da fisioterapeuta para fazer a solicitação do equipamento.

Ela conta que levou todos os documentos e laudos que possui para protocolar a solicitação em 3 de agosto deste ano. Com a promessa de que conseguiria o equipamento com a prefeitura, Sandra usou o dinheiro que havia recebido em doações para trocar a cadeirinha do carro, pois a que ele usava não era adaptada.

Há quase quatro meses aguardando o equipamento, a dona de casa considera a demora e falta de informações uma questão de injustiça. “É como se estivessem virando as costas para mim, me sinto enganada, é um tipo de revolta. Eu me deparo olhando para meu filho e até choro, porque é uma situação muito desagradável. Tem vezes que eu vou até três vezes na semana para Santos, coloca ele no carro, tira, coloca nas costas, é desconfortável para ele, estando em um carrinho seria uma forma de conforto, vejo mais por ele do que para mim”.

Daniel nasceu com agnesia do corpo caloso e adquiriu hidrocefalia não derivada em Bertioga, SP — Foto: Arquivo Pessoal

Em 19 de dezembro de 2018, a bolsa estourou, e o filho de Sandra nasceu prematuramente. “Tive que fazer uma cesárea de emergência, porque o cordão umbilical estava saindo primeiro. Ele ficou internado por dois meses e dois dias. Em 1º de janeiro de 2019, ele teve um abcesso hepático e precisou fazer uma cirurgia”, lembra.

Com a alta hospitalar, a unidade de saúde encaminhou a criança para um neurologista, um psicólogo e fisioterapeuta. “Até aí, eu pensava que era por ele ser prematuro, não falaram que ele tinha nascido com má-formação no cérebro”.

A sorte da família, conforme Sandra, é o marido ter convênio médico na empresa onde trabalha. “Passamos por um neurologista, que deu o diagnóstico e falou que ele poderia ser uma criança normal, só que com alguns atrasos de desenvolvimento”.

Aos 6 meses de vida, o pequeno Daniel teve convulsões, e exames diagnosticaram que ele não tinha força suficiente para comer, e que estava broncoaspirando a alimentação. Foi necessário fazer uma gastrostomia para que ele pudesse se alimentar por sonda.

Além de todas as dificuldades causadas pela má-formação, neste ano, ele testou positivo para a Covid-19. “Chegou a ficar entubado, teve sequelas no coração, mas está tudo controlado”, diz.

Em nota, a Secretaria de Saúde de Bertioga informa que, por se tratar de um equipamento de alta especificidade, não preconizado dentro dos protocolos previstos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a aquisição requer a adoção de procedimentos previstos nas legislações vigentes que regem a administração pública, visto a obrigatoriedade de cumprimento fiel aos princípios de Legalidade, Impessoalidade, Moralidade e Publicidade.

A pasta acrescenta, ainda, que oferece aos munícipes a possibilidade de solicitações administrativas de itens não previstos nos protocolos estabelecidos dentro do SUS, e que o referido processo está em andamento dentro de todos os conceitos relatados, estando em fase de análise técnica e jurídica, visando o pleno atendimento do pleito. A entrega do equipamento ocorrerá mediante a conclusão do processo de aquisição e entrega por parte da empresa vencedora do certame.

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