Mãe de bebê prematuro extremo que passou 7 meses na UTI luta por tratamento em SP: ‘ele é meu milagre’ | Mais Saúde

Foram sete meses de tristeza e angústia, até o bebê Miguel Lorenzo Fernandes de Jesus, que nasceu prematuro extremo [pouco mais de 6 meses], receber alta do hospital em Guarujá, no litoral de São Paulo. Apesar da primeira boa notícia, a luta dele e da família continua. Ao g1, a recepcionista e mãe do menino, Luna Leatriz Aparecida Fernandes Muniz, de 22 anos, disse que ele requer cuidados especiais e acompanhamento com fonoaudiólogo, fisioterapeuta, pediatra e nutricionista.

Para Luna, o filho nasceu muito cedo e, em pouco tempo de vida, já passou por muitas dificuldades. Ela espera que o cenário mude e que ele possa ter um crescimento tranquilo, como o tratamento adequado: “Ele é meu milagre”.

Miguel veio ao mundo em 19 de julho de 2021 e permaneceu mais tempo do que o esperado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Santo Amaro (HSA) porque, além de ter nascido prematuro extremo, “pegou várias bactérias, fungos, infecções, trombo, desenvolveu broncodisplasia pulmonar [alterações na função respiratória] e fez cirurgia de traqueostomia”, disse a mãe.

Luna buscou auxílio junto à Prefeitura de Bertioga, mas foi informada de que o município não tem como prestar atendimento homecare [assistência médica domiciliar]. “Ele precisa de um tratamento o mais rápido possível para poder sair da sonda e tirar o atraso que teve na UTI”.

Ela contou que a cidade conta com o programa ‘Melhor em Casa’ o que, segundo ela, ajudaria, mas ainda não é o suficiente. “Seria um clínico geral e uma enfermeira, que atenderiam meu filho uma uma vez por semana, por 15 minutos, e o restante das coisas não tem”.

Moradora de Bertioga, também no litoral paulista, Luna conta que o parto foi de emergência. Segundo ela, a bolsa rompeu no dia 17 e, ao chegar no hospital, o médico disse que a unidade não tinha recursos para dar suporte ao bebê. A orientação foi buscar atendimento em um município vizinho, e a mulher acabou em Guarujá.

As dificuldades não pararam por aí. Luna pegou uma infecção que poderia se tornar generalizada, de acordo com os profissionais de saúde. Por isso, só deu à luz a Miguel dois dias depois. “Nasceu com 28 semanas e 6 dias, com 1.450kg e 37 cm”.

A mãe de Miguel lembrou que a rotina no hospital com o filho recém-nascido era bastante cansativa e triste. “Precisei de muita fé e esperança. Chegava no hospital por volta das 7h20 e ia embora 19h10″. O pai ficava durante uma hora, das 18h até o momento de deixar a unidade de saúde.

A recepcionista disse que sempre acreditou na resposta do filho. “Às vezes, a fé ficava um pouco fraca, mas nunca perdi a esperança de que ele sairia [teria alta]. Eu sabia o quanto era forte e a vontade que ele tinha de viver”.

Miguel recebeu alta do hospital após passar os 7 primeiros meses de vida internado em Guarujá, SP — Foto: Arquivo Pessoal

Miguel precisou ficar internado na UTI com ventilação mecânica por 3 meses e 29 dias. “Um dia antes de fazer quatro meses fez a cirurgia da traqueostomia e, quando saiu, ficou com ventilação”. Depois, começaram a diminuir a ventilação e, agora, ele já respira sem ajuda de aparelho”.

Ao todo, Miguel passou dois meses e meio na UTI neonatal e cinco meses na pediátrica até a esperada alta em 22 de junho deste ano.

O coordenador médico da UTI neonatal do Hospital Santo Amaro, Ricardo Batista de Queiroz, disse ao g1 que o paciente Miguel precisou ficar internado por causa da imaturidade dos pulmões e porque foi submetido à traqueostomia, um procedimento que visa facilitar a chegada de ar aos pulmões, usado para auxiliar na respiração.

“Por se tratar de um recém-nascido prematuro, que esteve internado por 7 meses, [ele] precisa de fisioterapia respiratória para auxiliar no desenvolvimento respiratório; fisioterapia motora para ganhar desenvolvimento motor como apoiar a cabeça, sentar sem apoio, engatinhar e andar; fonoterapia para desenvolver a deglutição adequada para se alimentar sem necessidade da sonda”, disse Ricardo.

Em nota, a Secretaria da Saúde informou que Bertioga possui atendimento domiciliar de média e alta complexidade, por meio do programa Melhor em Casa, com equipe composta por médico clínico geral, enfermeiro, assistente social e profissionais auxiliares ou técnicos de enfermagem.

A pasta destacou que o bebê já está cadastrado no programa, que tem uma programação de visitas domiciliares periódicas, de acordo com a necessidade observada pela equipe multidisciplinar.

A prefeitura ressaltou que, até o momento, durante as visitas rotineiras da família à secretaria de Saúde, ainda não foi entregue encaminhamento do paciente para avaliação e acompanhamento com fonoaudiólogo, fisioterapeuta e nutricionista.

Ainda de acordo com a nota, a pasta informou que disponibilizou e entregou, antes mesmo da alta hospitalar, os insumos necessários para um tratamento seguro ao paciente no domicílio, como ventilador mecânico, aspirador portátil, insumos de uso diário e dieta enteral.

Família de Miguel luta para conseguir atendimento com fonoaudiologista, fisioterapeuta, pediatra e nutricionista em Bertioga, SP — Foto: Arquivo Pessoal

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