Mãe critica hospital do litoral de SP por querer dar alta ao filho sem concluir o tratamento ‘para evitar infecção hospitalar’ | Santos e Região

O açougueiro Maykon Afonso Costa Silverio, de 29 anos, sofreu grave lesão no cérebro, fratura exposta no punho direito e outra na tíbia direita, após um acidente de motocicleta em Guarujá, no litoral de São Paulo. Passados 46 dias de internação no Hospital Santo Amaro (HSA), para onde o jovem foi levado, a mãe Adriana Cristina Marciano Costa, de 53, critica a postura da unidade de saúde que, segundo ela, queria dar alta para o rapaz “para evitar infecção hospitalar”.

O acidente aconteceu na Avenida Leomil, no Centro, no dia 13 de março. Na ocasião, a roda do veículo conduzido ficou presa no buraco de um bueiro que, de acordo com Adriana, estava parcialmente destampado e sem sinalização. O rapaz foi arremessado longe e, devido aos traumas, foi conduzido à unidade de saúde citada acima.

Maykon permaneceu 46 dias no HSA. A mãe conta que foram 30 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 26 deles em coma. Depois, o jovem ainda permaneceu 16 dias na enfermaria.

Apesar da situação exposta por Adriana, ela revela que quase foram expulsos do hospital. “Eles queriam que eu trouxesse meu filho para casa, até com sonda alimentar. Bati o pé e não assinei a alta. Meu sentimento é de muita revolta e desespero, porque temos que correr contra o tempo para dar um pouco de qualidade de vida para ele”.

Em nota, o Hospital Santo Amaro diz que recebe com surpresa a reclamação, pois não há nenhum registro junto à Ouvidoria da entidade sobre a situação. A unidade de saúde afirma, ainda, que segue todos os protocolos técnicos e de humanização no tratamento e nos processos de altas dos pacientes e considera infundadas as acusações.

Por fim, o HSA se coloca à disposição para apurar algum desvio de conduta, convidando a família para que dê início a um processo interno (para investigação do caso), comparecendo e protocolando uma reclamação.

Após ser avaliado por um médico do Serviço de Internação e Atendimento Domiciliar (Siad) de Guarujá, e de ir a uma Unidade de Saúde da Família (Usafa), a família de Maykon foi orientada a aguardar a visita de um agente de saúde em casa – este ainda não apareceu, segundo a mãe. O processo, segundo ela, é para dar sequência ao tratamento de fisioterapia do rapaz.

De acordo com as necessidades prescritas na alta, Maykon precisa de fisioterapia motora e respiratória, além de curativo fixador externo. Adriana garante que o jovem não teve acesso a nenhum dos itens listados pelo médico.

A Secretaria Municipal de Saúde afirma, em nota, que o paciente levou a documentação ao Siad no último dia 27 de abril. Em 3 de maio, a pasta afirma que Maykon foi avaliado por um médico na casa em que mora.

Ainda segundo a secretaria, o paciente reside próximo a uma Usafa de referência, onde teve o nome registrado para atendimento médico e troca de curativos. Ainda de acordo com a pasta, o Siad prestará ao paciente o atendimento de fisioterapia domiciliar, que está na programação de serviços.

Maykon estava a caminho do serviço da esposa, quando sofreu o acidente. Adriana conta que “não havia sinalização de que o bueiro estava quebrado”. Segundo ela, “a roda da moto travou” e “jogou ele longe”.

Depois do acidente, ela conta que “colocaram um pedaço de pau com sacolas amarradas” no local, mas, só no dia seguinte, sinalizaram corretamente o buraco.

Adriana chegou a fazer o boletim de ocorrência por conta do acidente, mas ainda não obteve resposta. “Não tivemos nenhum respaldo do órgão responsável até agora”, finaliza.

A Prefeitura de Guarujá informa que a Secretaria de Operações Urbanas (Seurb) já realizou os reparos necessários, com a fixação da tampa e sinalização do local a fim de evitar outros acidentes.

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