Jovem que pesava mais de 300 kg ganha procedimento bariátrico para redução de peso antes de cirurgia | Mais Saúde

Após grande repercussão nas redes sociais, um jovem que passava dos 300 kg ganhou um procedimento bariátrico para colocação de um balão gástrico, para ajudar na redução de peso antes da cirurgia bariátrica, que também será feita gratuitamente por profissionais voluntáiros. Com obesidade mórbida, o morador de São Vicente, no litoral de São Paulo, Carlos dos Santos, de 28 anos, estava sofrendo há quase quatro anos, aguardando uma cirurgia pelo Sistema Único de Saúde.

Ao g1, Santos contou que, após a repercussão do caso na web, muitos profissionais da área de medicina e especialistas em obesidade o procuraram para oferecer tratamento. Entre as conquistas, ele destaca o procedimento para colocação de um balão gástrico em um hospital particular que cedeu o espaço e a equipe para o procedimento.

A expectativa é que o balão gástrico ajude ele a perder cerca de 50 kg, o que é importante para que ele possa seguir para a próxima etapa: a realização da cirurgia bariátrica. O processo também será realizado por uma equipe que se prontificou a ajudá-lo gratuitamente, e uma empresa doou o grampo bariátrico que será utilizado na cirurgia.

“Eu me senti muito feliz, muito apoiado, essa é realidade. A minha vida mudou de cabeça para baixo. Eu era uma pessoa que não estava nem aí para nada, e do nada, em uma semana, estava indo todos os dias ao hospital, exame atrás de exame, sem parar. Tudo está dando certo. O balão é uma coisa que vai ajudar muito na perda de peso, ajudar na saciedade. É algo surreal, porque pelo SUS mesmo eu não ia conseguir”, afirma.

Jovem que passava dos 300 kg ganhou um procedimento bariátrico para a colocação de um balão gástrico — Foto: Helaine Cardoso

Para ele, o mais importante foi ver a intenção de todos que tentaram ajudá-lo. “Muita gente ajudou. Meu pai, o que esse cara sofreu. É difícil lembrar de todo mundo, é muita gente. Não tem nada que possa pagar essas pessoas. É muita gente mesmo, e às vezes posso até esquecer alguém”.

As oportunidades que surgiram na vida de Santos foram tão importantes que o motivaram a iniciar uma dieta restritiva, que contribuiu para que ele eliminasse pouco mais de 10 kg em 40 dias, e passasse a pesar cerca de 290 kg. “Pedi para a minha nutricionista que fizesse uma dieta mais regrada. Às vezes, eles falam três colheres, mas isso varia de uma pessoa para outra, então, comecei a pesar a comida e comer bastante salada”.

Helaine mobilizou equipe de profissionais para ajudar Carlos Willian após repercussão nas redes sociais — Foto: Arquivo Pessoal

O olhar comovido da enfermeira e coordenadora da clínica Oltramed, Helaine Cardoso, mobilizou diversos profissionais e até a empresa em que ela trabalha, que disponibilizou os grampos necessários para a cirurgia bariátrica de Santos. “A gente sabe que uma cirurgia feita com produto de bariátrica já é o suficiente para a qualidade de vida dele, então, acabei entrando em contato com os meus diretores”.

Em contato com especialistas, ela soube que o respirador hospitalar não aguentaria o peso de Santos, e com isso, conseguiu mobilizar profissionais para realizar um procedimento endoscópico para colocação do balão, o que possibilitará que ele perca peso. Posteriormente, será realizada uma cirurgia bariátrica, e também um procedimento reparador para retirada do excesso de pele. “É como se eu tivesse ajudando um filho, a gente vê como um filho nosso”, diz.

“As pessoas querem ajudar, mas não querem passar pelo passo a passo do processo. O processo dele ainda era longo, ele tinha exames que não tinha prontos. A pessoa que fosse conduzir isso, primeiro, tinha que ter um amor muito grande pela situação dele, e como sou enfermeira, a gente vê muito caso, e a gente acaba pegando para a gente, e foi isso que aconteceu. Acabei pegando o caso dele, eu tinha acabado de acordar quando vi a notícia, e pensei que ele estava sofrendo, e que eu tinha como ajudar”, afirma Helaine.

Considerada “um anjo” por Santos, Helaine está acompanhando todo o processo com a equipe de profissionais que mobilizou para ajudar no caso. “Se formou um grupo de vários médicos, e eu falei que ia dar problema, porque quanto mais gente você junta, menos você consegue resultado. Então, fui focando naqueles que já iam ajudar mesmo”.

A diretora da clínica, Bruna Steffens, já passou por um procedimento bariátrico, e afirma que a possibilidade fornecida ao Carlos é uma nova chance para ele viver com saúde. “A qualidade de vida que tenho, a disposição que tenho [agora]. Antes, eu não tinha vontade de fazer absolutamente nada, só tinha vontade de comer e dormir, só isso”, lembra.

“Eu tenho 35 anos, e estou vivendo coisas que eu nunca tinha vivido na minha vida, porque a gordura me impedia. Eu tinha vergonha, não gostava muito de sair, porque as pessoas são maldosas, elas julgam mesmo, e ficava me escondendo dessa sociedade. O que te conforta é a comida, você vai procurar conforto na comida, e quando vê, está cada vez pior”, explica Bruna.

Eduardo Grecco foi um dos médicos que se ofereceram para ajudar na colocação do balão gástrico — Foto: Helaine Cardoso

O professor da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e endoscopista bariátrico Eduardo Grecco é um dos profissionais que se sensibilizaram com a história do jovem. Ele mobilizou o hospital, o centro cirúrgico e a equipe de anestesia para apoiarem a causa. Ele explica que o procedimento realizado é endoscópico, sem corte, sendo considerado um tratamento não cirúrgico.

“É feito em ambiente hospitalar, e na hora, o anestesista propõe o tipo de anestesia ao paciente. Em seguida, é realizado o implante do balão por via endoscópica. Esse balão, produzido com silicone, é do tamanho de uma caneta. Estando dentro do estômago, a gente começa a encher ele com um líquido azul”, explica.

Segundo Grecco, durante o procedimento, é possível encher o balão com uma capacidade de 400 ml a 700 ml, com um soro fisiológico com azul dimetileno. “Você enche o balão através de um cateter que está adicionado nele, desconecta esse cateter, e o balão vai ficar lá dentro do estômago dele”, explica.

“O estômago tem mais ou menos a capacidade de 1,3 litro a 1,5 litro de volume, então, você vai ter um balão com a metade da capacidade do estômago do paciente, o que vai gerar saciedade, vai reduzir drasticamente a fome e a vontade de comer”, afirma.

O cirurgião do aparelho digestivo e bariátrico Luiz Castro, diretor do Hospital San Gennaro, onde o procedimento foi realizado gratuitamente, afirma que concedeu o espaço na unidade após solicitação de Grecco. “Todo empresário também tem que ter um lado social”, diz.

Castro salienta que existem vários graus de obesidade, e que quanto maior a obesidade, maior a dificuldade do paciente em perder peso. Segundo ele, existem três tipos de tratamento para a obesidade – clínico, endoscópico e cirúrgico -, mas cada um deles tem limites.

“A nossa opinião é que tem que ser feito um tratamento multiprofissional, onde você tenha um tratamento clínico, endoscópico e cirúrgico, para que o paciente possa chegar a um peso mínimo. Perder peso com qualquer um dos tratamentos isoladamente é muito pouco provável”, conclui.

Pesando mais de 300 kg, jovem com obesidade mórbida contou que sentia muitas dores nas pernas e na coluna — Foto: Arquivo Pessoal

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