Idoso de 75 anos com parkinson e enfisema supera o peso da idade e as doenças para trabalhar e poder comprar remédios e comida em SP | Santos e Região

Uma cena de cortar o coração, um aposentado de 75 anos, com problemas na coluna, enfisema pulmonar [doença degenerativa do pulmão] e mal de parkinson, vendendo doces e salgados para complementar a renda e poder pagar os remédios e o aluguel. As fotos acima e o caso viralizaram nas redes sociais da estudante de Nutrição Jaqueline de Souza, de 33, que não conseguiu ficar indiferente ao notar as dificuldades do idoso, na entrada da balsa em Guarujá, no litoral de São Paulo.

As informações obtidas por Jaqueline estão na placa que o homem carrega diante da bandeja de produtos e que poucas vezes é lida, devido à correria dos passageiros que fazem a travessia de balsas. Segundo pesquisa divulgada pelo Jornal Nacional, na última semana, mostra que o número de trabalhadores brasileiros com 70 anos ou mais cresceu mais de 20% em 12 meses.

Lourival Ramos de Magalhães, de 75 anos, morador do bairro Albatroz, em Bertioga, portanto faz parte desta estatística. Ele contou ao g1 que vende salgadinhos e doces para uma renda extra, que se faz necessária para a compra dos medicamentos dele e da esposa, uma vez que a aposentadoria de ambos não cobre os gastos.

O salário que eu ganho é muito pouco e só dá para comer, pagar energia e água. Moro de aluguel e pago R$ 1.100. O salário vai embora. Compro uns salgadinhos e balas e vou vender para arrumar um dinheiro para comprar remédio porque, às vezes, falta o remédio. Fico preocupado porque o remédio é minha saúde“, disse Lourival.

Os gastos mensais do casal com os tratamentos médicos chegam a R$ 1 mil. O dinheiro é gasto com procedimentos para a enfisema pulmonar, mal de parkinson e coluna, além dos medicamentos para a esposa, de 77 anos, que quebrou a clavícula.

Em placa que usa durante as vendas, o aposentado de Bertioga menciona que foi diagnosticado com problema na coluna, pulmão e mal de parkinson — Foto: Arquivo Pessoal/Jaqueline Souza

O idoso contou ao g1 sobre a estratégia de venda. Segundo ele, quando está sol fica pelo Centro de Bertioga, mas, quando o tempo muda vai para a entrada da balsa de Guarujá, onde Jaqueline o encontrou. Lourival vende os salgados por R$ 6 ou R$ 10 e costuma lucrar R$ 2, em média, por produto vendido.

Emocionado, o aposentado disse que está feliz com a repercussão da publicação feita pela estudante e pela ajuda que tem tido. “Estou sentindo que foi por Deus”.

O aposentado sonha que a história dele chegue até o apresentador Luciano Huck, na esperança de que consiga sair do aluguel. “Vou pedir para ele me ajudar. Queria contar minha história”.

“É um absurdo. A gente nessa idade tem que descansar, mas o salário é tão pouco, tão miserável, que não dá para nada. Então tenho que sair, ficar em pé o dia inteiro para arrumar um dinheiro para inteirar para comprar remédio e comida porque meu salário vai todo no aluguel, tem água, luz e telefone”, desabafou o aposentado.

Aposentado Lourival Ramos de Magalhães, de 75 anos, e a esposa, de 77, na casa onde moram de aluguel em Bertioga, SP — Foto: Arquivo Pessoal/Jaqueline Souza

Jaqueline explicou que estava a caminho de Santos quando encontrou o aposentado vendendo os salgados. “A princípio, pensei em comprar um salgadinho, e comprei. Mas aí vi na plaquinha que ele tem problema de pulmão. Eu tenho vó né? Graças a Deus a minha avó está bem e meu avô também, mas me coloquei no lugar [dele]. Aí, quando a balsa estava vindo, resolvi tirar uma foto para ver se ajudava”.

A estudante de Nutrição afirmou que não esperava que a publicação tivesse a repercussão que teve. “Já que eu não posso ajudar com mais, porque eu fiz um PIX e comprei o salgadinho, pensei que outras pessoas pudessem ajudar para, quem sabe, ele não precisar ficar vendendo com essa dificuldade”.

“Imagina um senhor com dor na coluna, com parkinson? Tive que ajudar ele a pegar o dinheiro porque estava tremendo. Me sensibilizei”, disse Jaqueline.

A publicação dela chegou até a atendente Aline Samara Pereira da Silva, de 31 anos, que se comoveu com a história e fez questão de acompanhar a Jaqueline até uma visita na casa do aposentado. “É ter garra né? Com 75 anos, com todos esses problemas, ele anda encurvado e ainda vende as balinhas, os docinhos dele[…]. É muito guerreiro. Me sensibilizou muito”.

Jaqueline (à esq.) e Aline (à dir.) visitaram o aposentado e a esposa na casa onde eles moram em Bertioga, SP — Foto: Arquivo Pessoal

O g1 entrou em contato com a Prefeitura de Bertioga que, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho e Renda, baseada em dados da Fundação Seade relativos a 2019, informou que o município conta com 424 pessoas com 60 anos ou mais empregadas formalmente. Os dados não incluem profissionais informais, como o caso do aposentado citado na reportagem.

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