Hotel fazenda que abrigava cobras e está em terra indígena pertence a empresário suspeito de ter ligação com facção criminosa | Santos e Região

O Rancho Pesqueiro Arco-Íris foi embargado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e, segundo o órgão ambiental, foram encontrados animais silvestres expostos em cativeiro no local.

O proprietário do empreendimento, segundo a Polícia Civil, está em liberdade condicional, após ter sido preso em 2020, durante a ‘Operação Laura’, por suspeita de envolvimento com uma facção criminosa. A ação foi coordenada pelos policiais da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Itanhaém, com o objetivo de prender suspeitos de ajudar uma foragida da Justiça a dar à luz de forma clandestina no Hospital Regional do município. A mulher foi capturada logo após receber alta.

Na época, segundo as autoridades, o trabalho investigativo mostrou que esse empresário tem importante atuação no Primeiro Comando da Capital (PCC), e que a capturada não tinha relação de amizade com ele, mas o procurou para ajudá-la, sob orientação de outras lideranças do crime organizado. A investigação ainda apontou que coube ao suspeito, que tem grande influência, também, nas cidades de Peruíbe e Itariri, possibilitar que a foragida tivesse a filha sem risco de ser presa.

Próximo da data em que foi preso, o suspeito teria assumido a direção da empresa responsável pelo transporte público de Itanhaém, e o ex-prefeito, Marco Aurélio Gomes (PSDB) – chefe do Executivo municipal naquele ano -, divulgou um vídeo se posicionando sobre a situação. A empresa afirmou que ficou surpresa com a notícia da prisão, e que ele não fazia parte do quadro societário da organização.

Conforme apontaram as investigações da Polícia Civil, o suspeito também é uma das peças do conglomerado empresarial chamado ‘Arco-Íris’, que consiste em um polo de diversão da facção criminosa, onde há serviço de televisão, parque aquático, concessionária de veículos e até um mercado.

De acordo com o Ibama, a equipe de fiscalização de Santos cumpriu, na última segunda-feira (22), uma ação de autuação, embargo e interdição de empreendimento de turismo no Rancho Pesqueiro Arco-Íris.

A ação contou com o apoio de equipes da Superintendência do Ibama em São Paulo (Supes-SP) e do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Lorena. Foram apreendidas cinco araras, um papagaio e duas cobras pítons. Todos os animais foram encaminhados ao Cetas.

Foram apreendidas cinco araras, um papagaio e duas cobras — Foto: Divulgação/Ibama

“Foi uma ação do Ibama junto com o Ministério Público, então, vieram fiscais de São Paulo, e também foram os nossos fiscais daqui. Esse hotel foi fechado, embargado, e as equipes retiraram todos os animais. Agora, é preciso tirar os peixes da lagoa que sejam exóticos. Então, ainda existe essa parte, o Ibama deu o prazo para eles realizarem e vai acompanhar”, afirmou a agente federal Ana Angélica Alabarce, responsável pelo Ibama na região, em entrevista ao g1.

Segundo o Ibama, além de a operação ter sido feita junto com o Ministério Público Federal (MPF), todas as ações foram comunicadas à Coordenação Regional Litoral Sudeste da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Itanhaém. No total, os autos somaram R$ 585.500.

O hotel fazenda divulgou em suas redes sociais, às 15h da segunda-feira, após a fiscalização do Ibama, que o local ficará fechado por tempo indeterminado, por conta de “obras na infraestrutura visando a segurança do público”.

Ao g1, por meio de nota, o advogado do proprietário do empreendimento disse que não tem nada a declarar sobre o Rancho. Sobre a Operação Laura, ele afirmou que o Ministério Público, após produção da prova processual, requereu a absolvição do proprietário do hotel fazenda.

Cobras pítons foram localizadas e apreendidas em empreendimento — Foto: Divulgação/Ibama

Segundo a Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP), que atua junto com índios e quilombolas para garantir seus direitos territoriais, culturais e políticos, a Terra Indígena Piaçaguera é morada de 358 índios que se autodenominam Tupi-Guarani. Eles estão distribuídos em 11 aldeias e ocupam uma área de 2.773,7978 hectares no município de Peruíbe.

A demarcação de Piaçaguera foi homologada pela presidenta Dilma Rousseff em 2016 e registrada em cartório no mesmo ano. Em 2018, a terra foi registrada na Secretaria do Patrimônio da União, finalizando o procedimento de regularização fundiária.

Ainda segundo a CPI-SP, a terra indígena está localizada na Mata Atlântica e ocupa uma área bastante preservada, sendo que apenas 11% de seu território encontra-se desmatado. A Terra Indígena Piaçaguera é cortada pela Rodovia Padre Manoel da Nóbrega e está localizada em uma região bastante urbanizada, com atividades e empreendimentos ligados ao turismo e ao lazer.

Araras foram conduzidas ao Cetas — Foto: Divulgação/Ibama

Um papagaio também foi localizado e apreendido no local — Foto: Divulgação/Ibama

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