Homem descobre que veículo apreendido em pátio no litoral de SP sofreu colisão e foi alterado: ‘enganado’ | Santos e Região

O corretor de imóveis Anderson de Lira Santos, de 43 anos, denunciou uma ilegalidade cometida no pátio de veículos no bairro Vila Santo Antônio, em Guarujá, no litoral de São Paulo. Segundo ele, o carro dele chegou ao local em perfeitas condições, mas, ao retirá-lo, descobriu que o veículo havia sofrido com uma colisão e passado por reparos. O veículo havia sido apreendido por não ter pagado o Imposto Sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA) e licenciamento.

Ao g1, Anderson contou que o veículo, um Volvo XC60, ano 2012, foi apreendido em 6 de maio, por volta das 7h30, e que cinco dias depois foi ao pátio buscar uma caixa que estava dentro do carro e encontrou a unidade fechada.

“Olhei por uma brecha e vi o carro sem capô e sem a grade. Falei que não era o meu carro, mas, quando voltei, olhei e vi [que era o] meu carro sem capô e sem a grade. Estou me sentindo lesado e enganado ao chegar e ver meu patrimônio do jeito que eu vi“.

Segundo o corretor de imóveis, uma gerente do pátio o atendeu e confirmou que o veículo tinha sofrido uma batida “O próprio guincheiro bateu. Eles foram lá, pegaram a peça do meu carro, tiraram e colocaram sem me dar nenhum esclarecimento. Não abriram notificação dizendo o que tinha ocorrido”.

“Levaram para um lugar que eles mandam arrumar, ou seja, a cor que está no meu carro hoje do capô e a grade que eles colocaram foi por conta própria. Não é o meu carro”, contou.

Anderson afirmou ter pagado a documentação em 2 de junho, mas ao perceber que a grade dianteira estava caindo, notificou a administração do pátio e não retirou o carro. “O diretor disse que iria notificar o dono da empresa [de guincho] e entraria em contato comigo, mas se passaram 20 e poucos dias e meu carro ainda está lá dentro com IPVA e licenciamento tudo pago”, explicou.

Corretor de imóveis encontrou veículo com capô alterado e a grade caindo após sinistro em pátio de Guarujá, SP — Foto: Arquivo Pessoal/Anderson de Lira Santos

De acordo com Santos, a pintura feita no capô não condiz com a original do veículo. “O capô está de uma cor e o carro está com outra. Você tem um patrimônio, paguei pela estadia, guincho. O veículo entrou andando e quando fui buscar ele, o carro não estava mais funcionando“.

Ele disse que chamou um mecânico para ir até o local para verificar o motivo do carro não estar funcionando. Porém, o capô, que havia passado por reparos, não abriu. “O rapaz alegou que não ia mexer para não danificar os sensores, que teria que ser levado para a oficina, colocado em um guincho, em um elevador para tentar verificar e abrir por baixo”.

Anderson contou que, dois dias após perceber que o veículo não funcionava, o gerente do pátio ligou e disse que o carro estava sem problemas. “Ela [administradora do pátio] vai colocar na defesa que [o motivo de o automóvel não ligar] foi a bateria, que era só dar carga. Eu falei para não mexer no meu carro e eles mexeram”.

O corretor de imóveis registrou dois boletins de ocorrência na Polícia Civil e na Polícia Militar, em 11 de maio e 2 de junho, respectivamente. Até o momento, o veículo permanece no pátio mesmo após ele ter quitado R$21.870 em dívidas.

Para Anderson, após batida dentro de pátio, capô foi pintado com cor diferente do carro em Guarujá, SP — Foto: Arquivo Pessoal/Anderson de Lira Santos

O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) informou que o veículo foi apreendido pela Polícia Militar e encontra-se em um pátio particular administrado pelo município.

Em nota, a Prefeitura de Guarujá informou que a Superintendência Municipal de Trânsito e Transporte Público abriu um processo administrativo, número 24.478/2022, para apurar o caso ocorrido no pátio da cidade, que é terceirizado, administrado pela empresa PVD – Gestão, Guarda e Transporte de Veículos.

De acordo com a administração municipal, conforme o contrato administrativo número 241/2018, a contratada é responsável por danos causados a terceiros, e obrigada a manter seguro total sobre os bens a ela cautelados.

A prefeitura afirmou que foi constatado que, durante a guarda cautelar do veículo, aconteceu um sinistro e que, segundo a empresa, foi efetuado o devido reparo em estabelecimento conveniado pela seguradora da contratada, e o veículo foi disponibilizado para retirada por parte do proprietário.

Por fim, a prefeitura informou que, a partir do boletim registrado na Ouvidoria Municipal, foi solicitado esclarecimentos técnicos que estão à disposição do proprietário do veículo no processo administrativo.

O g1 não localizou o contato da PVD – Gestão, Guarda e Transporte de Veículos até a última atualização desta reportagem.

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