Homem capturado após 12 anos foragido tem liberdade provisória concedida pela Justiça | Santos e Região

Ao g1, Maria de Fátima Zanon Polisson disse que vê com revolta e sensação de impunidade a decisão da juíza Denise Gomes Bezerra Mota, da 1ª Vara Criminal de Guarujá, que assinou pela liberdade provisória do réu, que responderá ao crime em liberdade.

Na decisão, a juíza argumentou que o réu foi apontado como um dos autores do delito por meio de reconhecimento fotográfico “o que, por si só, não é suficiente para motivar a decretação da prisão cautelar, medida excepcional”, escreveu na decisão. Ele foi liberado sob o compromisso de manter atualizado seu endereço e telefone.

“A lei tem muitas brechas. Nesses 12 anos, muitas coisas aconteceram. Meu marido faleceu de tristeza, a vida da gente mudou. Mas vou viver para que essa justiça seja feita”, prometeu a mãe.

Mãe de Daniel ajudou na busca pelo foragido responsável pela morte do filho — Foto: Arquivo/TV Tribuna

Maria de Fátima disse, ainda, que mesmo a condenação do homem apontado como o atirador que matou seu filho não traria a vida dele de volta. “Prisão para ele não resolve. Ele vai continuar vivendo bem, vendo a mãe, o pai, os filhos. A gente aqui precisa viver com a saudade. Então, que ele nunca tenha paz de consciência”, disse.

O foragido foi capturado no município de Euclides da Cunha, na Bahia, no fim de junho. À época, a mãe chegou a relatar a sensação de alívio pela prisão dele. Ela auxiliou a polícia, por mais de uma década, com informações sobre possíveis paradeiros do foragido.

A prisão se deu após uma pessoa, natural da Bahia, procurar a mãe pelas redes sociais para passar informações. Maria de Fátima imediatamente informou a polícia sobre as novidades. Os investigadores procuraram a polícia do município baiano logo em seguida, conseguindo a prisão do foragido. As equipes de Euclides da Cunha cumpriram o mandado expedido pela 1ª Vara Criminal de Guarujá.

A aposentada relata que a vida dela mudou ao longo desses 12 anos. “Perdi meu marido de tristeza, que adoeceu e se foi. Não tem mais festa em casa, a gente não comemora nada. Não tem motivo para comemorar coisa alguma. A família é unida em prol dos que se foram”, desabafa.

O crime ocorreu em 16 de março de 2009, no bairro Jardim Guaiuba. Dois homens armados invadiram uma residência e renderam a família, composta por quatro pessoas – um casal, a filha e o namorado, Daniel.

Após revirarem a casa em busca de dinheiro, um dos criminosos saiu com cartões eletrônicos para realizar saques. Um comparsa ficou na casa com a família refém, e recebeu um telefonema dizendo que as senhas estavam incorretas.

Nervoso com a situação, Daniel Polisson tentou agredir o bandido, que conseguiu se soltar e atirou contra o peito da vítima. O jovem publicitário chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. O bandido fugiu.

Em contato com a advogada de defesa do réu, Katherine Pagetti, ela esclareceu que o crime aconteceu em 2009, e não houve prisão em flagrante. “Só consta no processo o reconhecimento fotográfico dele, que é considerada uma prova demasiadamente fraca”, disse. Segundo ela, o réu preenche os requisitos legais para a liberdade provisória, e é um direito dele reconhecido por lei. “O processo ficou suspenso por anos, e foi o próprio acusado que requereu ao Judiciário o retorno do andamento para comprovar sua inocência”, disse.

Leia abaixo o posicionamento na íntegra:

“O crime aconteceu em 2009, não houve nenhuma prisão em flagrante. Só consta no processo o reconhecimento fotográfico dele, que é considerada uma prova demasiadamente frágil. A juíza aceitou nosso requerimento de liberdade provisória, uma vez que o Cristiano preenche os requisitos legais, e é um direito dele reconhecido em lei. O processo ficou suspenso por anos, e foi o próprio acusado que requereu ao Judiciário o retorno do andamento para comprovar a sua inocência.

O Superior Tribunal de Justiça, em casos semelhantes, adota o entendimento de que, para o crime de roubo, a rainha das provas é o reconhecimento. Mas, na prática, o que acontece, infelizmente, é uma praxe policial totalmente divorciada das orientação e diretrizes legais. Essa prova, que já tem um grau de subjetividade muito grande, é ainda mais falível quando não se observa o procedimento mínimo previsto no CPP, é uma prova colhida inquisitorialmente, sem presença do advogado, de um juiz ou do MP.

Então, neste caso, foi concedido a ele o benefício de responder ao processo em liberdade, até porque não temos uma previsão de quando será designada a audiência de instrução e julgamento, diante do quadro de pandemia que ainda estamos vivendo, oportunidade em que será comprovada a sua inocência”.

VÍDEOS: As notícias mais vistas do g1


Fonte Original

Compartilhar
Mostrar mais
Botão Voltar ao topo
EnglishPortugueseSpanish
Fechar
Fechar