Familiares de jovem atropelado em Cubatão reivindicam mais segurança na Via Anchieta: ‘sem ele aqui é muito difícil’ | Santos e Região

Um jovem foi atropelado e morreu, há 30 dias, enquanto seguia para o trabalho de bicicleta pela Via Anchieta, em Cubatão (SP). Agora, os pais de Styvison Mateus, de 19 anos, continuam a cobrar as autoridades por ter mais segurança no local e para encontrar o motorista que atropelou o rapaz e fugiu.

Ao g1, a mãe da vítima, a cozinheira Ivania Motta, relatou que o filhou saiu para trabalhar no dia 27 de março às 5h40 e em menos de dez minutos sofreu o acidente. Um carro atropelou o jovem na via Anchieta, próximo ao Bolsão 8, local conhecido como Curvão.

Familiares do jovem atropelado em Cubatão reivindicam mais segurança na Rodovia Anchieta: ‘sem ele aqui é muito difícil’ — Foto: Arquivo pessoal

O motorista fugiu sem prestar socorro, e Styvison, que completou 19 anos uma semana antes do acidente, morreu por volta das 7h no Hospital Municipal. Desde então, os familiares e representantes de associações do bairro lutam por respostas e por mais segurança no local, segundo Ivana.

“Completou 30 dias que ele faleceu e não conseguiram pistas de quem matou meu filho. Tinha monitoramento, mas estava tudo danificado. Após a gente fazer um ato pacifico, depois de sete dias, colocaram as câmeras”.

Jovem completou 19 anos uma semana antes do acidente — Foto: Arquivo pessoal

A família registrou um boletim de ocorrência no 2º Departamento de Polícia (DP) da Cidade, que investiga o caso e tenta localizar o motorista. “Conseguimos o contato de uma testemunha para ajudar na investigação. A Ecovias [empresa que administra Rodovia] afirmou para a investigadora que não há câmeras”, alegou a cozinheira.

Em nota , a Ecovias afirmou que está à disposição das autoridades policiais para colaborar com as investigações. Sobre eventuais imagens do acidente, informou que “em análise interna feita pelo Centro de Controle Operacional foi constatado que não houve registro do acidente pelas câmeras instaladas no local”, consta no texto.

Família busca informações sobre a morte do jovem — Foto: Arquivo pessoal

Reivindicação por ciclovia ou passarela

Os pais de Styvison Mateus também fazem reivindicações para a construção de uma passarela ou ciclovia perto do local do acidente onde, segundo eles, já aconteceram outras fatalidades. O pedido também é feito pela comunidade, por meio de associações.

“Moramos aqui há dez anos. Fomos tirados de uma comunidade e colocaram a gente aqui no Bolsão nove. Até agora nada de ciclovia ou passarela para passar para o outro lado. Meu filho não foi o primeiro, varias pessoas já morreram ali”, afirmou a mãe da vítima.

Comunidade protesta contra a morte do jovem — Foto: Arquivo pessoal

De acordo com Ivania, a cobrança já foi feita à Prefeitura e à Ecovias, mas apenas a administração municipal deu uma resposta. Ela explica que o prefeito de Cubatão, Ademário Oliveira (PSDB), os recebeu e enviou um e-mail pedindo uma reunião e solução para a concessionária.

Em nota, a Companhia Municipal de Trânsito (CMT) informou que recebeu, na Prefeitura de Cubatão, os pais da vítima. “A CMT reafirma seu compromisso com o bem-estar da população e informa que elaborará ofício reiterando a solicitação dos moradores e da administração municipal junto à Ecovias”, escreveu.

“A maior cobrança que a gente faz é com a Ecovias, pois o mato toma conta do lugar. Quem passa não consegue ver o outro lado. Não tem acostamento, não tem iluminação. Eles não dão assistência e não se pronunciam”, diz Ivania.

Questionada, a Ecovias afirmou que no contrato de concessão não há previsão de novas obras para este trecho, mas que, recentemente, realizou a implantação de cinco quilômetros de ciclovia na via Anchieta, do km 60 ao km 65, entre os municípios de Cubatão e Santos, sendo parte das obras da Nova Entrada de Santos.

Familiares de jovem atropelado em Cubatão reivindicam mais segurança na Rodovia Anchieta; ‘sem ele aqui é muito difícil’ — Foto: Arquivo pessoal

A concessionária ressaltou, em nota, que continuará a adotar ações estratégicas para diminuir o número de acidentes nas rodovias sob sua responsabilidade, como as desenvolvidas pelo Programa de Redução de Acidentes (PRA).

“O objetivo é conscientizar a população a proteger suas vidas ao utilizar os equipamentos de segurança instalados estrategicamente nas vias, como as passarelas. A última ação realizada no bairro Jardim Nova República (Bolsão), em Cubatão, foi feita no dia 31 de janeiro de 2022, onde há uma passarela instalada no km 1 da Interligação da Baixada (SP059), a aproximadamente 500 metros de onde aconteceu o acidente”, destacou a Ecovias.

A Associação de Ciclistas de Cubatão (ACC) afirma também já ter feito várias solicitações para a construção de passarela ou ciclovia, mas alega que nada avançou.

“Fizemos vários apontamentos para o Governo Estadual, inclusive fizemos uma visita técnica com Artesp [Agência de Transporte do Estado de São Paulo] e Ecovias e apontamos várias irregularidades, inclusive onde o ciclista perdeu a vida”, comentou a presidente da Associação, Luciana Brites.

Segundo ela, já foram solicitadas reuniões para tratar sobre o monitoramento das rodovias que margeiam a cidade. “Onde ele [Styvison] sofreu o acidente não tinha câmera e, por isso, não conseguimos identificar o infrator. Quanto à passarela ligando os bolsões com a Vila São José, pedimos em 2019 e até hoje não fomos atendidos”, acrescentou Luciana.

Jovem morreu enquanto seguia para o trabalho — Foto: Arquivo pessoal

A Associação do Bairro Bolsão 9, presidida por Adriana Amelac, também solicitou mais segurança na via onde, segundo ela, 19 pessoas perderam a vida no mesmo local de Styvison.

“Estamos montando um documento bem elaborado para entregar no MP [Ministério Público]. Já existe um mapeamento para toda a Baixada Santista, só vamos complementar isso dentro de Cubatão. Nossa solicitação na prefeitura foi a passarela do Bolsão 7 para a Vila São José e ciclovia na saída do Bolsão 8, ida e volta, para a segurança dos moradores”, explicou Adriana.

Ivania Motta desabafou sobre o sentimento que fica após a fatalidade e afirmou que vai continuar trabalhando para localizar o motorista. Ela pede por justiça.

“O sentimento de mãe é muito difícil, de perder um filho que saiu de dentro da gente. Vem cada vez mais a saudade e, às vezes, a esperança de que é tudo um sonho e que ele vai acordar e vai voltar, mas ele não vai voltar mais, né? É muito, muito difícil. Eu não penso em vingança, mas iria dar um alívio no coração se esse rapaz aparecesse e se entregasse”, disse.

Família relata a dor da peda — Foto: Arquivo Pessoal

A cozinheira relatou que sente revolta e que durante esse mês não conseguiu ficar sozinha em casa, por sentir falta do filho que morava com ela e o marido.

“É revoltante. Uma mãe perder um filho não é fácil. Ele tinha acabado de completar 19 anos. É dolorido, é muito difícil. Sem palavras. Quem nos confronta e nos ajuda é sempre Deus. Se não for a força de Deus a gente não consegue. A gente tenta tirar força de onde não tem, tenta distrair a cabeça, mas é tudo muito recente”.

“É muito difícil ficar em casa. Quando meu marido trabalha à noite, eu durmo na casa da minha filha. Não consigo dormir sozinha depois do que aconteceu. Sem ele aqui é muito difícil”, desabafou.

Styvison morreu no dia 27 de março, aos 19 anos — Foto: Arquivo pessoal

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