Ex-vereador condenado por associação criminosa diz que recebia mesada de R$ 4 mil de ex-prefeito no litoral de SP | Santos e Região

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Itanhaém, no litoral de São Paulo, Valdir Gonçalves Mendes, conhecido como ‘Valdir do Açougue’, afirmou, durante a audiência que o condenou a seis anos de prisão por associação a organização criminosa, que recebia mesada de R$ 4 mil paga pelo ex-prefeito Marco Aurélio Gomes. Segundo o acusado, o dinheiro era fruto de uma ‘vaquinha’ recolhida pelo ex-chefe do Executivo municipal. A denúncia é analisada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.

Valdir do Açougue foi preso em julho de 2020 durante a ‘Operação Coche’, da Polícia Civil, voltada ao combate ao crime organizado no município. Ele foi apontado nas investigações como responsável pelo transporte clandestino na cidade. Antes da audiência, as autoridades já apuravam se os repasses que ele recebia seriam ilegais. Na época, por causa do foro privilegiado de prefeito, o processo foi encaminhado ao Tribunal de Justiça de São Paulo, mas esse ano retornou ao Foro de Itanhaém.

A TV Tribuna, afiliada da Rede Globo, teve acesso à audiência, na qual o juiz Paulo Alexandre Rodrigues Coltinho perguntou sobre a suposta mesada de R$ 4 mil. O ex-parlamentar afirmou que, ainda durante a campanha para eleger Marco Aurélio, ficou acordado que aqueles que fossem eleitos iriam ajudar aqueles que não conseguiram se eleger.

Ex-vereador investigado por receber auxílio emergencial foi preso em Itanhaém, SP — Foto: Reprodução/TV Tribuna

“Segundo o que eu sei, é uma vaquinha que é feita entre quem ganhou, entendeu doutor? Não tem nada de estar lesando os cofres públicos, não tem nada disso. Era uma situação de quem se elegeu no partido lá, aqueles outros que foram bem votados, e não se elegeram, iam receber uma ajuda, se fazia uma vaquinha e se ajudava”, disse no julgamento.

De acordo com Valdir, a vaquinha era repassada a Marco Aurélio, que era cobrado para fazer o pagamento. “Se era lícito, por que não eram feitos depósitos? Para que entregar em espécie, em frente a resort , à noite, e nas esquinas de Itanhaém?”, perguntou o promotor. O acusado, então, responde que queria que a quantia fosse entregue em dinheiro mesmo.

Ainda durante o julgamento, Valdir disse que o dinheiro era entregue por César Augusto Lopes Saliba, um intermediário do ex-prefeito Marco Aurélio. Segundo apurado pela reportagem, ele não tinha qualquer vínculo com a prefeitura, mas durante anos acompanhou de perto vários compromissos do ex-prefeito, como mostram algumas publicações em redes sociais.

“O Saliba era uma pessoa mais próxima do Marco Aurélio, se não me engano, ele dirige para o Marco, então, por isso é ele”, disse o ex-vereador.

A TV Tribuna também teve acesso a conversas por aplicativo de celular entre Valdir e César, obtidas pela Polícia Civil, que mostram o ex-parlamentar cobrando o pagamento da suposta mesada.

“Ô Cezar, será que hoje o prefeito me dá aqueles quatro conto? Todo mês é uma dificuldade, cara. Eu não vou falar para ele isso, porque você quem faz essa correria, mas, oito anos cara. Todo mês eu sou o último a pegar o dinheiro”, diz o ex-vereador.

Ainda conforme apurado pela polícia, ele usava códigos para cobrar César sobre o valor, como “tô com saudade de você”. O juiz chega a questionar sobre o codinome usado por ele, já que Valdir afirma que o dinheiro é lícito. “Ó doutor, eu mesmo usei isso daí, ‘ô Cezar, tô com saudade de você’, porque o Cezar que era a pessoa que ia trazer esse dinheiro”, justificou.

Sobre o caso, a TV Tribuna tentou contato telefônico com Cezar Saliba, mas ele não atendeu às ligações. A defesa de Valdir do Açougue disse que nada de ilícito foi comprovado, e que o inquérito policial que investigava ele e o ex-prefeito Marco Aurélio foi arquivado.

A defesa do ex-prefeito Marco Aurélio afirmou que já esclareceu as informações para a polícia, e aguarda o arquivamento do inquérito pelo Poder Judiciário. A defesa do ex-prefeito diz, ainda, que o auxílio financeiro foi pago por correligionários, e fora disso, o que se tem são infundadas alegações de caráter especulativo.

Polícia Civil em Itanhaém, SP, investiga o caso — Foto: G1 Santos

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