Ex-secretário de Desenvolvimento Econômico não presta depoimento à comissão que analisa impeachment de Suman | Santos e Região

Rogério Rudge Lima Netto é ex-secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Portuário de Guarujá. Ele foi apontado, segundo o Ministério Público Federal (MPF), como operador financeiro do prefeito Válter Suman, tendo o ajudado, supostamente, a ocultar o patrimônio ilícito (leia mais abaixo).

Ele recebeu a notificação de comparecimento pela Câmara de Guarujá na quinta-feira (4), por meio de um aplicativo de mensagens. Segundo o presidente da comissão, o vereador Fernando Martins dos Santos (MDB), o secretário teria confirmado a presença às 11h desta sexta.

No entanto, algumas horas antes da sessão começar, Rogério voltou a entrar em contato com o funcionário que realizou a intimação avisando que não compareceria, segundo Fernando. “Ele disse que teria que ter tomado ciência com três dias de antecedência, mas isso não é verdade. Todos precisam ser citados 24 horas antes”, explicou.

Caso comparecesse, ele responderia a questões elaboradas pelos vereadores membros da Comissão Processante, formada por Fernando Martins dos Santos (MDB), Juninho Eroso (PP) e Sirana Bosonkian (PTB).

Agora, Rogério será notificado novamente para comparecer, na segunda-feira (8), e prestar esclarecimentos sobre o processo. No mesmo dia, deve ser ouvido o ex-secretário de Educação Marcelo Nicolau, que foi preso com o prefeito em setembro.

O prefeito Válter Suman já foi notificado e deve prestar depoimento na quinta-feira (11). A Comissão Processante tem um prazo de 90 dias – até 29 de dezembro -, para finalizar o relatório, que seguirá para votação em plenário, para decidir pelo afastamento ou não do prefeito.

Faltas prejudicam processo

Apesar de nenhuma sanção ser aplicada aos notificados que decidirem não comparecer, a falta prejudica o andamento do processo da Comissão Processante. “Fico chateado e até indignado. É um processo que a comissão vem se debruçando para dar uma resposta concreta para a população”, disse o vereador.

O ex-secretário de Saúde Sandro Luiz, que faltou na quinta-feira (4), protocolou um documento justificando sua ausência, que não foi divulgado. A Comissão Processante irá analisar os argumentos apresentados e decidirá pela reconvocação ou não de Sandro.

“A comissão está fazendo a reconvocação dos faltosos porque é importante o depoimento dos envolvidos, até para que ninguém alegue que não teve direito à defesa”, explicou o presidente da Comissão Processante.

A primeira sessão da Comissão Processante que analisa o pedido de impeachment aconteceu no dia 23 de setembro. Essa primeira reunião ocorreu no plenário da Câmara, após ser aprovado por unanimidade o pedido de destituição do cargo do prefeito, protocolado pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Com a definição, um documento foi confeccionado, apontando todas as denúncias contra Suman. Por dois dias, a Comissão tentou localizar o prefeito para entregar a intimação, no Paço Municipal, onde ele não foi encontrado.

O prefeito foi intimado no dia 30, teve dez dias úteis para apresentar a defesa prévia e apontar dez testemunhas de defesa. Após ser localizado, ele apresentou a defesa, que foi analisada pela comissão.

Prefeito de Guarujá, Válter Suman, foi solto após Justiça Federal conceder liberdade provisória — Foto: Alexsander Ferraz/Jornal A Tribuna

Nicolau e o prefeito da cidade, Válter Suman (PSDB), foram presos em flagrante pela Polícia Federal durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da Operação Nácar, que investiga um esquema de desvio de dinheiro na rede pública de saúde em meio ao enfrentamento da Covid-19, em 15 de setembro. Eles foram colocados em liberdade provisória no dia 18 do mesmo mês.

As ações aconteceram na casa do prefeito e, também, do secretário. Nos imóveis ligados a ambos, foram encontrados quase R$ 2 milhões em dinheiro.

Quase R$ 2 milhões foram apreendidos pela PF em imóveis ligados ao prefeito e secretário de Educação de Guarujá, SP — Foto: Reprodução/Polícia Federal

A reportagem teve acesso ao documento da Polícia Federal que detalha os itens apreendidos na residência do prefeito, totalizando mais de R$ 70 mil e dezenas de joias e outro, que aponta o encontro de mais de R$ 40 mil escondidos dentro de caixas de máscaras de proteção facial no gabinete da prefeitura.

Suman é suspeito de comandar uma organização criminosa que teria desviado mais de R$ 109 milhões da área da Saúde, enquanto Nicolau teria recebido vantagens indevidas nos contratos firmados entre a prefeitura e a Organização Social Pró-Vida, que era responsável pela administração da UPA da Rodoviária e 15 Unidades de Saúde de Família (Usafas).

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