Especialistas apontam importância da retomada dos cruzeiros para a economia e geração de empregos | Porto Mar

Autoridades e especialistas destacaram a importância da retomada dos cruzeiros marítimos para a geração de empregos e para o avanço da economia do país, durante o Summit Cruzeiros, evento realizado nesta quinta-feira (18) no auditório do Grupo Tribuna, em Santos, no litoral de São Paulo. Também foi abordada a viabilidade de mudar o terminal de passageiros para o bairro Valongo.

Os convidados abordaram, ainda, os novos protocolos sanitários a serem seguidos, e as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), além de estratégias para o desenvolvimento do turismo na região.

O ministro do Turismo, Gilson Machado Neto, abriu o evento por meio de vídeo, destacando a importância da chegada dos cruzeiros ao país após o período em que as embarcações ficaram impedidas de circular com passageiros, devido à pandemia. “A retomada dos cruzeiros vai movimentar milhões para a economia, e esse assunto é extremamente necessário”, destacou.

Em seguida, o deputado estadual Tenente Coimbra (PSL) reforçou o impacto positivo da retomada dos cruzeiros para a economia. “Serão R$ 2 bilhões injetados na economia, mais de 35 mil empregos, sem contar os projetos de expansão que irão refletir regionalmente. Esse debate é de suma importância e contribuição para o cenário nacional”, disse.

Também no evento, o prefeito de Santos, Rogério Santos (PSDB), destacou a importância da atividade de navios para o município, e mencionou as ações da Secretaria Municipal de Saúde para a segurança de passageiros e moradores.

Prefeito de Santos destacou a importância da atividade de navios para o município e mencionou as ações da Saúde para a segurança dos passageiros e moradores — Foto: Matheus Tagé/Jornal A Tribuna

“Sem o terminal de Santos, os cruzeiros no país dificilmente existiriam. Essa retomada é uma união de nós todos, e o Governo Federal trabalhou muito para isso. No primeiro embarque, em 5 de novembro, durante a madrugada, a nossa equipe estava trabalhando junto à Anvisa, para que a saída do navio desse certo e fosse feita com segurança, então, houve muito empenho de todos”, relatou o prefeito.

O prefeito também reforçou a importância da desestatização para o futuro do Porto de Santos, e o quanto acredita ser essencial a transferência do Concais para a área do Valongo, para o incremento do turismo e revitalização do Centro Histórico da cidade.

“Eu estive no embarque do primeiro navio, e fiquei um pouco preocupado com relação à proximidade do terminal de fertilizantes com o terminal de passageiros. Isso não é um bom cartão de visita, apesar de ser muito importante. Então, a nossa preocupação é o tempo em que ocorrerão essas mudanças. Por isso, a cobrança ao Governo Federalm para que as coisas aconteçam no tempo certo, sem prejuízos à cidade”, relatou.

No Painel 1, com o tema ‘Cruzeiros – Alavanca do Desenvolvimento Regional e do Brasil’, o empresário e apresentador Maxwell Rodrigues, que foi o mediador do evento, iniciou a apresentação abordando o papel social dos cruzeiros e os desafios nesse período de retomada.

Em seguida, Guilherme Miranda, que representou o secretário de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo, Vinicius Lummertz, falou sobre a força do turismo no estado. “Em 2019, o turismo em São Paulo estava indo muito bem, com geração de 50 mil empregos positivos, gerando mais empregos que a construção civil, mas aí veio a pandemia. Agora, estamos retornando de uma forma comedida, segura, e devemos fechar o ano com empregos positivos”, destacou.

De acordo com Miranda, a Secretaria de Turismo está apostando muito na Baixada Santista. “A região recebeu, desde 2019, da nossa secretaria, R$ 146 milhões para obras de infraestrutura turística. Este ano ainda serão conveniados R$ 110 milhões à região”, afirmou.

O deputado federal Herculano Passos, representante do presidente da Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, afirmou que a Comissão de Turismo está de portas abertas para acompanhar todos os projetos e avançar na pauta da retomada dos cruzeiros.

Evento reuniu autoridades e especialistas em Santos, SP — Foto: Matheus Tagé/Jornal A Tribuna

Ainda durante o Painel 1, Marco Ferraz, presidente da CLIA Brasil – Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos, braço nacional da Cruise Lines Internacional Association, maior entidade do setor de cruzeiros, explicou que, no Brasil, há custos muito altos para operar um navio, e que para ter embarcações o ano inteiro, também é preciso melhorar o cenário, e estar bem de malha aérea e hotelaria.

De acordo com Ferraz, as empresas de navios já tentam discutir com o Governo Federal a possibilidade da circulação dos navios internacionais. Ele também relatou que o setor mantém preocupação e foco no meio ambiente. “Queremos protegê-lo, porque é onde a gente navega. Os navios já estão usando gás natural, e nos comprometemos a diminuir em 40% o carbono até 2030, e 100% até 2050. Ainda não temos a tecnologia para isso, mas as companhias estão se unindo para investir nisso”, conta.

O presidente da APT, Carlos Eduardo de Almeida Silveira, destacou a importância do capital humano para o setor. “Uma cidade será boa para o turista sendo boa, primeiro, para a sua população. O cruzeiro marítimo é uma vitrine, principalmente para os turistas internacionais, porque, na parada, se ele se sentir seguro, ver que é um lugar tranquilo, vai voltar”. Silveira também reforçou que é preciso capacitar profissionais para a área. “Acima de tudo, precisamos ter um olhar para a formação profissional direcionada à nossa região, as necessidades dessa indústria”, destaca.

Marcos Antonio Carvalho Lucas, presidente da Associação das Agências de Viagens do Interior de São Paulo (Aviesp), reforçou a responsabilidade social dos cruzeiros, devido à geração de oportunidades de emprego, de forma direta e indireta.

“De cada dez brasileiros, sete querem viajar como primeira opção nesse período pós-pandemia. E para trazer mais navios, temos que desregulamentar, desburocratizar, porque no Brasil é muito difícil empreender. O turismo é uma indústria que só traz felicidade, realizamos sonhos das pessoas, e fazendo a lição de casa, poderemos avançar no número de turistas no país. Esse é um setor capaz de gerar emprego para todas as camadas sociais”, destacou.

Por fim, o jornalista especialista no setor de cruzeiros Daniel Capella destacou que os cruzeiros se tornaram um estilo de vida. “As pessoas que fazem um cruzeiro sempre acabam optando por essa opção de viagem”.

Diretora-geral da Norwegian Cruise Line Holding, Estela Farina, abordou mudanças sanitárias — Foto: Vanessa Rodrigues/Jornal A Tribuna

Durante a palestra ‘Setor de Cruzeiros Pós-Pandemia. Futuros, Incertezas, Mudança de Rota’, a diretora-geral da Norwegian Cruise Line Holdings, Estela Farina, explicou que, antes do Brasil, os cruzeiros já haviam retornado em outros países, e que a volta da circulação dos navios no país é algo extremamente importante para a economia e para o ramo.

“Foram montados painéis com cientistas e especialistas, que deram embasamento para que os protocolos fossem criados”, disse a executiva, reforçando a segurança para os cruzeiristas dentro dos navios. “Foram feitos muitos investimentos para que essa segurança fosse garantida. Se você está em um cruzeiro, sabe que todos que estão ali foram vacinados. A experiência do cruzeiro é muito bacana, e essa experiência em si não vai ser impactada em quase nada”, afirma.

Ainda segundo Estela, a busca por novos roteiros é muito importante para o Brasil. “O país ainda tem uma lição de casa importante, para identificarmos um ambiente de negócios, para colocar o Brasil como um ambiente regular. Vale lembrar que somos uma indústria de pessoas, e há oportunidades para o Brasil receber esses turistas”.

Evento também abordou a viabilidade da mudança do terminal de passageiros ao Valongo — Foto: Vanessa Rodrigues/Jornal A Tribuna

O presidente da Autoridade Portuária de Santos, Fernando Biral, abriu, de forma virtual, o Painel 2, ‘Terminal de Passageiros – Desafios, Impactos e Viabilidade’. Ele relatou que, no dia 5 de novembro, esteve a bordo do MSC Preziosa para celebrar o início da temporada, e também destacou o trabalho junto à prefeitura para a transferência do Concais ao Valongo. “Estamos muito motivados com esse projeto, que é o sonho da população santista”.

Em seguida, o diretor de Gestão e Modernização Portuária no Ministério da Infraestrutura, Otto Burlier, afirmou que vem trabalhado para atrair investimentos, diminuir a burocracia e melhorar a competitividade dos portos brasileiros. “O que temos trabalhado fortemente é a articulação, conversar, discutir localmente com a prefeitura, estado, comunidade, buscando convergências e equilíbrio”.

Em relação ao novo terminal de passageiros, Burlier afirma que foi feito um chamamento público para a Autoridade Portuária, e segundo a SPA, uma empresa demonstrou interesse, e estão sendo feitos os estudos. “Certamente, não será tomada nenhuma decisão sem batermos com o governo local”.

O secretário de Governo de Santos, Flávio Jordão, afirmou que a principal preocupação com relação ao futuro do terminal de passageiros da cidade “é não perder tudo que ele representa”, já que o local movimenta um enorme número de pessoas. “Precisamos de mais participação efetiva do poder público nesse processo. O que vamos brigar, na verdade, é que a gente não perca, de forma nenhuma, o que o nosso terminal de passageiros representa para a cidade”.

Na visão do sócio consultor da Agência Porto Consultoria Portuária e Empresarial, Fabrizio Pierdomenico, é impossível existir, na mesma área, um terminal de fertilizantes e um de passageiros. “Todos disseram que o cruzeiro é uma experiência prazerosa. Por isso, a proposta que veio é que vamos fazer a troca”, destacou. Segundo ele, hoje, o principal desafio é viabilizar o funcionamento do terminal de passageiros no Valongo.

O engenheiro especialista portuário e conselheiro da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos, Eduardo Lustoza, falou sobre os problemas de gestão do Porto de Santos, e de como trabalhar para soluciona-los. “Hoje, estamos trazendo, com a aceitação do município, o fertilizante para dentro do Porto. Esse adensamento de fertilizantes está sendo colocado no lugar errado”.

Os problemas de gestão foram reforçados pelo consultor e professor universitário especializado em Turismo Alexandre Nunes. “No que tange à questão do Valongo, temos alguns nós a serem desatados, temos conflito entre a área e a legislação federal, já que aquela área precisa ser preservada. A localização tem que ser revista. Ali, a área portuária é extremamente complexa, porque está localizada entre o patrimônio histórico da nossa cidade”.

Por fim, o presidente da CLIA, Marco Ferraz, também se mostrou preocupado com a forma como está sendo conduzida a mudança do terminal de passageiros para o Valongo.

“Estamos muito preocupados. Não conseguimos atracar com navios grandes no Concais, então, temos que levá-los cada vez mais longe, e essa operação fica custosa. Essa transição está nos preocupando, porque já estão contando com o terminal [no Valongo], e já estamos perdendo berço no Concais. E estamos crescendo, queremos atrair mais navios ao Brasil. Não é fácil operar lá no Valongo, precisa se pensar muito, fazer audiências públicas, estudos, ver se tem viabilidade econômica”, concluiu.

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