De forma inédita, Operação Verão segue por tempo indeterminado mesmo após o fim da estação



Em 47 dias, foram registradas 48 mortes de suspeitos na Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Nome da ação policial continua igual com a chegada do outono. Operação Verão na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, segue por tempo indeterminado; foto ilustrativa
Vanessa Rodrigues/Jornal A Tribuna
A Operação Verão na Baixada Santista, no litoral de São Paulo, continuará por tempo indeterminado mesmo após o fim da estação. Segundo apurado pelo g1 junto à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) nesta quinta-feira (21), esta é a primeira vez que a ação ultrapassa a temporada para qual ela foi deflagrada. O nome não será alterado.
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A ação foi estabelecida desde dezembro de 2023 para combater a criminalidade durante o período em que a região mais recebe turistas. No entanto, com a morte do PM Samuel Wesley Cosmo, em 2 de fevereiro, o estado deflagrou a 2ª fase com reforço policial nas cidades do litoral paulista.
Em 7 de fevereiro, mais um PM foi morto, o cabo José Silveira dos Santos. Na ocasião, começou a 3ª fase da operação, que foi marcada pela instalação do gabinete de Segurança Pública em Santos e mais policiais na região. A equipe da SSP-SP manteve a sede na Baixada Santista por 13 dias.
O outono começou nesta quarta-feira (20) e a 3ª fase da Operação Verão permanece em andamento. O g1 questionou a SSP-SP sobre o critério para o encerramento da ação policial, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.
Mortes de suspeitos
As mortes da Operação Verão são contabilizadas pela SSP-SP desde o dia 3 de fevereiro. Desde então, em 47 dias foram registradas 48 mortes de suspeitos (veja a tabela abaixo).
De acordo com a SSP-SP, desde o início da 1ª fase da ação, em 18 de dezembro, 952 criminosos foram presos, entre eles 375 procurados pela Justiça, e 790 quilos de drogas retiradas das ruas. Além disso, 102 armas ilegais, incluindo fuzis de uso restrito, apreendidas.
Mortes de suspeitos
Repercussão
A Defensoria Pública de São Paulo, em conjunto com a Conectas Direitos Humanos e o Instituto Vladimir Herzog, pediu o fim da operação policial na região e a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais pelos policiais militares.
A Ouvidoria da Polícia de São Paulo e as entidades de segurança pública e proteção de direitos humanos também entregaram à Procuradoria-Geral de Justiça do Estado um relatório com irregularidades nas abordagens de policiais durante a Operação Verão na Baixada Santista.
Além das denúncias, o documento conta com uma série de recomendações aos órgãos públicos para que cessem as violações de direitos humanos praticadas pela polícia.
Operação Verão continua na Baixada Santista; foto ilustrativa
Arquivo A Tribuna
O Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), do Ministério Público de São Paulo, abriu uma notícia de fato para investigar as denúncias de funcionários da Saúde de Santos de que corpos de mortos na Operação Verão da PM na Baixada Santista são levados como vivos para hospitais.
“Cenário é de massacre”
O secretário da Segurança Pública do estado de São Paulo, Guilherme Derrite, disse que não reconhece excessos na ação da Polícia Militar na Baixada Santista durante as operações.
No entanto, a declaração foi rebatida pelo ouvidor da Polícia Cláudio Aparecido da Silva. Para a Ouvidoria, o “cenário é de massacre e crise humanitária”.
“Não tô nem aí”
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também fez uma declaração sobre a Operação Verão. Ele afirmou que ação está sendo feita com profissionalismo e inteligência e minimizou as denúncias de que corpos de mortos são levados como vivos para hospitais
“Sinceramente, nós temos muita tranquilidade com o que está sendo feito. E aí o pessoal pode ir na ONU, pode ir na Liga da Justiça, no raio que o parta, que eu não tô nem aí”, disse o governador.
Uma manifestação a favor da Operação Verão reuniu moradores, representantes de associações, policiais militares e deputados estaduais, que integram a chamada ‘Bancada da Bala’. O ato ocorreu no último dia 9, na Praça das Bandeiras, na orla da praia do Gonzaga, em Santos.
Em nota, a SSP-SP ressaltou que todos os casos são rigorosamente investigados pela Polícia Civil e Militar, com acompanhamento das respectivas corregedorias, Ministério Público e Poder Judiciário.
Mortes de policiais
Policiais militares Marcelo Augusto da Silva, Samuel Wesley Cosmo e José Silveira dos Santos, mortos na Baixada Santista (SP)
Reprodução/Redes Sociais e g1 Santos
No dia 26 de janeiro, o policial militar Marcelo Augusto da Silva foi morto na rodovia dos Imigrantes, na altura de Cubatão. Ele foi baleado enquanto voltava para casa de moto. Uma grande quantidade de munições estava espalhada na rodovia. O armamento de Marcelo, no entanto, não foi encontrado.
Segundo a Polícia Civil, Marcelo foi atingido por um disparo na cabeça e dois no abdômen. Ele integrava o 38º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) de São Paulo, mas fazia parte do reforço da Operação Verão em Praia Grande (SP).
No dia 2 de fevereiro, o policial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) Samuel Wesley Cosmo morreu durante patrulhamento de rotina na Praça José Lamacchia. O agente chegou a ser socorrido para a Santa Casa de Santos (SP), mas morreu na unidade.
Polícia prende ‘Chip’, suspeito de matar PM da Rota com tiro no rosto
Uma gravação de câmera corporal obtida pelo g1 mostra o momento em que o soldado da Rota foi baleado no rosto durante um patrulhamento no bairro Bom Retiro (assista abaixo).
Vídeo mostra o PM da Rota sendo baleado no rosto em viela no litoral de SP
Cinco dias depois, o cabo PM José Silveira dos Santos, do 2⁰ Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP), morreu ao ser baleado durante patrulhamento no bairro Jardim São Manoel, em Santos. Na ocasião, outro policial militar foi baleado e internado – ele já recebeu alta médica.
VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos


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