Caso coronel: O que se sabe e o que falta esclarecer sobre superior acusado de assediar soldados em SP | Santos e Região

Confira a seguir algumas perguntas e respostas para entender o que se sabe e o que falta esclarecer sobre ambas as denúncias:

Por quais crimes ele é acusado pelas vítimas?

Jéssica o acusa de assédio sexual e ameaças. Ela afirma que as investidas pessoais do superior a ela, à época soldado, começaram em 2018. Ele havia acabado de assumir o comando do Batalhão da Zona Sul de São Paulo, quando passou pelas companhias para se apresentar aos policiais militares e a conheceu, chamando-a para sair assim que conseguiu ficar a sós com ela.

Ela disse ao superior que era casada e tinha filhos, recusando o convite. Depois desse dia, Jéssica afirma que sua vida “virou um inferno”. A ex-soldado relata episódios de investidas sexuais, humilhação em frente aos seus colegas e até mesmo sabotagem, quando se recusou a ceder aos pedidos do superior.

Ela ficou dois anos e meio afastada do serviço para evitar contato com ele. No entanto, a licença acabou em março, e ela precisou voltar ao serviço. Ele conseguiu o telefone dela, e as investidas recomeçaram, segundo ela, cada vez mais insistentes. O comandante prometia sustentar os filhos da então soldado, dar uma promoção para ela dentro da corporação, e a transferência que ela queria para o litoral paulista. A vítima afirma que foi, inclusive, ameaçada de morte.

A segunda vítima, outra policial militar na posição de soldado, também o acusa de assédio sexual e ameaças. Além destes crimes contra ela, o superior também se tornou réu por outros dois: ato libidinoso e constrangimento.

De que forma ocorriam esses crimes?

As investidas, segundo ambas as vítimas, ocorriam principalmente por meio de aplicativo de mensagens, e até mesmo por áudios. Prints divulgados por Jéssica mostram algumas das vezes em que ela foi assediada pelo superior. Veja abaixo:

Em março, comandante conseguiu o telefone da soldado e passou a enviar mensagens de cunho sexual — Foto: g1 Santos

Como as denúncias chegaram à Corregedoria?

A ex-soldado Jéssica decidiu formalizar uma denúncia na Corregedoria da PM no início de abril de 2021, quando percebeu que estava sendo enganada pelo tenente-coronel. Ele havia prometido que a levaria ao Departamento Pessoal para pedir pela transferência dela quando, na verdade, o DP estava fechado, e ele planejava levá-la a um hotel.

A segunda vítima foi presencialmente à Corregedoria para formalizar a denúncia no dia 5 de abril de 2021, acompanhada de seu capitão, que prestou apoio à mulher. Esta segunda denúncia envolvendo outra soldado foi feita depois da formalização de Jéssica, mas antes da repercussão pública do caso dela.

Onde as vítimas eram lotadas?

Ambas as vítimas estavam lotadas no 50º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) quando relatam que houve os crimes, o mesmo onde o tenente-coronel atuava no período em que teriam acontecido os assédios.

Como está o andamento dos casos?

Em ambos os casos, o tenente-coronel se tornou réu pelos crimes pelos quais as vítimas o acusam. Com relação à Jéssica, ele se tornou réu pelos crimes de ameaça e assédio sexual. Conforme consta no Tribunal de Justiça Militar, a vítima e as testemunhas já foram ouvidas, assim como já foi realizado o interrogatório do réu. Agora, falta ser realizado o julgamento.

Com relação à outra soldado, ele se tornou réu pelos crimes de assédio sexual, ato libidinoso, ameaça e constrangimento. A primeira audiência do caso está prevista para 5 de maio. O oficial foi afastado do comando do batalhão onde atuava.

Como a segunda vítima não quis se pronunciar sobre o ocorrido, e o caso segue em segredo de Justiça, não foi divulgado de que forma o tenente-coronel a assediou à época, e por quanto tempo os crimes se estenderam.

Quais consequências o coronel pode sofrer?

Como os casos ainda serão julgados, não foi definido qual penalidade será aplicada ao réu. Porém, o ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, explicou que, caso a Justiça Militar o julgue como culpado, ele poderá ser expulso da corporação e preso, sendo encaminhado ao Presídio Romão Gomes, que fica na Zona Norte da Capital.

Soldado denuncia tenente-coronel por assédio sexual e ameaças de morte; ouça

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