Casal em carro de luxo é sequestrado na porta de motel e vive horas de terror: ‘tortura psicológica’ | Santos e Região

Um casal foi vítima de sequestro-relâmpago quando entravam em um motel no bairro da Encruzilhada, em Santos, no litoral de São Paulo. Os dois foram abordados por uma quadrilha com nove pessoas, e foram levados para o alto do Morro da Cintra. Os criminosos armados ameaçaram as vítimas, que viveram horas de intimidação, gritos e terror psicológico.

A reportagem do g1 conversou com uma das vítimas, que não quis ser identificada. Ela relatou em detalhes a traumática experiência e ainda tem dúvida se o crime foi planejado com antecedência pelos bandidos ou fruto de uma escolha pontual, por conta do carro de luxo do casal que é um Jaguar.

A empresária conta que, após deixarem um buffet infantil, o casal decidiu ir a um motel localizado na Avenida Senador Feijó, sem notarem que estavam sendo seguidos. Na entrada do motel, assim que o marido baixou o vidro do carro para falar com a atendente, quatro criminosos os abordaram, munidos de fuzis.

Junto deles, outros cinco estavam em um outro carro, dando retaguarda, impedindo a fuga das vítimas. “Colocaram meu marido no banco de trás. Eu desci achando, sei lá, que queriam apenas levar o carro”, narrou a vítima. “Aí, me jogaram para dentro do carro”.

A empresária lembrou que os criminosos seguiram com eles no veículo “de forma enlouquecida”. Mas, com os olhares para baixo, o casal não pôde ver o trajeto. Ela conta que, aos gritos, os bandidos exigiam dinheiro “para que não acontecesse nada com eles”.

“Eles perguntavam: ‘Vocês tem dinheiro em casa?’. A gente dizia que não, mas eles insistiam: ‘Como não tem? Ricos desse jeito..’. e insistiam: ‘Sabem nadar? Porque a gente vai para o mangue’ Foi uma tortura psicológica horrível”, relata.

Trecho do Morro nova Cintra — Foto: Divulgação/Prefeitura de Santos

O empresário disse que poderia fazer transferências bancárias para os criminosos. Até que, o casal sentiu que o carro estava subindo o morro e, de repente, os bandidos bateram o veículo. As vítimas tiveram que descer do carro e começaram a subir o morro da Nova Cintra a pé.

“Gritaram para a gente: ‘Desce, desce!”. Uma parte seguiu acompanhando a gente, subindo o morro a pé. Mas não podíamos enxergar nada, sequer levantar a cabeça. Foi quando nos encapuzaram. E a gente em um matagal, com mato até o joelho. Subimos e descemos por um bom tempo”, lembrou a vítima.

Enquanto isso, a outra parte do grupo vasculhava o carro do empresário, onde encontraram o celular dele. “Meu marido foi passando todas as senhas relativas aos aplicativos de banco. Os dois grupos ficaram trocando mensagens. Mas, as ameaças não cessavam. Quanto mais a gente subia, mas entrávamos em área de mata, pensávamos: ‘Agora que têm o dinheiro, vão nos matar’. Foi desesperador”.

A maior parte do grupo de bandidos se juntou para fazer as transferências. Apenas um ficou com o casal. Os “beneficiados” com o dinheiro arrecadado nas transferências, no entanto, fugiram, deixando outros sem nada. Por isso, os criminosos decidiram separar as duas vítimas. Dois ficaram com a esposa no morro, e dois levaram o marido até o apartamento do casal, em busca de itens, como joias, celulares e dinheiro.

“Três voltaram para ficar com a gente, e os demais foram embora. Abandonaram os caras. Ai, começaram a brigar entre eles, reclamar, dizer que ia ‘ter papo reto’”, relatou. Na residência do casal, foram levadas joias e aparelhos celulares.

“Por sorte, quando eles chegaram ao apartamento, nossas filhas haviam sido levadas por minha irmã poucos minutos antes. Os funcionários do motel avisaram a Polícia, informando o número da placa do nosso carro, e ela passou a acompanhar o caso”, revelou.

Os bandidos que mandaram o empresário ir, dali a 15 minutos, para um posto de combustíveis localizado na Avenida Waldemar Leão, em frente à Santa Casa de Santos. Na sequência, eles foram buscar a empresária e a deixaram também perto do posto. O casal se reencontrou, por volta das 4h da manhã, e o carro deles foi deixado em uma praça no bairro do Saboó.

Após o episódio, a empresária tem a sensação de impotência diante da violência que sofreu. “Ainda não consegui refletir sobre o que aconteceu e no que poderia ocorrer de mudanças nas nossas vidas. A gente trabalha, paga todos os impostos e conseguiu comprar algo que era um sonho nosso. A gente se pergunta: por que escolheram a gente?”, finalizou.

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