Cadela salva com ‘cheiro de morte’ e coleira grudada na pele ganha novo lar no litoral de SP | Santos e Região

A cadela que foi adotada pela Organização Não Governamental (ONG) Viva Bicho Santos, no litoral de São Paulo, rodeada de insetos, com feridas expostas, linhas amarrando nas patas traseiras e uma coleira grudada na pele devido à falta de tosa, ganhou um novo lar. Margarida, que foi encontrada com “cheiro de morte”, segundo seus tutores, segue passando por diversos tratamentos e agora possui um lar cheio de amor e cuidados.

Uma mistura das raças Shih-tzu e Poodle, a cadela foi salva no dia 11 de setembro. De acordo com a Presidente da ONG Viva Bicho, Marilucy Pereira, a ONG estava realizando ação no bairro México 70, em São Vicente, no litoral de São Paulo, vacinando animais de moradores da região. Uma senhora chegou ao local relatando ser do bairro vizinho, Vila Margarida, e que estava levando sua cadela para ser vacinada, no entanto, o estado do animal assustou a equipe. (Veja o vídeo abaixo)

“Assim que ela chegou, eu vi o estado do animal. Conversei com ela, pedi para que doasse para a gente, pois ela precisava de cuidados. Ela disse que a última tosa tinha acontecido há um ano. Não me esqueço do cheiro, era um cheiro de morte”, contou. Conforme apurado pela equipe da ONG, o animal era usado apenas para reproduzir filhotes, que eram vendidos por cerca de R$ 60.

Coleira estava grudada ao pelo da cadela resgatada em São Vicente, SP, deixando feridas abertas após ser retirada — Foto: Divulgação/ONG Viva Bicho Santos

A cadela passou por um processo de tosa de cerca de três horas, foi examinada com inflamações graves no intestino e no útero, e passou a ser acompanhada por profissionais. A dona de casa Roberta Matos, associada da Viva Bicho Santos, viu nas redes sociais imagens de como o animal chegou à ONG e foi ao local para saber se ela precisava de algo. Porém, o que era para ser apenas uma visita de ajuda se tornou o primeiro dia do processo de adoção de Margarida.

“Eu fiquei muito mexida com a história dela. No dia seguinte que vi o vídeo fui até a ONG saber se ela precisava de algo. Fiquei já feliz por ver a mudança dela, ver que realmente tinha um animal por baixo de toda aquela sujeira e insetos. Meu coração sentiu algo diferente e comecei a chorar, porque percebi que precisava cuidar dela”, relata.

Roberta passou a visitar a cadela diariamente, para que ela se acostumasse com a nova tutora. No fim de setembro, Margarida conheceu o novo lar, onde atualmente vive com Roberta, o marido e mais duas “irmãs”, duas poodles.

Margarida e as novas “irmãs” em sua primeira viagem em família, para Campos do Jordão (SP) — Foto: Reprodução/Instagram

Mesmo com os cuidados que recebeu e com a melhora diária, Margarida revela em seu comportamento um passado cheio de traumas. “Ela tem uma cicatriz enorme nas costas que ninguém soube informar o que é. Ainda é muito medrosa, se assusta muito fácil e criou uma ansiedade de separação muito forte. Mas estou indo no tempo dela, respeitando e com suporte veterinário”, explica.

A cadela também apresenta receio ao se aproximar do marido de Roberta e de homens no geral, chegando a rosnar em alguns momentos.

“Parece que ela sempre está esperando o pior dos outros, então quero mostrar que ela pode confiar na gente. Eu olho para ela e tenho vontade de chorar, porque é triste ver um bichinho tão inocente sentir tanto medo, ficar tão na defensiva e ser tão submisso, por tantas coisas que passou”, desabafa.

Devido ao estado em que foi encontrada, Margarida ainda possui alguns odores ruins, porém, está passando por um tratamento de pele, que hidrata e recupera o tecido. Ela será castrada na próxima sexta-feira (15) e, durante o fim de semana do feriado prolongado de Nossa Senhora Aparecida, fez sua primeira viagem em família, para Campos de Jordão (SP).

Margarida passa por tratamentos de pele e segue sendo assistida por veterinários, para chegar a uma recuperação completa, em Santos, SP — Foto: Reprodução/Instagram

Mesmo com um passado difícil, a cadela demonstra ser bem carinhosa e tem tido momentos felizes no novo lar.

“Parece que ela nasceu para nossa casa. Ela é um doce, mas acho que sempre faltou uma oportunidade dela mostrar esse carinho. A gente não vai poder consertar o passado, mas vamos proporcionar o melhor para ela daqui pra frente. Vamos garantir que ela seja feliz, tenha saúde, boa alimentação, conforto e que se sinta amada em um lar de verdade”, conclui.

Cadela é resgatada após ser encontrada com insetos, nós, inflamações e patas amarradas

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