Cachorra paraplégica e depressiva ganha nova chance após post viralizar | Santos e Região

Uma cadelinha paraplégica e em péssimo estado de saúde teve a vida transformada após ser abandonada em uma instituição por uma mulher, em Santos, no litoral de São Paulo. Depois de receber tratamento e carinho, ‘Madalena’ acabou sendo adotada por uma médica, que conheceu a história do pet pelas redes sociais.

Em entrevista ao g1, Leila Abreu, assessora de comunicação da ONG Viva Bicho Santos, contou que a primeira tutora da cachorra a entregou para um dos funcionários da organização, alegando que buscava atendimento, e saiu correndo, a abandonando, em junho de 2021. Pelas câmeras de segurança da ONG, foi possível ver que um carro esperava a senhora na porta, dando a entender que se tratava de uma ação planejada.

A equipe da ONG ficou surpresa com o estado “deplorável” em que Madalena se encontrava. “Ela estava toda assada, com infecção nas partes íntimas e feridas nas patas e pernas. Mas o estrago não foi só físico, porque ela tinha traumas psicológicos e, com o episódio do abandono, desenvolveu medo de seres humanos”, pontua Leila.

“Totalmente prostrada de dor, largada e depressiva, tivemos que iniciar com o tratamento emocional, para que o toque não fosse mais um trauma”, comenta a assessora da ONG.

Madalena recebeu primeiros tratamentos na ONG Viva Bicho de Santos — Foto: Divulgação/ONG Viva Bicho Santos

O tratamento de ‘Madá’, como ficou conhecida, durou aproximadamente um mês. “Nesse meio tempo, como sabíamos que ela necessitaria de tratamentos especializados, já começamos a fazer uma pré-seleção de possíveis adotantes”, explica Leila.

A assessora lembra que, para adotar um animal, é importante ter amor envolvido, mas que “apenas gostar do bichinho não adianta”. Ela comenta que, principalmente no caso de animais com necessidades especiais, a pessoa tem que estar disposta a gastar financeiramente para cuidar do animal.

ONG Viva Bicho Santos publicou a história da cachorra paraplégica abandonada e comoveu a web — Foto: Reprodução/Redes Sociais/ONG Viva Bicho Santos

A ONG, então, publicou a história de Madalena nas redes sociais. O post teve mais de 500 compartilhamentos e comoveu muitas pessoas, que se mostraram interessadas em adotar a cachorra. Uma delas foi Renata D’Alpino, médica obstetra que reside em São Paulo.

Renata já teve animais que necessitavam de tratamentos especiais, e a ONG acreditou que ela daria o cuidado necessário para a cachorra paraplégica. Eles estavam certos.

Desenvolvimento de Madalena

Renata D’Alpino adotou Madalena no dia 16 de julho. “Desde o início, ela criou uma ligação surreal comigo“, contou ao g1. A médica enfatiza a importância de ter um real comprometimento com os animais, principalmente caso necessitem de cuidados específicos, como a Madá.

Como forma de se solidarizar com as pessoas que se chocaram com a situação de Madalena na web, Renata criou um perfil nas redes sociais para compartilhar seu desenvolvimento. “Hoje, ela tem sessões de fisioterapia e acupuntura semanalmente. Recentemente começamos um novo tratamento de infusão de célula tronco na medula óssea, para ver se ela consegue voltar a ter algum movimento nas pernas”, explica.

Madalena, cachorra paraplégica, realizando sessão de fisioterapia — Foto: Reprodução/Redes Sociais

A nova tutora de Madalena reitera a questão colocada pela ONG Viva Bicho a respeito de ter condições para adotar um animal. Ela explica que, apenas com Madalena, por ser um animal especial, o custo mensal de alimentação, tratamento e saúde beira os R$ 3 mil.

A médica ainda fala dos traumas que o abandono causou à cachorra. “Até hoje, mais de dois meses depois de ela estar aqui, ela ainda demonstra um real pavor de ficar sozinha. Os animais que foram vítimas de abandono acabam criando laços muito fortes com quem os adota depois, mas o ideal mesmo seria que eles não fossem abandonados”, finaliza.

O Instituto AMPARA Animal, organização de interesse público do Estado de São Paulo, divulgou um levantamento a respeito do abandono de cães e gatos. Segundo a organização, na pandemia, houve um aumento de 70% no número de abandonos de animais domésticos.

Para a ONG de Santos, casos de abandono se tornaram rotina. A organização afirma que passou a ser comum pessoas largarem animais em frente ao local, seja prendendo as coleiras dos animais em postes ou simplesmente os jogando para dentro da ONG, por cima do muro. “O problema é que, no Brasil, quando a pessoa quer abandonar um animal, ela abandona e nada acontece. Na teoria, até existem leis, mas, na prática, a pessoa não é punida, e isso é desesperador“, finaliza a assessora da organização.

Madalena vive feliz e saudável em seu novo lar — Foto: Reprodução/Redes sociais

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