Barriga solidária de cunhada realiza o sonho de mãe após três gestações interrompidas: ‘sensação de renascimento e amor’ | Santos e Região

Uma gestação a três e muito amor envolvido em torno e Matheus. O filho de Carla Picanço, de 37 anos, e de Fábio Silva, de 31 anos, completa um mês de vida neste domingo (26) e já nasceu com muita história para contar. Ele é fruto do amor do casal e da irmã de Fábio, Vivian Silva, de 37, que serviu de barriga solidária para a cunhada realizar o sonho de ser mãe. Diagnosticada com útero didelfo [uma anomalia no útero, leia no final] , Carla já havia perdido três bebês, o último em 2019.

“Na hora que o médico falou ‘nasceu’ e escutei o choro dele, nossa. Foi uma explosão de sentimentos”, disse Carla, cujo óvulo fecundado com o material de Fábio foi inserido no útero de Vivian.

De acordo com Carla, a opção pela barriga solidária se deu após três perdas. As duas primeiras antes do 3º mês de gestação e, em 2019, perdeu a ‘pequena Laura’, que não resistiu ao 6° mês.

Fábio (à esq.) e Carla (à dir.) beijam a barriga de Vivian, que carregou Matheus — Foto: Reprodução/Michele Goes

Abalada, a mãe de Matheus entrou em depressão, mas resolveu descobrir os motivos das perdas. Ela passou por uma série de exames e recebeu o diagnóstico médico de útero didelfo, que reduz as chances de uma gestação se desenvolver até o final.

Foi nesse momento, sofrendo com a dor da cunhada e do irmão, que Vivia se colocou à disposição do casal para servir de barriga solidária.

Eu vi o sofrimento dela e do meu irmão tentando ter um filho e não podendo. Me coloquei no lugar deles. Não foi fácil, pois sou casada e tenho dois filhos pequenos, mas me ofereci para gestar o bebê deles.

— Vivian Silva, cunhada de Carla que foi a barriga solidária para a gestação de Matheus

Vivian gestou o filho da cunhada Carla por 38 semanas e 4 dias — Foto: Reprodução/Michele Goes

Carla explicou que a fertilização in vitro feita na cunhada utilizou os óvulos dela – que foram coletados por punção – e o material genético de Fábio. O pequeno Matheus nasceu com 38 semanas e 4 dias na Casa de Saúde de Santos. A mãe e o pai do bebê puderam assistir ao parto.

Foi um momento mágico. Estava muito emocionada, mas me contendo e querendo ver tudo. Estávamos eu e meu marido, um do lado do outro se apoiando e apoiando a minha cunhada. Na hora que o médico falou ‘nasceu’ e escutei o choro dele [Matheus], nossa. Foi uma explosão de sentimentos.

— Carla Picanço, autônoma e mãe do pequeno Matheus

Emocionada, Carla conta que o nascimento de Matheus simbolizou seu próprio renascimento. “Ele trouxe tudo o que tinha ido embora dentro do meu coração quando perdi minha filha em 2019. O sentimento é de gratidão à minha cunhada e à Deus. Foi realmente mágico e sensação de renascimento e amor.”

Carla (à esq.) e o marido Fábio (à dir.) celebram o nascimento do filho Matheus — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ao g1, o médico obstetra Gerson Aranha explicou o que é útero didelfo: “A genitália da mulher é formada pela fusão dos ductos de müller. Quando essa fusão não ocorre corretamente, pode haver várias anomalias, entre elas o útero didelfo”, diz.

Gerson explica que o útero didelfo se dá quando o órgão é formado por dois corpos uterinos e dois colos. A condição dificulta a gravidez devido à pouca elasticidade desses segmentos e à rarefeita formação endometrial. Dessa forma, o embrião não tem espaço suficiente para se desenvolver.

Segundo o obstetra, a condição de útero didelfo não se desenvolve com o tempo. Portanto, caso a mulher o possua, ela já nasce com a malformação.

Casal celebra barriga solidária de irmã do pai do bebê — Foto: Reprodução/Michele Goes

VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos


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