Bailarina vende balas em semáforo em SP para realizar o sonho de estudar na Europa | Santos e Região

Vestida a caráter, uma bailaria de 19 anos vende balas em semáforos da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, para realizar o sonho de estudar ballet na Itália. Após ser aprovada com uma bolsa de estudos que cobre parte das despesas de dois cursos na Opus Ballet, renomado centro de dança no país europeu, Giovanna Santoro tomou a decisão para juntar o valor necessário para pagamentos de hospedagem e alimentação.

Ao g1, a moradora de Praia Grande, também no litoral de São Paulo, conta que o “pedágio”, como chama a prática de vender itens nas ruas, a ajudou a “crescer”. Ela começou cedo, com apenas 13 anos, quando foi com os colegas de dança para arrecadar fundos para outras empreitadas no meio artístico.

“Lembro que no início uma pessoa próxima da minha família disse que eu não deveria ficar triste [por vender balas no semáforo] e que iria construir meu caráter. Aquilo ‘virou uma chavinha’ na minha cabeça. Era verdade, enquanto meus amigos estavam ‘aprendendo como a vida funcionava’, eu já tinha entendido isso”, afirma a bailarina.

O “pedágio” de Giovanna acontece nas manhãs de sexta, sábado e domingo. Para isso, a jovem, que mora no bairro Balneário Maracanã, precisa pegar um ônibus até Santos e São Vicente, cidades vizinhas do município onde mora.

Hoje, sem tantos colegas de dança fazendo companhia nos semáforos da região, ela encara o desafio ao lado de sua mãe, Fátima Silva, de 59 anos, que faz questão de estar presente. Giovanna acrescenta que, em dias de boas vendas, consegue arrecadar até R$ 300.

Moradora de Praia Grande (SP) tem ‘rotina de vendas’ nas manhãs de sexta, sábado e domingo — Foto: Arquivo pessoal

Embora o objetivo principal seja a arrecadação de fundos para a realização de seu sonho internacional, o contato com as pessoas se tornou um dos atrativos para a bailarina. “Gosto de desejar um bom dia, com um grande sorriso no rosto, e perguntar se a pessoa [o ‘cliente’] está bem. É legal fazer com que o dia dessa pessoa, que talvez não esteja tão bom, fique melhor, mesmo que ela não consiga me ajudar”.

Os planos de ir à Itália não são novos na vida da bailarina, pelo contrário. Descendente de italianos, Giovanna diz que o maior sonho de seu pai, que faleceu quando tinha apenas 10 anos, era levar a família – a jovem, sua mãe e irmã – para conhecer o país europeu.

Ele falava em casa desde que eu me entendo por gente sobre esse sonho. Queria nos levar para conhecer um pouco mais da nossa história, das nossas origens. O sonho não morreu com ele. Na verdade, se dividiu por todas nós

— Giovanna Santoro, bailarina

A oportunidade chegou em janeiro deste ano, quando foi selecionada entre 200 brasileiras para estudar na Opus Ballet. Nos planos estão dois cursos: um de férias, com bolsa de 100%, que tem duração de 30 dias, e o outro com bolsa de 50% para o chamado “trainee” da companhia, que tem duração de três anos.

De acordo com Giovanna, o embarque está previsto para o fim de junho. Para a jovem, o céu é o limite. “Meu sonho é realmente fazer o que amo, que é dançar, em palcos da maior parte de países que for possível. Quero um dia me tornar a ‘primeira bailarina’, ou seja, ter um papel principal em uma coreografia”.

VÍDEOS: g1 em 1 Minuto Santos


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