Aposentada dá exemplo de consciência ambiental na praia da Riviera de São Lourenço | Riviera, bairro mais sustentável do País

Apesar dos latões de lixo colocados ao longo dos 4,5 km da faixa de areia da praia da Riviera de São Lourenço, em Bertioga, e das varreduras que acontecem duas vezes por dia, alguns banhistas, por descuido ou falta de consciência, ainda deixam vestígios de sua passagem pela praia.

Aos fins de semana, a Associação dos Amigos da Riviera estima coletar quatro caçambas de lixo na praia. Em um fim de semana prolongado, esse número chega a subir para 40.

Ainda assim, alguns pedaços de plástico de todo tipo, lacres das embalagens de sorvete, copos e garrafas acabam ficando e contam com o olhar atento da arquiteta aposentada Dalma Mesquita Ferreira, de 61 anos, que costuma caminhar com um saquinho recolhendo pequenos objetos que encontra na areia.

“Eu amo muito esse lugar. É uma costa maravilhosa, a praia é linda, mas eu fico inconformada com quem deixa o lixo na areia. Não é só uma bituca, não é só uma tampinha. Tudo prejudica o equilíbrio da natureza. Todo mundo precisa fazer sua parte”, afirma a moradora.

Dalma afirma que os lixos deixados na areia não são apenas uma tampinha, ou apenas uma bituca de cigarro, eles prejudicam o equilíbrio da natureza — Foto: Arquivo SoBloco Construtora

Desde a pandemia, Dalma passou a morar na Riviera. Mas, desde que adquiriu uma casa no bairro planejado na década de 90, ela tem o costume de sair com uma sacolinha e luva para recolher pequenos objetos que encontra na areia.

Segundo a arquiteta, alguns frequentadores deixam latinhas na areia, porque confiam que catadores irão recolher ou porque sabem que a Riviera tem o serviço de limpeza da orla. “Agora, alguns fazem isso por falta de educação mesmo. É o mesmo tipo que descarta lixo pela janela do carro. Outros pensam: ‘estou pagando um serviço de praia, estou pagando um status, por que eu vou levantar da minha cadeira e descartar o lixo?’”, lamenta.

Dalma diz que muitos fumantes também parecem não se envergonhar de deixar as bitucas na areia. “A falta de cuidado que eles precisariam ter consigo acaba extrapolando para o universo imediato. Eu tenho vontade de colocar uma plaquinha com a frase: ‘Siri não fuma. Quero-quero não fuma. Eles não precisam da sua bituca’. Fico inconformada”, afirma.

A aposentada diz que é preciso um exercício de humildade para recolher esse lixo. “Não é fácil você se abaixar para pegar o lixo do outro. Ainda mais porque quem está aqui é privilegiado seja ele turista, morador ou proprietário”, observa.

A aposentada conta que é preciso fazer um exercício de humildade para recolher o lixo, já que você se abaixa para recolher o que o outro deixou ali — Foto: Arquivo SoBloco Construtora

“Só assim que a gente consegue algum início de transformação em algum lugar. Essa é minha luta e nessa intenção que eu saio.”

A aposentada diz que gostaria que seu trabalho sensibilizasse os frequentadores da praia. “Queria que todos tivessem esse cuidado com o seu próprio lixo. Não me sinto melhor do que ninguém. Se uma pessoa ficar sensibilizada, eu já fico muito satisfeita.”

Nessas caminhadas, a aposentada disse já ter encontrado muitos animais. “Eu já achei caranguejo de pedra dentro de um tênis. Esse eu consegui levar para as pedras do cantão de São Lourenço. Já vi muitas águas-vivas diferentes”, conta.

Um dos momentos mais especiais foi o encontro com um dragão azul, uma espécie comum nos oceanos tropicais, mas que raramente é visto na areia. “Essa foi a celebridade do mar que eu encontrei”, brinca.

Em uma de suas caminhadas, Dalma encontrou um dragão azul na areia, uma espécie comum nos oceanos tropicais — Foto: Dalma Mesquita Ferreira

O filho dela colocou a foto nas redes sociais e viralizou. A arquiteta deu várias entrevistas depois disso.


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