Após caso de ataque no litoral de SP, veterinária e dona de pitbulls explica como criar cães mais dóceis | Santos e Região

O comportamento de cachorros da raça pitbull voltou a chamar atenção após dois cães invadirem a casa de uma idosa, em São Vicente, no litoral de São Paulo, e matarem um cachorro da raça pinscher. Ao g1, uma veterinária, que já teve seis cães pitbulls, defende a raça e afirma que se, bem criados, eles podem ser dócéis e bondosos.

A veterinária Carolina Sampaio explicou que o comportamento dos pitbulls depende dos cuidados que os tutores tomam desde o momento em que eles nascem ou são adotados. “É preciso buscar ajuda de profissionais. O pitbull não vai atacar se ele não tiver falha na criação”, explica.

Segundo Carolina, o tutor não deve estimular ações agressivas como bater e ameaçar . “Quando isso acontece, o cachorro cresce se defendendo e, se ele se sentir acuado, ele ataca. É o instinto de todos os animais”, diz.

Ela explica que quem quiser ter um pitbull precisa saber que qualquer ação deles é mais perigosa, devido ao porte físico e a força que eles têm. “A criação dócil é que vai ordenar o dia a dia. Uma mordida de um cachorro pequeno pode não machucar. A do pitbull, com toda certeza, é perigosa e pode levar a morte”, afirma.

Carolina cita algumas medidas que devem ser tomadas desde os primeiros dias de vida. “Para um cachorro filhote, o responsável deve ter um adestrador que entenda de pitbull. A família precisa ensinar a convivência com outras pessoas. Se tiver criança, interagir e criar situações entre eles, da mesma forma com outros animais. Ensinar, por exemplo, a dividir o pote de comida “, orienta.

Já o tutor de um cachorro adulto resgatado deve buscar a procedência dele, ter uma convivência prévia, andar com ele em locais abertos, visitar por uma semana no local que ele estiver, por exemplo. “É fundamental uma adaptação e, após isso, a adoção ficará mais tranquila”, comenta.

Pitbulls da veterinária sendo adestrados — Foto: Divulgação

A veterinária que, desde 2002 trabalha na área, afirma que os cachorros menores tem maiores índices de ataque. “Cerca de 90% dos acidentes de mordida e agressividade vem dos cachorros pequenos e médios. Os outros 10% temos as raças [usados] como ‘segurança de quintal’, de construção e os pitbulls. Com os pitbulls, eu tive uma ocorrência que não consegui fazer a manipulação e um caso que os cachorros eram usados para segurança de quintal”, explica.

Desde 2003, ela tem pitbulls em casa. “Tive seis. Já fiz doação e resgatei cachorros e consegui fazer todos viverem em harmonia. O pitbull é um animal potente, enérgico. Estudar a raça é fundamental. Ele não é assassino, ele é imponente”, destaca Carolina.

O comportamento agressivo de animais da raça voltou a chamar a atenção após um ataque em São Vicente, no litoral de São Paulo. Dois pitbulls invadiram a casa de uma idosa e atacaram e mataram Paçoca, um cachorro da raça pinscher que dormia na cozinha.

A tutora de Paçoca, Odete Pires de Moura, disse que dormia com os netos quando, por volta das 23h15, ouviu um estrondo vindo da porta de casa. Ela se levantou, foi até a cozinha e viu o cachorro dela sendo arrastado para o lado de fora da residência.

Odete conta que os pitbulls são de um vizinho, que mora em uma rua paralela a dela, na Vila Cascatinha. Segundo a idosa, os cachorros derrubaram a porta da cozinha. A moradora conta que os vizinhos foram para a rua, atiraram pedras e bateram com pedaços pau nos pitbulls. Infelizmente, Paçoca morreu após o ataque.

Paçoca e Branquinha (à direita) foram atacados por Pitbulls em São Vicente — Foto: Arquivo Pessoal

A Polícia Militar foi chamada no local e um boletim de ocorrência foi registrado. Para a polícia, os donos dos pitbulls afirmaram que eles já haviam atacado ao menos dois animais da vizinhança, mas que ficaram surpresos com a informação de que os cachorros tinham matado Paçoca.

A idosa lembrou de um ataque dos pitbulls contra a cadela e uma vizinha. “A vira-lata Branquinha foi gravemente ferida na barriga. Ela passou por cirurgia e está em recuperação”.

No boletim, o delegado responsável pelo caso apontou que o ataque foi uma omissão de cautela na guarda e condução de animais perigosos, que é uma infração de menor potencial ofensivo e está prevista nas Lei das Contravenções Penais. A ocorrência será encaminhada para o procedimento de investigação previsto em lei ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).

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De acordo com Odete, o dono dos pitbulls pareceu não dar importância ao caso. “O rapaz veio pegar os cachorros e em momento nenhum se preocupou com a morte do Paçoca”.

A Polícia Militar foi chamada no local e um Boletim de Ocorrência foi registrado. Para a polícia, os donos dos pitbulls afirmaram que eles já haviam atacado ao menos dois animais da vizinhança, mas que ficaram surpresos com a informação de os cachorros tinham matado o cão da dona Odete.


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