Amigas criam projeto para ajudar bebês e gestantes carentes e emocionam a web | Santos e Região

“Se eu não posso ter, eu vou ajudar quem tem”. Esse foi o pensamento que motivou a artesã e auxiliar de enfermagem Layse Camilo Pozzi, de 59 anos, a criar o projeto ‘Dindas de Coração’, iniciativa que arrecada itens para bebês e mães carentes, como roupas e fraldas, em Mongaguá, no litoral paulista.

Com o apoio da cuidadora de idosos Pryscila Fontes do Prado, de 31 anos, a ideia ganhou vida em 2020, com a chegada da pandemia de Covid-19, que causou a demissão de muitas pessoas e afetou a vida financeira de diversas famílias.

As histórias de Layse e Pryscila são opostas, mas possuem um princípio em comum: o amor ao próximo. Enquanto a artesã descobriu que não pode ter filhos e entrou em depressão, a cuidadora de idosos lidava com as dificuldades de ser mãe aos 16 anos.

Layse relata que, após passar por um trauma, aos 22 anos, não teve mais o desejo de ser mãe. Na época, ela convivia com um bebê que foi deixado sob seus cuidados, devido à mãe biológica não ter condições de criar a menina. Contudo, após quatro meses cuidando da criança, a mãe levou ela embora para outro estado, sem avisar a artesã ou deixar um endereço para que ela pudesse visitar a família. Após perder totalmente o contato com a menina que criava como filha, ela ficou traumatizada e decidiu não ter filhos.

Aos 39 anos, casada, o desejo de ser mãe ressurgiu, contudo, o marido de Layse era operado para não gerar filhos. Por conta da idade, ela não conseguiu obter a gestação por outros métodos. Aos 42, em 2004, ela entrou em uma menopausa precoce, acabando com qualquer chance de ser mãe, o que a levou à depressão.

Após frustrações, Layse decidiu investir seu tempo ajudando bebês de mães carentes — Foto: Arquivo Pessoal

Pryscila, por sua vez, não teve tempo de decidir se queria ou não ser mãe, precisou ser. Aos 16 anos, engravidou do namorado e passou pelas dificuldades de ser mãe na adolescência, sem muitas condições financeiras, e precisou passar quase toda a gestação internada por problemas de saúde, em 2005.

Somente há três anos as amigas se conheceram, ao frequentarem a mesma igreja em Mongaguá. O amor ao próximo e pela maternidade, cada qual à sua maneira, as uniu no propósito de ajudar outras mulheres.

A auxiliar de enfermagem conta que começou a ajudar outras mães em 2000, mas a ideia de criar o projeto veio somente em 2020, com a ajuda de Pryscila. “Toda mulher que contribui para ajudar uma mãe é uma ‘dinda’, uma madrinha, também. A necessidade é grande demais para pouca ajuda”, explica.

A dupla relata que o maior desafio para dar continuidade à ideia é receber doações de produtos de higiene, como fraldas, sabonetes e pomadas próprias para bebês. “O ser humano está desacreditado, o amor ao próximo está muito fraco. O ser humano não acredita mais no bem que o outro possa fazer sem receber nada em troca”, desabafa Pryscila.

Projeto arrecada fraldas, roupas, itens de higiene, carrinhos e materiais que possam ajudar na criação dos bebês — Foto: Arquivo Pessoal

O nome ‘Dindas de Coração’ surgiu há cerca de três meses, e contou com a ajuda de uma página do Facebook. Vitor Luiz Rodrigues, responsável pela página ‘S.O.S Mongaguá’, ajudou a divulgar a iniciativa e a arrecadar doações, ganhando a atenção de mais moradores da Baixada Santista.

Atualmente, o projeto consiste em receber doações de roupas e produtos para bebês e gestantes, repassando todo o material recebido a famílias carentes. Aos poucos, a ideia tem ganhado forma.

O desejo das ‘dindas’ é, até o fim deste ano, possuir uma sede para armazenar as doações, conseguir a ajuda voluntária de uma psicóloga, que possa prestar apoio a mães vítimas de violência doméstica e abuso sexual, e poder atender mães de todo o litoral de São Paulo. No entanto, a dupla esclarece que mães de outras regiões também podem ser atendidas.

Além disso, elas relatam a vontade de oferecer cursos gratuitos de artesanato para as mães, a fim de que elas possam aprender e gerar uma fonte de renda própria com os trabalhos.

“Onde precisar, o projeto tem que estar preparado para ajudar. É um trabalho voluntário, demos início sem intenção de lucrar com nada. É de coração, pois estamos sensibilizadas com as dificuldades dessas mamães, então, quisemos fazer esse projeto para ampará-las, sem fins lucrativos”, explica Layse.

Pryscila ressalta que deseja acolher outras mães de uma maneira que ela não foi acolhida. “Eu tenho prazer de ir lá entregar as coisas para a mãe, e ver que ela está sendo acolhida como um dia eu não fui. Eu acho que a motivação maior é amar ao próximo. Você se colocar no lugar da outra pessoa, é viver junto com ela a necessidade dela. Isso sim, é amor de verdade ao próximo”, conclui.

Dupla emociona a web com relatos de superação e trabalho voluntário para ajudar famílias carentes — Foto: Arquivo Pessoal

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