Ajudante de cozinha com problema renal luta por vaga em UTI e hemodiálise: ‘corrida contra o tempo’ | Mais Saúde

A família da ajudante de cozinha Alice de Jesus Santana, de 46 anos, está lutando para que ela consiga uma transferência da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste, em Santos, no litoral de São Paulo, onde ela está internada, para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ao g1, a filha dela, Jhenifer Aguiar, contou que a mãe precisa da transferência com urgência, pois não tem mais um dos dois rins, e o que restou corre o risco de parar de funcionar.

Segundo a garçonete Jhenifer, de 27 anos, a mãe sofre com problemas renais há 13 anos, mas não conseguiu realizar o tratamento na época porque engravidou. “Ela ia fazer tratamento a laser, e acabou que, com a gravidez, não pode. Depois que ela teve o filho, abandonou o tratamento”.

No ano passado, Alice ficou doente e precisou passar por uma primeira cirurgia para retirada de um dos rins. “Os dois estavam totalmente danificados, e as pedras são muito grandes lá dentro. Fizeram uma cirurgia e removeram um dos rins”.

De acordo com Jhenifer, o médico orientou que, após aproximadamente um ano, Alice teria que passar novamente por uma cirurgia para tentar salvar o rim que havia sobrado, mas a família ficou aguardando contato do Hospital Guilherme Álvaro para agendamento do procedimento, o que não ocorreu até o momento.

Com uma nova recaída, Alice precisou ser internada no último domingo (27) na UPA da Zona Noroeste, onde permanece até o momento aguardando por uma vaga de UTI. “O médico foi bem claro e falou que o rim dela parou, e agora está esperando uma vaga de urgência na Santa Casa ou no Guilherme Álvaro”, explica.

“Ele disse que [pode] acabar apodrecendo o resto dos órgãos, e que a tendência é vir a óbito se não conseguir a vaga. Ele deixou claro que a gente não tinha muito tempo, e a gente está lutando, sabe que o caso é grave. A gente pede que ela consiga essa vaga, porque a hemodiálise vai funcionar para ela como um rim”, conta a filha.

Segundo Jhenifer, é uma “corrida contra o tempo” para que a mãe consiga uma vaga na UTI e inicie o tratamento com hemodiálise. “A gente se sente incapaz, triste, não sabe o que fazer, é uma dor muito grande. É minha mãe, ela tem netos, tem meus outros irmãos, tem a minha avó, está todo mundo desesperado e orando muito”, conclui.

A Secretaria Estadual de Saúde afirma que o agendamento de consultas especializadas e a definição de prioridade dos casos são de responsabilidade dos municípios de origem dos pacientes, e que não consta nenhuma pendência de atendimento especializado em sistema estadual.

Em nota, a SPDM, que administra a UPA da Zona Noroeste, esclarece que a paciente deu entrada na unidade de Saúde em 27 de março, e que está devidamente inserida no sistema de regulação municipal (SISREG), aguardando liberação de vaga de UTI.

De acordo com a SPDM, até a liberação deste recurso, a paciente segue recebendo toda a assistência necessária ao caso, e todas as informações estão sendo devidamente passadas à filha, que recebe os boletins médicos.

A Prefeitura de Santos, por meio da SPDM, informa que, desde a entrada da paciente na unidade, foi solicitada vaga de UTI com suporte para hemodiálise.

Ainda de acordo com a administração municipal, a Central de Regulação de Vagas mantém constante interlocução com a Santa Casa, hospital que possui leitos de UTI com suporte para hemodiálise contratualizados, e aguarda a liberação da vaga por parte da instituição para iniciar os trâmites para a transferência da paciente.

Em nota, a Santa Casa de Santos informa que as vagas do Sistema Único de Saúde (SUS) são reguladas por órgãos gestores municipal e estadual, e que, no momento, o hospital não possui disponibilidade de vaga especializada para atender à demanda, mas tão logo aconteçam altas e transferências da unidade necessária, os órgãos reguladores serão sinalizados.

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