Acidente aéreo semelhante ao que matou Marília Mendonça chocou o litoral de SP há 56 anos | Santos e Região

Um acidente aéreo similar ao que resultou na morte da cantora Marília Mendonça, na última sexta-feira (4), em Minas Gerais, ocorreu 56 anos atrás em Santos, no litoral de São Paulo. Em 19 de fevereiro de 1965, um jato militar da Força Aérea Brasileira (FAB) se chocou com cabos de transmissão de eletricidade de alta tensão da Usina de Itatinga, que abastece o Porto de Santos, e explodiu no canal do Estuário. O piloto da aeronave morreu e uma pessoa ficou ferida.

O acidente envolveu um jato do tipo Gloster Meteor – caça bimotor que foi fabricado nas décadas de 1940 e 1950. De acordo com reportagem do jornal A Tribuna, no dia do acidente, o jato era pilotado pelo capitão-aviador João Jorge Macieira Gaio e fazia parte de um grupo de quatro aeronaves da FAB que desenvolvia exercícios de acrobacia no Estuário.

Em meio às atividades, às 15h30 de uma sexta-feira, o Gloster Meteor bateu nos cabos de alta tensão presos a duas torres metálicas, uma de cada lado do Estuário, em Guarujá e em Santos. As torres tinham aproximadamente 60 metros, o que dá uma idéia da altura a que o jato voava.

Jato militar da Força Aérea Brasileira (FAB) se chocou com cabos de transmissão de eletricidade de alta tensão da Usina de Itatinga, que abastece o Porto de Santos, em 1965 — Foto: A Tribuna Jornal

Com o impacto, a aeronave ficou desgovernada. O piloto ainda tentou conduzi-la por cerca de 400 metros, em direção ao mar, mas o jato explodiu antes mesmo de tocar a água. Os destroços se espalharam por um raio superior a 500 metros. O piloto morreu na hora.

Equipes da Polícia Marítima, do Serviço de Buscas e Salvamento e do Grupamento de Bombeiros recolheu o corpo do capitão-aviador e partes da aeronave. Os bombeiros chegaram a realizar buscas no fundo do mar para localizar mais partes do avião.

Jornal A Tribuna mostrou equipes encontrando destroços da aeronave que se envolveu em acidente em Santos — Foto: A Tribuna Jornal

Alguns destroços do avião chegaram a danificar embarcações que passavam pelo local no momento do acidente. Um marítimo, de 34 anos, que estava em uma pequena lancha que navegava pelo estuário, ficou ferido. Também de acordo com A Tribuna, ele morava no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, e sofreu escoriações. Depois de atendido no pronto-socorro, o marítimo foi liberado.

Diante da tragédia, as demais aeronaves que faziam os exercícios de acrobacia voltaram ao Rio de Janeiro, de onde haviam partido. Com o acidente fatal, o Porto de Santos ficou sem energia elétrica, o que obrigou a interrupção dos serviços nos terminais sob supervisão, à época, da Companhia Docas de Santos (CDS), que administrava o complexo.

Avião com cantora Marília Mendonça cai em Minas Gerais — Foto: Reprodução

Morte de Marília Mendonça

A cantora Marília Mendonça, o seu produtor Henrique Ribeiro, seu tio e assessor Abicieli Silveira Dias Filho, o copiloto Tarcíso Pessoa Viana, o piloto Geraldo Medeiros Júnior morreram após a aeronave onde ela estava cair, perto de uma cachoeira na serra de Caratinga, em Minas Gerais. O avião decolou de Goiânia com destino a Caratinga (MG), onde Marília teria uma apresentação na noite de sexta-feira (5).

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), disse que o avião que transportava Marília Mendonça e outras quatro pessoas atingiu um cabo de uma torre de distribuição da empresa, em Piedade de Caratinga, no Vale do Rio Doce.

A cantora Marilia Mendonça — Foto: Divulgação/Globoplay

A Aeronáutica vai apurar as causas do acidente. A aeronave que caiu era um bimotor Beech Aircraft, da PEC Táxi Aéreo, de Goiás, prefixo PT-ONJ, com capacidade para seis passageiros. Segundo a Anac, o avião está em situação regular e tem autorização para fazer táxi aéreo. Ainda não há informações sobre o motivo da queda.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou na tarde deste sábado (6) que recebeu, em março deste ano, uma denúncia anônima sobre a empresa PEC Táxi Aéreo, responsável pela aeronave que caiu com a cantora Marília Mendonça em Minas Gerais. Segundo a agência, o documento informava que a aeronave de matrícula PT-ONJ apresentava aquecimento dos para-brisas. Problema que dificultaria os pousos e decolagens.

A Anac, no entanto, informou que tomou todas as providências cabíveis e que “ficou constatada a substituição da peça em maio deste ano” e que o resultado foi comunicado ao Ministério Público Federal de Goiás (MPF-GO), em 21 de junho. Não há indícios de que a falha denunciada possa ter relação com a queda.

Procurada pela TV Globo, a empresa PEC Táxi Aéreo ainda não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Marília Mendonça faz post entrando em avião

Marília Mendonça faz post entrando em avião

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